terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

Por Geovani F. dos Santos


Na manhã em que acordamos existem mil encantos escondidos esperando-nos como um abraço divino. Quando os primeiros raios de sol dardejam a janela e iluminam o quarto somos levados a um êxtase contemplativo cercado por sensações e encantamentos ímpares. Num pequeno instante transportamo-nos em nossa imaginação e, num dado momento, sacamos reminiscências antigas do baú da memória guardadas em algum recôndito secreto de nosso ser. Uma a uma estas memórias se tornam nítidas, como se estivéssemos diante da própria realidade que nos saúda com detalhes magníficos de um tempo remoto de nossas vidas. Creio que todo o ser humano tem estes “insights” ligeiros como flashes de uma máquina fotográfica que lançam luz sobre o passado e nos permitem revisitar os nossos museus particulares da alma.

Em um destes flashes posso ver-me ainda criança correndo pela rua livremente e em pleno vigor da infância, experimentando todas as sensações possíveis daquele momento singular da vida. Recordo-me da goiabeira em que subíamos em busca de goiabas suculentas, das correrias no quintal e dos muitos colegas que se uniam a nós naqueles instantes de folguedo pueril. Lembro-me dos pés de “canema”, uma certa planta com frutos pretos que usávamos como chamariz para capturarmos alguns passarinhos com a esparrela. Naquela época a beira da lagoa era cheia destes arbustos e os pássaros atraídos pelos seus frutos infestavam aquele nicho particular.

Nós éramos experts na confecção de arapucas, esparrelas e ratoeiras que eram usadas para diferentes finalidades de captura. As esparrelas e as arapucas eram usadas para prendermos os pássaros –  bem-te-vis, rolinhas, anus e sanhaços.  Já as ratoeiras eram confeccionadas com latas de óleo quadradas, muito comuns nos anos 80, ou mesmo com latas de tinta e eram usadas para pegar guaiamuns. Nós cortávamos a parte de cima da lata, cortávamos um pedaço de madeira do tamanho da parte cortada para que servisse de tampa, fixávamos a tampa com arames amarrados em sua lateral e pregávamos nesta tampa de madeira um pequeno cabo de modo que pudéssemos fazer o movimento de abrir e fechar para cima e para baixo. Para dar pressão e impedir que o bicho saísse da lata era usada uma liga de elástico de câmara de ar de bicicleta.


Na parte superior da lata em sua traseira, fazíamos um pequeno orifício onde era introduzido um pequeno arame com duas pequenas pontas dobradas uma na parte de cima e outra na parte de baixo. A parte de cima segurava o cabo, impedindo que ele se dobrasse e fechasse a ratoeira. A parte de baixo ficava no interior dela e era onde prendíamos uma banda de limão. O guaiamu era atraído pelo cheiro do limão galego, entrava dentro da lata e quando puxava o limão com as suas puãs soltava o aramezinho que prendia o cabo, fechando a tampa e confinando-o dentro da armadilha. Depois de capturados os guaiamuns, tínhamos duas opções. Ou os comíamos ou os deixávamos dentro de uma caixa alimentando-os com restos de comida para que ficassem cevados. Na verdade, tudo era uma grande diversão. E, nós, gostávamos muito de tudo aquilo. Era o nosso mundo particular. Daria tudo para voltar aquele momento e reviver tudo de novo.  Pena que isso é impossível.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

MANTENDO A ESPERANÇA



Por Geovani F. dos Santos



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Manter a esperança a despeito das circunstâncias
adversas que nos rodeiam. 
Até que o Senhor volte precisamos manter a esperança em suas promessas infalíveis. A postura do cristão genuíno é confiar integralmente e incondicionalmente na Palavra sem titubear ou resvalar em seu propósito de plena confiança em Deus. Sabemos pelas Escrituras que “a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Romanos 5.5). Ora, se temos tal perspectiva apresentada e corroborada pela Palavra dos apóstolos, que falaram inspirados pelo Espírito, por que então vivermos hesitantes?


