terça-feira, 1 de junho de 2010

UM FALSO DISCURSO




Ser perseguido é o que muitos crentes na atual conjuntura não desejam. A igreja hodierna ajusta a sua teologia e o seu discurso aos novos paradigmas da modernidade, e no afã de agradar a gregos e troianos adota o expediente "politicamente correto" de não ferir susceptibilidades alheias. No entanto, à medida que amolda a sua dialética a esse falso discurso, cada vez mais perde de vista a sua missão profética de denunciar os desvios dos homens, sejam estes, crentes ou não crentes. 
Quem pode dizer como João Batista: "E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mt 3.7). Ou como Jesus: "Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23.33).

Os profetas, Jesus ou João batista não se importavam com susceptibilidades e nem tampouco se a suas mensagens seriam ou não aceitas; ou ainda se iriam ou não para a cadeia ou mesmo para morte por falar a verdade. “O que importava era falar o que Deus queria que fosse falado.” Quem tem ouvidos para ouvir ouça “(Mc 4.9).
Se temermos ser presos ou perseguidos por falarmos a verdade é porque ainda não fomos exercitados plenamente em nosso íntimo pela mesma. Amoldamos-nos a um estilo cristão medíocre. Amamos o bem-estar e o comodismo e a nossa vida sem relevo nos faz viver um pseudo-cristianismo de aparências que não leva em si as marcas da renúncia e da abnegação em prol do Reino Cristo sobre a terra. Como bem disse Orlando Boyer no livro os heróis da fé: “O Salvador espera e o mundo carece."
E o que o salvador espera de nós? Permita-me colocar algumas coisas:
1.  Espera nosso despertamento para que façamos a sua obra com denodo. 
2. Espera que despertemos do sono indolente para que com fervor possamos bradar bem alto: Jesus Salva, cura, batiza com Espírito Santo e leva para o céu. Simples?
Era esse o tema dos dois moços suecos (Daniel Berg e Gunnar Vingren), que desembarcaram no Brasil com uma chama peito e uma bíblia na mão.
Que possamos nós voltar à simplicidade do evangelho antes que seja tarde demais para isso. O tempo se abrevia e o que podemos fazer, façamos logo em nome de Jesus.
“Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus" (Ef 5.14-16).

sábado, 29 de maio de 2010

ADMOESTAÇÕES E ALERTA


Precisamos estar alertas, irmãos. Porque o nosso Senhor está voltando e os sinais extraordinários que atestam este fato não são poucos. Mas do que nunca precisamos ser sóbrios e vigilantes, atentando sempre para a verdade da palavra. O engano como sabemos está crescendo vertiginosamente e a falta de valores e ética cristãs já são uma  realidade incontestável em nosso meio. Onde iremos parar com tudo isso?

Em outros tempos, os obreiros dedicados à obra do Mestre, faziam-na por amor não se importando com as distâncias ou os sacrifícios. Hoje, não se contentam mais com o "dai de graça o que de graça recebestes" ( Mt 10.8). Querem status, poder, cargos políticos, riquezas e fama. A torpe ganancia nunca foi tão fragrante como em nossos dias. As advertências apostólicas tem sido ignoradas e o mal parece avançar livremente em muitos púlpitos  e ministérios. Pedro declara: " Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto" ( I Pe 5.12).

O deus do Capitalismo cativa os seus escravos com tanta tenacidade que inventou-se um novo evangelho superficial e barato - o evangelho da prosperidade. Mamom é personificado em tais cultos pelos seu ministros "avatares" nauseabundos pelo dinheiro, cujo amor é a raiz de todos os males ( I Tm 6.10). Que Deus nos guarde destas ervas daninhas traiçoeiras que se alastram na seara e nos proteja dos ventos da apostasia que grassa pelo mundo nestes tempos finais. Que o Senhor nos dê discernimento para que com todo equilibrio bíblico possamos estar atentos ao ressoar da trombeta de Deus que em breve soará. Vejam as palavras de Paulo :

"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados;Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados".(I Co 15.51,52 ).

Que nestas verdades possamos permanecer até o fim! Amém!







 

sábado, 13 de março de 2010

UM ENCONTRO SALVÍFICO



Crer abre a porta para o milagre da Salvação na vida do homem ou da mulher. No episódio da mulher samaritana, o fato de ter recebido em seu coração a revelação de quem era realmente aquele que falava com ela, não só possibilitou-lhe ter a acesso a tal bem-aventurança eterna, como também aos que lhe rodeavam, seus parentes, vizinhos, amigos (Jo 4.39).

