terça-feira, 17 de outubro de 2017

POR AMOR A CRISTO

Por Geovani F. dos Santos



“Tenho vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber. E, havendo dito isso, pôs-se de joelhos e orou com todos eles” (Atos dos Apóstolos 20.35).

Esta passagem revela o verdadeiro espírito e propósito do coração do apóstolo Paulo em servir e se mostrar solidário aos santos. Depois de sair de Antioquia e passar   pelas regiões da Galácia e da Frígia, chegou a Mileto, de onde convocou os presbíteros da Igreja de Éfeso para lhes dar instruções (At 20.17-38).  De acordo com o Dicionário John Davis, Mileto localizava-se no litoral da Iônia, cerca de 66 quilômetros e meio ao sul de Éfeso, próximo aos limites da Cária. Nela havia um suntuoso templo dedicado ao deus grego Apolo e foi pátria dos filósofos Tales e, supõe-se também de Demócrito. Segundo o Comentário Bíblico Pentecostal, Paulo não foi pessoalmente a Éfeso devido à incerteza sobre a saída do navio. Preferiu esperar os líderes ali mesmo.


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Ao chegarem, Paulo expõe-lhes um discurso caloroso, uma espécie de defesa de seu apostolado e de suas condutas enquanto esteve com eles no decurso de seu trabalho missionário. O apóstolo usa a frase: “ Vós bem sabeis” (At 20.18), quando se dirige aos homens porque todos eles sabiam do denodo do seu coração em fazer a obra do Mestre e lhe eram testemunhas dos seus sacrifícios em nome do avanço do Evangelho em toda a Ásia, sobretudo, quando esteve entre eles, em Éfeso, por três anos consecutivos ensinando-os e preparando-os para o exercício do ministério afim de que pudessem sucedê-lo posteriormente.

Paulo revela que não mediu esforços para empreender o seu trabalho missionário e expõe todo o seu sentimento ao declarar que fez isso com “muita humildade e com muitas lágrimas no rosto e tentações” (At 20.19).  O intuito de tal discurso é obviamente aguçar nos corações dos líderes a percepção de que o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é uma tarefa que exige profunda renúncia e disposição para se suportar perseguições e sofrimentos por amor a sua causa. O apóstolo coloca-se como exemplo a ser seguido e como um modelo de pertinácia em se cumprir a vontade de Deus sem se importar com as consequências advindas deste ato. Obviamente tem em mente as agruras enfrentadas em sua jornada na região e as perseguições sofridas dos judaizantes e dos pagãos que se viram prejudicados por sua proclamação e ensino das Escrituras. À medida que muitos preferiam o Evangelho às práticas ritualísticas judaicas e ao culto pagão, era inevitável que não viessem retaliações.

Um exemplo disso foi o que aconteceu na primeira viagem missionária quando entraram em uma sinagoga em Icônio (At 14.1), quando depois da exposição das Escrituras e devido a repercussão do ensino nos corações, com muitas conversões, os judeus se levantaram contra eles. Assim diz o texto sagrado: “E aconteceu que, em Icônio, entraram juntos em uma sinagoga dos judeus e falaram de tal maneira, que creu uma grande multidão, não só de judeus, mas também de gregos. Mas os judeus incrédulos incitaram e irritaram, contra os irmãos, o ânimo dos gentios” (At 14.1,2). Estas perseguições eram recorrentes na vida do apóstolo e se tornaram para ele motivo de regozijo em Cristo. Fora chamado para sofrer por Ele (At 9.15,16). Veja uma série de outros textos que mostram os perigos que espreitavam a vida do apóstolo Paulo continuamente durante o seu trabalho missionário:


1.    Perigo de Assassinato: “ E falava ousadamente no nome de Jesus. Falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo” (At 9.29).

2.    Expulsão da cidade: “Mas os judeus incitaram algumas mulheres religiosas e honestas, e os principais da cidade, e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora dos seus limites” (At 13.50).

3.    Insultos e Apedrejamentos: “ E havendo um motim, tanto dos judeus como dos gentios com os seus principais, para os insultarem e apedrejarem” [...] “Sobrevieram uns judeus de Antioquia e de Icônio, que, tendo convencido a multidão, apedrejaram a Paulo e o arrastaram para fora da cidade, cuidando que estava morto” (At 14. 5,19).

4.    Açoites: E a multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoita-los com varas” (At 16.22) [...] “ Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites dos judeus” (2 Co 11.24).

5.    Condução aos Tribunais: “Mas, sendo Gálio procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus concordemente contra Paulo e o levaram ao tribunal”. (At 18.12).

6.    Fúria da Multidão: “porque a multidão do povo o seguia clamando: mata-o” (At 21.36).

7.    Ameaças: “ E ouviram-no até esta palavra e levantaram a voz, dizendo: Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva” (At 22.22).

8.    Linchamento público: “E, havendo grande dissensão, o tribuno temendo que Paulo fosse despedaçado por eles, mandou descer a soldadesca, para que o tirassem do meio deles e o levassem para a fortaleza” (At 23.10).

9.    Prisões: “ Pelo que sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor, mas a palavra de Deus não está presa” (2 Tm 2.9)





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