A fé nas verdades divinas deve prevalecer sobre toda a dúvida ou incredulidade que, porventura, queira nos assaltar. Muitas vezes, diante de adversidades ou mesmo ante uma aparente “demora” de Deus, podemos ser tentados pelo Diabo a descrer da providência divina. Na verdade, ele se regozija com isso. Todavia, o cristão consciente de sua vocação não permitirá que estes golpes satânicos lhe causem algum dano espiritual, pois se revestirá da Armadura de Deus (Efésios 6.11-18), para combater o combate e, por fim, permanecer inabalável.


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Ainda que só vejamos adversidades a fé
precisa continuar fundada
 na providência divina.
Ainda que sejamos tentados, e com toda a certeza o seremos, não seremos deslocados do nosso alvo, haja vista que, guarnecidos pelas armas espirituais estaremos de prontidão para resistir o Diabo (Tiago 4.7), e vê-lo fugir de nós apressadamente da mesma forma como pressurosamente deixou a presença de Jesus após ser derrotado no deserto (Mateus 4. 1-11; Marcos 1.12,13; Lucas 4. 1-13).  Lembremo-nos de que toda a tentação a qual nos sobrevém é humana e, Deus, não permitirá que sejamos tentados acima de nossas capacidades (1 Coríntios 10.13).


Por esta razão, redobremos a vigilância. Oremos e apresentemos a Deus todas as nossas inquietações, pois a seu tempo Deus nos dará resposta e nos socorrerá de qualquer situação em que nos encontramos. As respostas de Deus são fiéis e são embasadas em seu caráter de justiça e misericórdia. Permaneçamos, pois, nele fundados e firmados (Colossenses 1.23), porque “quando Ele se manifestar nós nos manifestaremos com Ele em glória ( Colossenses 4.4).

    

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O CÉU PODE SER SEU




Por Geovani F. dos Santos



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Hoje pela manhã, enquanto caminhava pela rua próximo à minha casa, passei por uma senhora que empurrava um carrinho de bebê e era acompanhada por uma garotinha falante, que, naquele momento olhava para o céu. A mãe conversava com a menina e, em dado momento, também olhou para a abóbada celeste admirando-a por sua beleza. Na verdade, o dia estava esplêndido e radioso, um verdadeiro céu de brigadeiro!  Em um breve instante, a criança, talvez encantada pela visão telúrica que estava diante dela, exclamou: “O céu é meu! ”


Aquelas palavras aparentemente inocentes da criança extasiada pela magnitude dos céus e proferidas de forma pueril me fizeram refletir sobre algumas verdades que revolutearam em minha mente naquele momento estanque. A primeira coisa que me veio a memória foi o hino 346 da Harpa Cristã   intitulado “É meu o Céu” que diz:


Que alegria agora, é meu o céu,
Pois Jesus rasgou o sagrado véu;
A condenação não mais temerei,
E meu Redentor sempre louvarei.
Lá no céu eu descansarei
Com Jesus, o nosso Rei;
Vem a Deus, ó pecador,
Pois no céu te espera com amor.


Este hino clássico da Harpa Cristã encerra todo o significado da fala daquela criança, pois aponta para o fato de que o céu é um lugar real, que pode ser meu e teu se confiarmos na obra redentora de Jesus na cruz do Calvário e, se, de todo coração, aceitarmos a “Palavra da Cruz” como único caminho para o arrependimento e, por conseguinte, para a vida eterna. Paulo declarou:


“Mas o que ela diz? “A palavra está bem próxima de ti, na tua boca e no teu coração”, ou seja, a palavra da fé que estamos pregando:Se, com tua boca, confessares que Jesus é Senhor, e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo! Porque com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Romanos 10.8-10).