As conseqüências do recebimento da Graça no coração repercutem poderosamente sobre a existência, mudando totalmente toda a trajetória de uma vida.

Podemos claramente ver esta verdade de transformação espiritual produzida pela fé daquela mulher em Jesus. Antes vivendo uma vida de adultérios seguidos, conforme se depreende das palavras de Jesus em João 4.18: "Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido".

No entanto, após aquele encontro salvífico a sua vida pôde tomar um outro rumo. Naquele mesmo momento se percebeu o resultado da ação da fé. Ela testemunhou das palavras de Jesus aos samaritanos que creram em suas palavras e testemunho, recebendo, por conseguinte, a palavra da fé em seus corações. Vejamos:

"E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito" (Jo 4.39).

sexta-feira, 12 de março de 2010

TEMPOS FINAIS


Os últimos dias da Igreja na terra, antes do arrebatamento, seriam marcados por uma avalanche de modismos e desvios doutrinários sem precedentes em toda a história. O próprio Senhor Jesus Cristo advertiu de antemão aos seus apóstolos sobre tais mudanças que se dariam, bem como os exortou a permanecer firmes na verdade que receberam a fim de não serem envolvidos pelos ventos do erro e, tampouco, ludibriados por hábeis enganadores que surgiriam no cenário de apostasia dos tempos finais.

Decorridos 21 séculos de história eclesiástica, parece-nos óbvio que os vaticínios proferidos nas Sagradas Escrituras cumprem-se aceleradamente, e que, o quadro de apostasia desenhado no passado e descrito fielmente pela pena dos apóstolos de Jesus, na Bíblia, está se dando concomitantemente diante de nossos olhos com uma precisão tão perfeita como somente a mão divina poderia prever. Deus em sua presciência concedeu tais revelações a sua Igreja tendo em vista que a mesma se precavesse dos ataques do pai da mentira e permanecesse incólume aos golpes desferidos pelas trevas.


Desde os dias apostólicos até os nossos dias, a Igreja de Deus na terra percorreu um longo caminho de lutas e perseguições. Por vezes as trevas tentaram ofuscar o testemunho cristão e impedir o curso da luz aos corações famintos pela verdade. Nos momentos mais decisivos de sua história, no entanto, a Igreja nunca deixou de contar com a ajuda do alto, com a poderosa ação do Espírito Santo a lhe instilar a verdade no íntimo e a fé nas promessas daquele que nunca falhou, e jamais falhará.

Sob este ímpeto de inspiração e esperança na Verdade do Evangelho não poucos perderam suas vidas nas arenas romanas, nos jardins de Nero, nos instrumentos de tortura, nas fogueiras da Inquisição e nos terríveis calabouços da Idade Média. Acossados e humilhados pelos inimigos da cruz, permaneceram firmes até a morte, porque buscavam a pátria que há de vir. É a estes heróis, anônimos ou não, que o escritor de Hebreus dedica todo o capitulo11. Considero tal capítulo como um memorial à fé e a esperança de todos aqueles que vivendo no mundo, buscam com fervor a eterna morada dos justos – a Jerusalém Celestial – “a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hebreus 11.10).

Nos dias que antecedem o rapto da noiva do Cordeiro, tais palavras são importantes para produzir em nós tremor e temor diante daquele que nos chamou para vivermos por Ele e por sua Palavra. Nestes dias de engano e afastamento da fé, a vida despojada dos padrões deste mundo e piedosa dos santos do Antigo Testamento deveria nos deixar corados de vergonha e, sobretudo, imprimir em nós o desejo de imitar-lhes as pisadas e o exemplo de fidelidade ao Senhor que morreu na cruz.

No entanto, percebe-se que quanto mais tempo passa, mais profana e abominável vai ficando a cristandade. A luz que outrora brilhou em tempos áureos parece estar fenecendo ante a influência do mundanismo e a ação de falsas doutrinas que se aninharam nos corações de muitos crentes. Diante de tais fatos, alguns até já mencionam a necessidade de uma nova reforma que conduza o povo de volta a Palavra de Deus e lhe imprima um novo animus espiritual – um retorno ao verdadeiro Evangélico bíblico.