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Paulo, neste trecho deixa bem clarificado que crer na obra redentora de Cristo é a única salvaguarda para sermos de fato libertos do pecado e, em decorrência disso, nos tornarmos aptos pela Graça, através dos méritos sacrificiais de Cristo, a entrar nos céus. O céu só será nosso se assim o fizermos, caso contrário estaremos para sempre banidos do mesmo. Portanto, é necessário que creia como uma criança com toda a simplicidade e deixemos de lado todos os preconceitos e pressuposições errôneas que porventura estejam obstruindo a nossa crença. Isso pode parecer um despropósito ou mesmo um desatino, mas é a única forma que a Bíblia nos apresenta. Jesus disse:


“Com toda a certeza vos afirmo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus. Portanto, todo aquele que se tornar humilde, como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus” (Mateus 18. 3,4).


William Barclay em seu comentário Bíblico de Mateus fala sobre três características distintivas que convertem as crianças em símbolos dos cidadãos que herdarão os céus. Vejamos:


(1) Primeiro e sobretudo, está a qualidade que é a chave de toda a passagem: sua humildade. O menino não sente vontade de fazer-se notar; antes quer desaparecer no anonimato. Não procura a preeminência, prefere permanecer na escuridão. Só abandona sua modéstia instintiva quando cresce e começa a penetrar no mundo competitivo, com sua luta feroz pelas recompensas e os postos importantes.

(2) temos a dependência do menino. Para o menino, o estado de dependência é um estado perfeitamente natural. Nunca pensa que deve enfrentar a vida sozinho e em seu próprio benefício. Sente-se muito satisfeito em sua dependência absoluta daqueles que o querem e se preocupam com ele. Se os homens aceitassem o fato de sua dependência de Deus sua vida se veria enriquecida por um novo poder e uma nova paz.

(3) vemos a confiança do menino. O menino é instintivamente dependente, e na mesma forma confia em que seus pais satisfarão suas necessidades. Quando somos meninos não podemos comprar nossa própria comida ou manter nosso lar, ou comprar a roupa; mas jamais duvidamos de que seremos alimentados e vestidos, de que sempre teremos refúgio, calor e conforto quando voltarmos para casa. Quando somos meninos empreendemos uma viagem sem nos passar pela cabeça pagar a passagem e sem ter ideia a respeito de como chegar à meta, mas jamais imaginamos duvidar de que nossos pais nos farão chegar aonde queremos.


Humildade e dependência são virtudes imprescindíveis que devem ser encontradas naqueles que aspiram os céus. As crianças em si trazem estas virtudes e, portanto, são postas como um padrão modelar para todos os que desejam viver uma vida cristã que de fato valha à pena. Sejamos como elas e o céu também será nosso.

  




sábado, 21 de janeiro de 2017

A CONFIANÇA EM DEUS



Por Geovani F. dos Santos




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A fé de Abraão em Deus é um exemplo
poderoso a ser imitado
por todos os crentes. 
O que os homens devem fazer de modo correto é confiar na providência divina de forma incondicional e perseverante. Crer é antecipar-se à convicção de que a espera e confiança colocadas em Deus terão respostas reais em um dado momento segundo a vontade e o tempo do Senhor. Esperar em Deus deve nos conceder mais fé em suas promessas, bem como uma atitude de paciência e descanso n’Aquele que jamais nos deixará frustrados. O apóstolo Paulo sabia muito bem quem era esse Deus e com toda a certeza que somente a fé propicia declamava: “porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia” (2 Timóteo 1:12).


A fé não é virtude de privilegiados ou de homens ilustres, mas de todo homem ou mulher que ousar confiar no Deus invisível e crer que ele pode fazer de toda a impossibilidade o palco para que o seu nome seja glorificado através do milagre. Em hebreus 11.6 está escrito: Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam”.   Este versículo aponta para a necessária necessidade de se crer na existência do Eterno se se deseja obter alguma ação providencial de suas mãos. Qualquer ato de incredulidade deliberada ou intransigência ao ato de crer pode inviabilizar toda a resposta de Deus, haja vista que o Senhor só atua por meio de nossa fé. Na verdade, quando duvidamos ou descremos do Senhor estamos achando que o mesmo é incapaz ou incompetente para nos dar uma resposta. Tal comportamento é inaceitável e incompatível com alguém que de fato conheça quem é o seu Deus.