Indubitavelmente, está entronizado em muitos púlpitos um outro evangelho. Um Evangelho sem cruz e sem sofrimento. Um evangelho de resultados temporais e de uma busca insana por valores efêmeros, um modelo de Cristianismo que se contrapõe à doutrina de Cristo e aos ensinos apostólicos. Em suma, um evangelho fermentado e falsificado que nega a eficácia da verdade exposada nas Sagradas escrituras e envergonha o testemunho dos santos homens do passado. Conta-se que um grande pintor fora convidado para pintar o desenho do apóstolo Paulo no frontispício de uma determinada igreja italiana. De propósito, o hábil artista deixou coradas de vermelho a face do apóstolo. Ao perceberem o rubor que se destacava na silhueta paulina, alguns religiosos que ali passavam, criticando a obra, perguntavam ao mestre de artes:

- Por que ele está com as faces tão rosadas? Ao que o pintor lhes respondeu:
- Ele cora de vergonha por ver todas as vossas iniqüidades.

Tal ilustração serve-nos como um exemplo que revela profundamente os verdadeiros sentimentos do Senhor em relação a sua Igreja na terra e para com aqueles que se dizem chamados pelo seu nome. Com certeza o Senhor sente ojeriza em contemplar tanta mentira no lugar da verdade, tanta impureza no lugar da santidade e tanta apostasia no lugar da Sã Doutrina. Esse é o evangelho que não glorifica ao Senhor, pelo contrário, provoca-lhe repugnância e tristeza.

domingo, 7 de março de 2010

UMA VOZ NO DESERTO


Nestes dias de engano generalizado a pregação se tornou apenas mais um entretenimento no final do culto do que palavra profética vinda do alto. Bem diferente de João, o Batista; os pregadores da atualidade preferem amoldar os seus discursos ou prédicas ao desejo da multidão. Para eles o que importa é não ferir susceptibilidades com mensagens duras e exortações severas, caso contrário serão taxados de legalistas ou santarrões. Mensagens duras não vendem CDs, DVDs, etc... Nem rendem outros convites para pregar. É melhor o evangelho psicologizado da auto-ajuda do que a verdadeira pregação expositiva que irá desnudar as entranhas da alma dos ouvintes.

No entanto, João não se importava com o que pensavam dele ou de sua pregação. Sua missão era ser "a voz do que clama no deserto" (Is 40.3; Mt 3.3;Mc 1.3; Lc 3.4; Jo 1.23). A sua mensagem era incisiva e judiciosa, pois o seu alvo era despertar os corações acerca do seu lastimável estado pecaminoso afim de que alcançassem arrependimento.


Ele não poupava ninguém. Por mais ilustres ou poderosos que os homens sejam, todos são pecadores e necessitam voltar para Deus. Não se pode fazer distinção ou favorecer um em detrimento de outro pelo fato de estarem em posições distintas na sociedade. O que vale para o plebeu também vale para o rei. Porque a Bíblia diz: “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só" (Rm 3.12). E, ainda: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23).

João, o batista tinha esta consciência. Não é à toa que erguia sua voz com indômito valor para denunciar as obras infrutuosas das trevas exatamente naqueles que se julgavam conhecedores da Lei, os arrogantes fariseus. Vejamos:

"E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; E não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará" (Mt 3.7-12).

Será que o Evangelho que estamos pregando se coaduna com as citações bíblicas supracitadas? Será que como João, o batista temos coragem de dizer a esta geração perversa estas mesmas palavras: "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento" (Mt 3.7,8).

Se não, precisamos rever nosso conceito de pregação e do próprio Evangelho que estamos seguindo. Agradar ao Senhor da Igreja é mais importante do que receber os elogios dos homens.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

CRENTES SEM ESCRÚPULOS



Vivemos uma época de homens sem escrúpulos, de autoridades sem escrúpulos, de pastores sem escrúpulos, de crentes e mais crentes sem escrúpulos! Se no mundo o angu já embolou de vez, no mundinho 'Gospeliano' habitado por charlatães e pseudocrentes travestidos de ovelhas ninguém sabe quem é quem.

É uma lástima que supostos "servos de Deus”, digo supostos, porque verdadeiros crentes renascidos e que conhecem a Jesus não transigem com o erro e, nem tampouco, participam de espetáculos deprimentes de concordância com o que é ilícito.

Isto porque crentes legítimos seguem a risca o que Paulo disse aos Filipenses. Vejamos: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp 4.8). E, também, o que está em Apocalipse: "Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda” (Ap 22.11).

Por esta razão sempre reitero que existe uma minoria que, seguindo a Palavra e tendo temor e tremor diante da mesma não dão lugar em seus corações a tais atos criminosos. Muitos podem até dizer: você está pegando pesado! Mas, não é isso mesmo?! Qual a diferença de um falsário, um estelionatário ou de um prestidigitador para um crente que compra mercadoria pirata ou piratea? Eu acho que nenhuma. Todos estão de igual modo transgredindo a lei, e todos nós sabemos que aqueles que transgridem a lei são transgressores. Não existe meio termo. Tiago declara: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4.17).

Quer palavra mais incisiva do que está? Se não acatamos o que está escrito como podemos dizer que somos crentes em Jesus? Não podemos coadunar com os conceitos e padrões deste mundo, nem ir pela cabeça de uma maioria que acha que está certa. Perfilemos sempre ao lado daqueles que mesmo sendo taxados de quadrados, antiquados; permanecem incólumes diante de suas próprias consciências e diante do Deus Vivo a quem prestaremos contas de nossas obras – sejam boas ou más. Lembremos, pois, com tremor e temor a admoestação de Hebreus: "Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hb 10.31).


Que a Graça do Senhor Jesus inunde os vossos corações e mentes!




Soli Deo Gloria!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Sabedoria ou Loucura?


“Porque vê que os sábios morrem, que perecem igualmente o louco e o bruto e deixam a outros as suas riquezas” (Sl 49.10).

Estes versículos apresentam a realidade da vida humana sobre a terra, ou seja, sempre tendo o seu desfecho com a morte. O interessante nesta observação é que ninguém pode escapar do derradeiro dia em que terá que descer à tumba fria, salvo aqueles que pela vontade de Deus não passarão pela morte, uma vez que serão arrebatados para estarem para sempre com o Senhor (I Ts 4.13-18). Destaquei de propósito os verbos morrem e perecem que aparecem no verso supracitado. Eles indicam a cessação da vida física, fato que acomete a todos os homens sobre a terra. O mais notável aqui é que os verbos se referem indistintamente a duas classes de pessoas – sábios e tolos.

O que isso nos diz? Diz-nos que a morte é uma conseqüência do pecado (Gn 2.17; Rm 5.12) e, portanto, todos os homens por mais ilustres ou capazes que possam parecer não conseguirão escapar dela. Sabedoria e poder podem dar a um indivíduo alguma vantagem sobre outros homens nesta vida, mas são inúteis no que tange a ter alguma prerrogativa sobre o dia da morte (Ec 8.8). É debalde a luta dos homens para fugir do “rei dos terrores” (Jo 18. 10-14).

Este assunto levanta uma outra questão que deve ser ponderada. Se todos são no tocante a existência, mortais, e, se um dia todos haverão de deixar o mundo; então por que perder tempo com fatuidades e orgulho tolos? Por que insistir em demonstrar superioridade ou mesmo maior capacidade intelectual se tudo será num relance desfeito por ocasião do golpe fatal da morte? No cemitério da minha cidade existe uma placa com o seguinte epitáfio: “Aqui todos os homens são iguais” (Ler Jó 3.17,19). Com uma ressalva, iguais no tocante à mortalidade, à efemeridade existencial. Contudo, diferentes no que diz respeito à ressurreição. A Bíblia diz que uns ressurgirão para a salvação, ao passo que outros, para a vergonha e o desprezo eterno ( Dn 12.2; Jo 5.29). Eis a grande e significativa diferença. “Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não serve” (Ml 3.18). Assim nos declara a escritura.

Podemos perguntar: Onde está Voltaire, Russel, Hume, Lênin, Schopenhauer e outros ilustrados deste mundo? Os tais vociferaram contra os céus e desdenharam do caminho da graça. Mas, e agora? Onde estão todos eles? Tolos! Todos se tornaram cinzas! Como disse o salmista: “volveram ao seu pó” (Sl 90.3). Agora, se encontram silenciados aqueles que uma vez menearam a cabeça contra os céus desferindo mordazes zombarias contra o Altíssimo em seus escritos profanos. Quantas almas não foram destruídas por tal veneno? Quantas mentes não foram embotadas acerca da verdade pelas falácias destes servos do Diabo? Mas, agora, ei-los ali humilhados! Sentenciados ao eterno desterro por terem rejeitado a Sabedoria. Mas uma vez o salmista diz: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as nações que se esquecem de Deus” (Sl 9.17).