A Bíblia de Estudo Pentecostal afirma que o versículo 6 supracitado “descreve as convicções integrantes da fé salvíficas. Que são: (1) Devemos crer na existência de um Deus pessoal, infinito e santo, que cuida de nós. (2) Devemos crer que Ele nos galardoará quando o buscarmos com sinceridade, sabendo que o nosso maior galardão é a alegria e a presença do próprio Deus. Ele é nosso escudo e a nossa grande recompensa (Gn 15.1; Dt 4.29; Mt 7.7,8; Jo 14 21). (3) Devemos buscar a Deus com diligência e desejar ansiosamente a sua presença e graça.


Os deveres citados acima são imprescindíveis à vida dos crentes e condição inalienável para todo aquele que anseia por um relacionamento mais profundo com o seu Criador. Se levados à sério e aplicados a vida cristã, constituir-se-ão em rica fonte de bençãos, experiências e crescimento espiritual. A Bíblia de Estudo Devocional traz o seguinte comentário:

“ Crer que Deus existe é só o início; até os demônios creem (Tg 2.19,20). Deus não se conformará com o mero reconhecimento de sua existência. Ele quer um relacionamento pessoal e dinâmico com você, que transformará a sua vida. Aqueles que buscam Deus observarão que são recompensados com a intimidade de sua presença. Certamente, este é um dos grandes desafios da igreja hodierna, ou seja, voltar à fé dos antigos heróis da Bíblia. O pastor Daniel Aguiar em seu Blog  Levando a Boa Semente”, declara: 


"Falar sobre fé no mundo atual é um grande desafio. Lamentavelmente até mesmo dentro da própria igreja podemos, claramente, evidenciar a escassez dessa virtude que nos liga ao céu”.



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Os homens de Deus do passado foram marcados
por uma vida de fé que ia até às
últimas consequências por amor ao
Senhor.
Urge, portanto, diante desta constatação voltarmos à fé magnânima de Abraão, Isaque e Jacó, à convicção inabalável de Moisés, “que permaneceu firme como que vendo o invisível (Hb 11. 27), e aos extraordinários exemplos apresentados nas páginas sagradas de homens e mulheres que são eternizado na galeria dos heróis da fé. Vejamos:


"Pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.  As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa. Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados (Hebreus 11. 33-40).  


Referências:

Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
AGUIAR,Daniel. Fé, uma necessidade dos nossos dias. Disponível em: <http://pastordanielaguiar.blogspot.com.br/2017/01/fe-uma-necessidade-de-nossos-dias.html > Acesso em 21 de jan. 2017

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

OS HOMENS E A ETERNIDADE



Por Geovani F. dos Santos


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Barqueiro que na Mitologia grega levava
os homens ao Hades (Inferno)
Estarei pronto quando ele voltar ou me chamar para a eternidade? Sem dúvida todos nós deveríamos estar preparados para responder a esta tão importante pergunta. Todavia, o que se percebe é que muitas pessoas, mesmo muitas delas que se dizem cristãs, não estão aptas para dar uma resposta razoável a esta indagação, porque simplesmente não estão se importando ou nunca pararam para ponderar sobre o porvir e a brevidade da vida. Não importa quem sejamos ou o que temos neste mundo, um dia haveremos de deixá-lo e é, portanto, neste momento, que se passa a enxergar a verdade nua e crua que a Bíblia apresenta como salvação ou perdição eternas.  Um certo hino intitulado “O Juízo Final” traz a seguinte e incisiva declaração:



“O homem pode ser famoso no mundo inteiro,
ter grandes amigos e muito dinheiro,
mas quando morrer nada pode levar.
A multidão o levará até o cemitério,
mas daí pra frente o caso é mais sério,
Não terá ninguém para o acompanhar”



Estas frases na estrofe da música revelam o óbvio da finitude da vida e o caminho que todos nós faremos a nossa eterna morada. Contudo, embora muitos pensem que esta jornada será apenas para uma tumba fria ou para uma gaveta esquecida de um cemitério qualquer após a cessação da vida física, a Bíblia nos mostra exatamente o contrário. Existirá vida após a morte e não um estado de inanimação ou um mergulhar no nada como o pretendem os ateus ou céticos de plantão para os quais somente existe o aqui e agora e nada mais. 