Qual a distinção entre um sábio e um louco por ocasião da sua morte? Qual o valor dos seus livros quando adentrar pelos umbrais da eternidade? De que terá adiantado ter obtido as mais altas honrarias e títulos nesta geração ante a realidade do castigo eterno? De que importará se estudou em Oxford, Cambridge, Harvard, ou Soborne se nunca foi conhecido nos céus? Os grandes homens da ciência ou os pensadores do passado que se esqueceram de Deus em suas vidas, e, nem tampouco lhe prestaram culto, foram tão loucos ou talvez mais loucos do que aqueles que nasceram destituídos de juízo, como é o caso dos brutos sem razão. 

Na verdade, muitas vezes já assistimos espetáculos de insanidade daqueles que se acham os donos da verdade e, que, por tal sentimento egóico e eivado de orgulho destilam seu veneno através de comentários mordazes e cheios de virulência. Tais insensatos aproveitam-se muitas vezes de catástrofes e desgraças para fazer questionamentos levianos sobre a soberania de Deus e a sua vontade. Perguntam: Onde está Deus quando sofremos? Ou: Por que Deus permitiu esta ou aquela mortandade? 

Estas irreflexões foram levantadas e são levantadas por muitas pessoas diante do caos produzido pelas guerras, pela fome, pelos fenômenos da natureza e por razões que fogem ao nosso controle e explicação. Mas tal comportamento não é novo. Os mesmos pensamentos e questionamentos diante do que não podemos explicar já se deram em outras épocas da história, e sempre com o mesmo viés inquiridor: Onde está Deus?

O século XIX foi marcado por uma profunda crise de esperança quanto ao futuro. Diante do quadro de destruição e miséria resultantes do fim da guerra napoleônica e do fim das utopias revolucionarias, toda Europa mergulhou numa abissal agonia existencial. O pessimismo, a descrença e a sombra de morte eram parceiros inseparáveis e inclementes senhores do pensamento coletivo. Nesta época, surgem como vozes de seu tempo, um grupo de poetas chamados pessimistas. Durant (2000, p.285) sobre eles declara:

[...] “A primeira metade do século XIX levantou, como vozes da época, um grupo de poetas pessimistas – Byron na Inglaterra, De Musset na França, Heine na Alemanha, Leopardi na Itália, Pushkin e Lermontof na Rússia; um grupo de compositores pessimistas – Schubert, Schumann, Chopin, e até mesmo o Beethoven de sua ultima fase (um pessimista tentando se convencer de que era um otimista) e, acima de tudo, um filósofo profundamente pessimista - Artur Schopenhauer?” [...]


O espírito melancólico e soturno de uma geração espavorida pelos fantasmas da barbárie aflorava nas manifestações artísticas e contaminava todas as esferas e vertentes culturais. A violência virulenta que se exacerbou com a Revolução Francesa e o legado de terror deixados pela era Napoleônica imprimiram de forma indelével certo medo ou receio de se viver. Com o futuro tão incerto e com o desmoronamento dos pilares ideológicos que nortearam o ideário europeu do século XIX, morrer não parecia uma idéia assim tão terrível.

Os sábios, sempre os sábios, são os arquitetos da razão e também da insensatez. Suas idéias embora muitas vezes brilhantes e úteis para o alargamento de nossa compreensão sobre o mundo e das coisas, podem quando não alinhadas com a verdade, conduzir os indivíduos para mais distante de Deus e sua Palavra. A verdadeira sabedoria não questiona os atos de Deus; tampouco culpa a Deus por todas as desgraças do planeta. Quem se insurge contra Deus e adota uma postura intransigente e insubordinada, não pode ser considerado um sábio, porque a verdadeira sabedoria como nos diz o apóstolo Tiago, nunca mentirá ou se oporá aos propósitos de Deus e a sua verdade. Vejamos o que nos diz Tiago:

[...] “não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica” (Tg 3.14b, 15).