 Em Hebreus 9.27 está escrito: “E como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois o juízo. É importante atentar que o texto declara que depois da morte virá “juízo”, isto é, a sentença final. Se a pessoa em questão ao morrer não sofresse nenhuma sanção devido aos seus pecados cometidos no corpo ou mergulhasse num estado de completa inconsciência ou inexistência, então porque haveria a necessidade de julgamento ou punição, uma vez que a pessoa não saberia da razão de sua sentença. Obviamente, partindo da premissa bíblica, se haverá um juízo de obras como a Bíblia declara, certamente a pessoa deverá estar em sã consciência para receber o seu veredicto quando o sumo-juiz se pôr a julgar todos os vivos e mortos por ocasião de sua vinda.



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A Ressurreição corpórea de Cristo é a nossa
certeza de justificação e vitória sobre
a morte. 
O versículo acima de Hebreus, coloca em evidência a ideia do castigo; mas, por outro lado nos apresenta a clara realidade de existir vida após a morte e, sobretudo, a ressurreição. Portanto, a mensagem   aqui apresentada aponta para uma clara esperança que deve ser expectada por todo aquele que crê e que antagoniza com o discurso dos que não veem senão este mundo. De acordo com Barclay, o mundo grego, fonte de inspiração dos céticos, via a morte como o fim da existência terrena e, por conseguinte da extinção de todos os sentidos. Na literatura grega e nos seus grandes expoentes filosóficos se pode constatar esta alusão. “Uma vez que a terra bebe o sangue do homem, morre de uma vez para sempre e não há ressurreição."    Asseverou Esquilo. "Não pode ser que o morto vá à luz. Porque a única perda é esta: que nunca o mortal volta a provar de novo; jamais a vida do homem apesar da riqueza pode ser ganha de novo. Declarou Euripedes. Na Obra de Homero encontramos Aquiles dizer ao chegar ao mundo das sombras: "Prefiro viver sobre a Terra como um assalariado, como um homem sem terra, de escassos meios de vida, que tendo domínio sobre todos os mortos que não existem mais."


Todas essas frases encontradas na literatura grega apontam para uma realidade melancólica de cessação física quando se morre. Estes homens estavam mergulhados no pessimismo e na incredulidade, não conheciam a Jesus e tampouco a esperança cristã da vida eterna. Quanta melancolia! Como o próprio Barclay declara em seu Comentário do Novo Testamento, o que se depreende do discurso dos pagãos do mundo greco-romano é um dolorido e definitivo adeus!  O comentarista corrobora o seu argumento citando um epitáfio grego encontrado em uma tumba do passado que diz:


"Adeus, tumba de Melite! Aqui jaz a melhor das mulheres, que amou a seu amante marido Onésimo; você foi a mais excelente, por isso ele sente saudades depois de sua morte; porque foi a melhor das esposas. Adeus também a você, mui querido esposo, somente ama a meus filhos."

ANIMAIS BÍBLICOS: DE HIENAS A HIPOPÓTAMOS

Rabbi Dr. Natan Slifkin *



Se você fosse convidado a nomear um livro que faz menção de leões, guepardos, crocodilos, hipopótamos e hienas, talvez os seus pensamentos fossem levados a Tarzan ou algum outro conto exótico. Ursos, chacais, macacos e panteras são o domínio do Livro das Selvas. Contudo estes animais também são encontrados na Bíblia.