A incompreensão da vontade Deus, a obstinação em não se aceitar sua orientação e o descrédito à palavra podem levar os homens a ter atitudes contrárias aos desígnios divinos. Mas existem outros fatores externos que também podem contribuir para que os homens se insurjam contra os céus. O Catolicismo Romano, por exemplo, com as suas atitudes equivocadas, com as suas bulas de excomunhão, com os seus dogmas absurdos e a sua horrenda inquisição prestaram um grande serviço ao inferno e um imenso desserviço aos céus. Quantas almas não foram afastadas da verdade e mergulharam nas mais densas trevas da incredulidade por conta do comportamento leviano e anticristão daquela que arrogava para si a qualidade de única detentora da verdade e dos destinos dos homens. Não é à toa que muitos intelectuais rejeitavam a religião e desdenhavam dos religiosos. Durant (2000, p.317) revela a aversão que Schopenhauer nutria pelos teólogos. Vejamos:

[...] “Na juventude, ele recebera pouca educação religiosa; e seu temperamento não levava a respeitar as organizações eclesiásticas de sua época. Desprezava os teólogos: “Como ultima ratio”, ou último argumento, “dos teólogos, encontramos, em muitas nações, o poste em que são amarrados os condenados a serem queimados vivos”; e descrevia a religião como a “metafísica das massas”. O Cristianismo, por exemplo, é uma profunda filosofia do pessimismo” [...]


O Romanismo, não o Cristianismo era a filosofia do pessimismo. No entanto, como este representava o mesmo, a fé cristã leva sobre si o ônus pelos erros cometidos em nome de uma pretensa igreja e de um suposto vigário de Cristo. O Evangelho que este sistema representava e representa hoje, está longe ser o Evangelho libertador de nosso Senhor Jesus Cristo. Por esta razão dizermos que ele prestou mais um serviço ao Diabo do que a Deus. Daí resulta toda a ojeriza que os intelectuais demonstravam no trato com esta instituição. O comportamento aversivo dos mesmos era uma forma de repulsa ao tratamento dispensado pela “Santa Sé” a todos aqueles que ousassem pensar diferente ou mesmo desafiá-la. Tal incompostura seria um crime suficientemente passível de condenação à fogueira ou à suplícios excruciantes em alguma máquina de tortura medieval. Por isso a alcunha de “filosofia do pessimismo”.

Depois desta momentânea digressão onde pude divagar um pouco do assunto inicial abordado no Salmo 49, retorno ao argumento de que se os homens se tornam incrédulos, assim o fazem por força de sua própria vontade e não por culpa de Deus ou de fatores sobrenaturais envolvidos. Digo isto porque subsídios para a fé não faltam neste mundo. A Bíblia diz que “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1). Tais indícios são incontestáveis aos homens, que não podem dizer que Deus não deixou uma revelação clara de sua própria existência em sua obra criada. A Bíblia de Estudo Dake mostra quatro aspectos apresentados nas Escrituras que confirmam a realidade da existência do Eterno Criador. São eles:


1.Os céus declaram a glória de Deus. Heb. Saphar, narrar, contar, computar, enumerar, registrar como um escritor ( Sl 19.1; 75.1; Jó 12.8).

2.O firmamento anuncia a obra das suas mãos. Heb. Nagad, posicionar-se à frente, ficar exposto de forma corajosa, manifestar (Sl 19.1; 111.6; Mq 6.8).

3.Um dia faz declaração a outro dia.. Heb. Naba, derramar, jorrar, falar com arroubo. (Sl 19.2; 78.2; 145.7).

4.Uma noite mostra sabedoria. Heb. Chavah, declarar, mostrar, indicar. ((Sl 19.2; jó 15.17; 32.6,10, 17; 36.2).


Satanás pode até lançar duvidas no coração do homem no tocante a existência do Eterno ou acerca de sua fidelidade e cuidado para conosco, mas cabe ao homem resistir à influência persuasiva do mal dando lugar à verdade divina em seu íntimo. Os sofismas e os enganos do maligno não podem resistir à Palavra de Deus e, nem tampouco, à ação do Espírito Santo.

Muitos filósofos se afastaram da verdade de Deus porque, na verdade, nunca a buscaram. Como bem disse Paulo: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1.22). Existe uma diferença abismal em se desejar a verdade e permitir que a verdade entre no coração. Muitos homens desejam a verdade, mas poucos de fato permitem que ela adentre em seus corações. Pode-se viver na proximidade da verdade, sem jamais tê-la experimentado. Porque quando a verdade entra no intimo, ela produz a liberdade. Liberdade que se dá pelo reconhecimento dos efeitos da obra de Cristo sobre a vida. Por esta razão Jesus disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).

Agora vejamos uma coisa, no século XIX os homens estavam frustrados com os seus ideais de liberdade que haviam sido frustrados e se transformado em utopias, ou seja, coisas irrealizáveis. Por todos os lados o que se via era o retrato desolador da miséria e da destruição perpetrados pelos senhores da guerra de então, neste caso, me refiro a Napoleão Bonaparte e aos ingleses que travaram sangrentas batalhas em território europeu com o custo de muitas vidas, dinheiro e do sacrifício de inocentes. O cenário que se descreve ao término dos conflitos era de hecatombe e desesperança. Durant (2000, p285) descreve o estado calamitoso em que se encontrava a Europa. Vejamos:

[...] “A Europa inteira jazia prostrada. Milhões de homens fortes haviam morrido; milhões de hectares de terra tinham sido negligenciados ou devastados; por toda a parte, no Continente, a vida tinha que recomeçar do zero, para recuperar dolorosa e lentamente o civilizador excedente econômico que havia sido consumido na guerra. Schopenhauer, viajando pela França e pela Áustria em 1804, ficou impressionado com o caos e a sujeira das aldeias, a miserável pobreza dos agricultores, a inquietação e a miséria das cidades. A passagem dos exércitos napoleônicos e anti-napoleônicos havia deixado cicatrizes de devastação no rosto de todos os países. Moscou estava em cinzas. Na Inglaterra, orgulhosa vitoriosa na luta, os agricultores estavam arruinados pela queda no preço do trigo; e os trabalhadores industriais experimentavam todos os horrores do nascente e descontrolado sistema fabril. A desmobilização aumentava o desemprego” [...].

O quadro pintado por Schopenhauer sobre a Europa e o seu lastimável estado de penúria e degradação de todos os tipos, forjou na alma do incrédulo filosofo uma placa de resistência e de rejeição à religião. Como se fiar nos alicerces da fé se o que se via depunha contra toda lógica cristã de amor e generosidade divinas. Como sempre a pergunta que se levantava era: Onde está a Providência Divina quando mais precisamos dela. Segundo Durant (2000, p. 286,287), a condição de desgraça e de horror deixados como espólio da guerra contribuíram ainda mais para a onda de ceticismo e pessimismo. Vejamos:

[...] “E, na verdade, era bem difícil acreditar que um planeta tão lamentável quanto aquele que os homens viam em 1818 estivesse seguro na mão de um Deus inteligente e benévolo. Mefistófeles havia triunfado, e todos os Faustos estavam desesperados.” [...]. [...] “Raramente o problema do mal fora lançado tão viva e insistentemente em rosto da Filosofia e da Religião. Cada túmulo militar, de Bolougne a Moscou e às Pirâmides erguia uma interrogação muda às estrelas indiferentes. Por quanto tempo, ó Deus e por que?” [...].

No entanto, o que para uns serviu como motivo para negar a fé e a existência de Deus, para outros foi o caminho de retorno à crença e à sanidade. As tragédias e as desgraças neste caso, foram os meios utilizados pela soberana sabedoria para fazer com que os homens refletissem sobre o seu estado de afastamento e obstinação e se arrependessem. Os juízos sempre tem este fim pedagógico, reconduzir à luz os que haviam sido enredados pelas densas trevas da incredulidade. Foi isso que o quadro de desolação do século XIX propiciou à algumas mentalidades. Durant (2000, pg.287), novamente nos esclarece:


[...] “Seria aquela calamidade quase universal a vingança de um Deus Justo sobre a Era da Razão e a falta de fé? Seria um brado para que o intelecto penitente se curvasse diante das antiqüíssimas virtudes da fé, esperança e caridade? Assim pensava Schlegel e pensavam Novalis, chateaubriand, De Musset, Southey, Wordsworth e Gogol; e eles voltaram para a antiga fé como filhos pródigos perdidos, felizes por estarem novamente em casa” [...].