No primeiro plano se pode ver uma chita listrada e uma hiena.
Ao fundo se vê um leão em exposição no Museu de História
Natural em Beit Shemesh, Israel. Photo: Cortesia de

Natan Slifkin.
Existem por volta de uma centena de diferentes tipos de mamíferos, pássaros, répteis, anfíbios, peixes e invertebrados mencionados na Bíblia. É difícil dar um número preciso porque existem várias palavras que podem ser sinônimos para a mesma criatura, ou o vocábulo usado pelos autores bíblicos não está inteiramente claro se eles estão mesmo se referindo a animais.


Uma vez que o cenário da Bíblia é a Terra Prometida e seu meio-ambiente, os animais descritos nas Escrituras são aqueles que eram nativos da região em questão. Assim, não existem menções à pandas, pinguins ou ursos polares na Bíblia. Todavia existem algumas exceções, a saber, macacos e pavões indianos aparecem na Bíblia. A razão para isso é porque eles foram trazidos como presentes para adornar o Palácio de Salomão (1 Reis 10.22). Existe ainda uma possível referência à girafa (Deuteronômio 14.5), a qual da mesma forma, teria sido exportada desde a África em navio como presente. Fora estas exceções, os animais da Bíblia são os da região de Israel.

Não se pode ler um livro moderno sobre a fauna de Israel para se ganhar entendimento da vida selvagem bíblica, pois existem inúmeras espécies que vivem no moderno Israel que não são nativas da região e, portanto, não viveram nos tempos bíblicos. Estas espécies não aparecem na Bíblia. Pássaros Mynah, nútria (roedores como castor) e o rato marrom ubiquitous são abundantes em Israel hoje, mas não viveram lá durante épocas bíblicas.

Um ibex adulto com o seu filhote no Museu
de História Natural. Photo: Cortesia de
Natan Slifkin.
Por outro lado, existem muitas outras espécies mencionadas na Bíblia que viveram em terras bíblicas, mas posteriormente desapareceram da área. Estes incluem hipopótamo (Jó 40. 15-25), crocodilos (Ezequiel 29.3-6), Antílope (Deuteronômio 14: 4), chitas (Habacuque 1: 8), ursos (2 Reis 2:24) e leões ( mencionados  mais de 150 vezes. Alguns outros animais foram criados em cativeiro e foram posteriormente liberados para o meio selvagem, como avestruzes (Lamentações 4: 3), veados mesopotâmicos (Gênesis 49:21) e o magnífico antílope órix (Deuteronômio 14: 5).

Porque a Terra de Israel faz a ponte entre a Europa, África e Ásia, foi o lar de uma combinação única de animais. Era a parte mais setentrional da escala de muitos animais africanos, tais como crocodilos e hipopótamos. Era a parte do sudeste da escala de muitos animais europeus, tais como cervos de Fallow e lobos; E era a parte mais ocidental da escala de muitos animais asiáticos, tais como o chita asiático. Além disso, devido à sua localização no lado oriental do Mediterrâneo, é parte da rota de migração para inúmeras aves passando entre a Europa e a África.Assim, a combinação de animais encontrados na Bíblia é uma combinação única que não seria encontrada em qualquer outro lugar do mundo.

Desde que as espécies particulares são limitadas a determinadas regiões do mundo, historicamente as pessoas que não viveram nas terras bíblicas não estavam familiarizadas com os animais da Bíblia. Consequentemente, eles transpuseram os nomes dos animais bíblicos para seus equivalentes locais. Assim, o zvi da Bíblia (Provérbios 6. 5) é a gazela, mas na Europa, onde não havia gazelas, o nome zvi foi transferido para o veado. O shu'al, uma espécie de que Sansão capturou 300 e amarraram marcas de fogo em suas caudas (Juízes 15. 4), foi identificado na Europa como uma raposa, levando os críticos bíblicos como Voltaire a zombar da noção de que seria possível Para encontrar 300 membros de um solitário solitário como a raposa. No entanto, como outros versos indicam, o shu'al da Escritura é realmente o chacal (ver Salmos 63.11), um parente da raposa que se reúne em grandes embalagens. No entanto, porque não há chacais na Europa, as pessoas ali transportam o nome shu'al para a raposa.