A Bíblia, como já dissemos, revela que os julgamentos ou juízos vem da parte de Deus ( Dt 32.39;Jó 12.23; Am 3.6;Mq 6.9), e tem sempre a finalidade única de conduzir os homens ao arrependimento de suas más obras.Os homens muitas vezes tem que experimentar a vara da correção divina para andarem segundo a verdade. Para tanto, o Senhor tem as suas formas de trabalhar. Vejamos o que as Escrituras falam sobre Julgamentos.

1. Eles são de diferentes espécies. Vejamos os exemplos retirados da Bíblia:

Apagar o nome (Dt 29.20); Abandonado por Deus (Os 4.17);Maldição contra as bênçãos humanas ( Ml.2.2); Pestilência ( Dt 28.21,22; Am4.10); Inimigos ( 2Sm 24.13); Fome( Dt 28.38-40; Am 4.7-9); Fome de ouvir a Palavra (Am 8.11); Espada ( Êx 22.24; Jr 19.7); Cativeiro ( Dt 28.41; Ez 39.23); Tristezas continuas ( Sl 32.10; 78.32,33; Ez 24.23); Desolação ( Ez 33.29; Jl 3.19); Destruição ( Jó 31.3; Sl 34.16; Pv 2.22; Is 11.4).

2. Eles são infligidos contra:

Nações (Gn 15.14; Jr 51.20,21); Indivíduos ( Dt 29.20; Jr 23.34); Deuses Falsos( Êx 12.12; Nm 33.4); Posteridade dos pecadores ( Êx 20.5; Sl 37.28; Lm 5.7); Todos os adversários dos santos ( Jr 30.16); Enviados para correção ( Jó 37.13; Jr 30.11); Enviados para o livramento dos santos ( Êx 6.6).


3. São enviados como castigo contra:

Desobediência a Deus (Lv 26. 14-16; 2 Co 7.19,20); Desprezar as advertências de Deus ( 2 Cr 36.16; Pv 1.24-31; Jr 44.4-6); Murmurar contra Deus ( Nm 14.29); Idolatria ( 2 Reis 22.17; Jr 16.18); Iniqüidade ( Is 26.21; Ez 24.13,14); Perseguir ao santos ( Dt 32.43); Pecados dos governantes ( 1 Cr 21.2,12);


5.Devem conduzir:

À humilhação ( Js 7.6; 2 Cr 12.6; Lm 3.1-20; Jl 1.13; Jo 3.5,6); À oração ( 2 Cr 20.9); À Contrição ( Ne 1.4; Et 4.3; Is 22.12; Ao aprendizado da retidão ( Is 26.9); Devem ser um aviso aos outros ( Lc 13.3,5).


Como já dissemos anteriormente, Deus se vale das formas mais insólitas para demover os homens do erro em que estão e, com isso, tentar salva-los do inferno. No entanto, sempre existirão aqueles que a despeito de todas as circunstâncias ou avisos, permanecerão em sua obstinação e loucura. Durant (2000, pág. 287) nos alguns exemplos desses comportamentos.


[...] “Mas houve outros que deram uma resposta mais dura: que o caos da Europa não fazia mais do que refletir o caos do universo; que, afinal de contas, não havia uma ordem divina, nem qualquer esperança celestial; que Deus, se houvesse, era cego, e o mal mediava com rancor sobre a face da Terra. O mesmo faziam Byron, Heine, Lermontof, Leopardi e Schopenhauer” [...].


O salmista sobre estes assevera: “Disseram os néscios no seu coração: não há Deus. Têm-se corrompido, fazem abomináveis as suas obras, não há ninguém que faça o bem” (Sl 14.1). As Escrituras demonstram, com efeito, que a incredulidade procede de um mau coração. Na carta Aos Hebreus encontramos a seguinte admoestação: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus Vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (Hb 3.12,13). Jesus ao perceber a incredulidade do coração dos discípulos censura-lhes duramente e lhes chama de néscios e corações tardios. Veja: “E, ele lhes disse: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram” ( Lc 24.25). O apóstolo Paulo em sua Segunda Epístola aos Coríntios fala acerca de uma cegueira mental imposta pelo Diabo e, por esta razão, os homens não recebem o Evangelho em seus corações. Ele escreve: “Mas, se ainda o nosso Evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( II Co 4.4).



Soli Deo Gloria!