No Museu Bíblico de História Natural em Israel, a complexa zoogeografia da Bíblia é fascinantemente refletida nas reações dos visitantes aos animais em exibição. Os visitantes americanos estão familiarizados com ursos e lobos, mas eles tendem a confundir o crocodilo com o jacaré. Os visitantes europeus estão familiarizados com o cervo, mas muitas vezes são confundidos com o mangusto. Os visitantes sul-africanos estão muito familiarizados com muitos dos animais em exposição, incluindo o hyrax (o coelho das rochas bíblico ou "rock texger" do Salmo 104:18, um animal que confunde pessoas da Europa e América, mas que é bem conhecido aqueles que foram a Cidade do Cabo), mas eles nunca viram ursos ou lobos. E enquanto todos estão familiarizados com o leão, chita e hipopótamo, é um choque perceber que essas criaturas costumavam vagar selvagens na Terra Prometida - numa época em que o país estava muito mais densamente coberto de florestas e pântanos. Talvez a Bíblia possa de fato ser chamada de Livro da Selva.




* O rabino Dr. Natan Slifkin é o diretor do museu 
bíblico da história natural em Beit Shemesh, Israel (www.biblicalnaturalhistory.org). Ele também é o autor de numerosos livros sobre religião e ciências naturais, incluindo a Enciclopédia da Torá do Reino Animal (2015).




Extraído da Revista de Arqueologia Biblica (Archaeology Biblical Review).
Tradução: Geovani F. dos Santos


sábado, 24 de dezembro de 2016

NATAL, UM MOMENTO DE REFLEXÃO



Por Geovani F. dos Santos


“E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5.2).

“Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia” (Mateus 1.1). 


Deparamo-nos como mais uma véspera de Natal que o Senhor nos concede com vida e saúde e, sobretudo, estando na sua presença divinal. À medida em que os tempos escorrem para o vácuo da memória e se tornam parte do panteão da história de nossas vidas neste mundo, somos forçosamente levados a refletir sobre a trajetória de nossas existências fazendo em um dado momento um retrospecto do passado, tendo em vista firmar os nossos passos no presente e, por conseguinte, prepararmo-nos para o futuro com fé e esperança no Cristo que vive e em breve virá para restaurar este mundo agonizante.

Neste momento de reflexão em que revisitamos nossas reminiscências, obviamente, como num lapso ou átimo de segundo nos vem à recordação os entes queridos e os caros amigos que estiveram junto à nós em outros natais, mas que não estão mais conosco. Partiram para a eternidade deixando saudades indeléveis na tábua de nossos corações.


Nos instantes de nostalgia uma lágrima ou outra pode brotar em nossos olhos, mas, ao mesmo tempo, recebemos as consolações do Espírito Santo, alentando-nos e nos dando novas expectativas em Deus e em seu cuidado paternal para com todos os seus filhos queridos.  Lembramo-nos então de que no mundo somos peregrinos e que um dia estaremos com o Senhor. O Natal, portanto, se reveste de um momento de renovação de aliança, onde podemos reiterar nossos votos de lealdade a Jesus e permanecermos inabaláveis com os olhos fitos em suas promessas infalíveis.


E é este o verdadeiro sentido do Natal cristão, levar-nos a viver em despojamento dos padrões impostos por este mundo insano e mergulhado em guerras, matanças e ódios desenfreados. Diante do exposto me vem à mente as palavras do apóstolo Paulo, que diz: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação das vossas mentes” (Romanos 12.2). Somente com mentes transformadas pelo Espírito Santo poderemos viver renovados no espírito do nosso entendimento (Efésios 4.23) e, desta forma, vivermos no mundo fazendo toda a diferença. Que possamos interiorizar a mensagem do Rei dos reis, “cujas origens são desde antigos, desde os dias da eternidade” (Miqueias 5.2) e, portanto, em fazendo isso vivermos em seu amor e bondade, sempre embalados em ternos afetos de misericórdia uns para com os outros. UM FELIZ NATAL A TODOS!