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domingo, 1 de novembro de 2015

AVIÃO: AUTORIDADES REBATEM VERSÃO DO EI


Cairo e Moscou rejeitam alegação do grupo de ter derrubado voo russo no Egito, com morte de 224 pessoas


                   



CAIRO- Com familiares ainda em choque pela queda não esclarecida de um avião russo com 224 passageiros e tripulantes na Península do Sinai, autoridades da Rússia e do Egito se dividem entre o luto e a cautela na investigação do já considerado maior acidente aéreo na história da aviação russa. O braço egípcio do Estado Islâmico afirma ter abatido a aeronave da companha Kogalymavia, conhecida como Metrojet. A versão, porém, é contestada por autoridades egípcias e russas — que trabalham com a hipótese de falha técnica — e por especialistas, que duvidam que os jihadistas tenham armamento capaz de abater a aeronave em voo.

O Airbus 321, com 18 anos de atividade, perdeu contato com os radares 23 minutos depois de deixar o balneário de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, com destino a São Petersburgo. Sobrevoava uma região montanhosa da Península do Sinai, lotado com turistas russos — entre eles, 17 crianças — quando, por volta de 6h30m, hora local, perdeu contato com controladores de tráfego aéreo.

O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo acidente em suas contas no Twitter: “Soldados do califado conseguiram abater um avião russo que sobrevoava a Península do Sinai, e todos morreram”. Na rede social, afirmaram ter agido em represália “às dezenas de mortes causadas diariamente pelos bombardeios” dos aviões russos na Síria.

Os destroços foram encontrados na região de Hasana, 70 quilômetros ao sul de El-Arish, onde forças de segurança egípcia combatem a milícia Província do Sinai do Estado Islâmico, ligada ao grupo extremista. Mas a reivindicação de um suposto atentado pelo EI intriga especialistas.

Nunca se registrou que milicianos no Norte do Sinai tenham derrubado aviões comerciais. Os mísseis terra-ar em posse de rebeldes, estima-se, têm alcance máximo de seis mil metros de altitude — o avião da Metrojet voava a pelo menos 9.400 metros. Não se descarta, porém, a possibilidade de que houvesse uma bomba a bordo, ou que o avião tivesse sido atingido por um míssil após perder altitude por alguma falha técnica.

‘FOGO NA TURBINA’

Para o ministro do Transporte russo, Maksim Sokolov, a declaração do EI “não é confiável”.

— Estamos em intenso contato com nossos colegas egípcios e autoridades aéreas do país. No momento, não temos nenhuma informação que confirme essas insinuações — afirmou.

O primeiro-ministro do Egito, Sherif Ismail, afirmou que é impossível determinar a causa do acidente até que as caixas-pretas sejam examinadas, mas disse acreditar que não há atividades “irregulares” por trás do acidente.

— Eles (o EI) podem comunicar o que quiserem, mas não há nenhuma prova de que terroristas tenham sido responsáveis por este desastre. Vamos conhecer as verdadeiras razões quando a Autoridade de Aviação Civil, em coordenação com as autoridades russas, concluírem a investigação — acrescentou o porta-voz do Exército egípcio, Mohamed Samir.

As caixas-pretas da aeronave russa foram recuperadas e serão analisadas por especialistas. Investigadores também buscam pistas na última parada da aeronave para reabastecer combustível, na cidade russa de Samara. Testemunhas citadas pela imprensa egípcia afirmam ter visto uma turbina em chamas no momento da queda.

Já o ministro dos Transportes egípcio, Hossam Kamal, negou relatos anteriores de que o piloto teria informado falhas técnicas.

— A comunicação entre o piloto e a torre de controle aéreo foi normal, sem sinais de problemas. O piloto não pediu para mudar a rota nem fazer pouso de emergência. Tudo estava normal. O avião desapareceu de repente do radar, sem nenhum aviso prévio — disse Kamal em entrevista coletiva transmitida em rede nacional.


Segundo o site Flightradar24, que monitora o tráfego aéreo em todo o mundo, o avião registrou uma descida a uma velocidade de 1.800 metros de queda de altitude por minuto antes de desaparecer do radar.

KLM E LUFTHANSA SUSPENDEM VOOS SOBRE SINAI

A fama da Metrojet entre alguns passageiros aumenta a complexidade da investigação. Nas redes sociais russas, são frequentes reclamações sobre o estado dos aviões — entre elas, relatos de janela remendada com fita adesiva e de um passageiro que embarcou para a Turquia num assento sem cinto de segurança. Em 2011, o tanque de combustível de um avião da empresa explodiu antes de decolar da cidade siberiana de Surgut, causando quatro mortes.

Ontem, a companhia área emitiu uma nota na qual descartou falha humana e elogiou a experiência de seus pilotos. Segundo a Metrojet, a aeronave estava em boas condições. Como precaução, a companhia aérea francesa Air France e a alemã Lufthansa anunciaram a suspensão temporária dos voos sobre a Península do Sinai.

Até o momento, ao menos 129 corpos foram recuperados — a maioria incinerados, muitos ainda com os cintos de segurança colocados — e levados ao Cairo. Segundo as equipes de resgate, o avião foi partido pela metade, e os corpos foram encontrados num raio de cinco quilômetros.

“Todos os passageiros morreram”, confirmou nas redes sociais a embaixada russa no Cairo. Havia a bordo 214 russos e três ucranianos, além de sete tripulantes. As idades dos passageiros variavam entre 10 meses e 77 anos.

O presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi, prestou condolências por telefone a Vladimir Putin. O presidente russo, por sua vez, declarou dia de luto e ordenou assistência imediata às famílias das vítimas, que lotaram o aeroporto de Pulkovo, em São Petersburgo, destino original da aeronave. Putin também pediu a abertura de uma investigação sobre o desastre e enviou o ministro dos Transportes ao Egito.

Nos bastidores, especula-se que possíveis ameaças à aviação civil são de particular interesse da Rússia, que já se viu envolvida em acusações de ligação com os separatistas que derrubaram o avião MH17, da Malaysia Airlines, em julho do ano passado, com 298 passageiros a bordo, no Leste da Ucrânia. Do lado egípcio, o último acidente aéreo registrado aconteceu em 2004, e deixou 148 mortos, a maioria turistas.

Quase três milhões de turistas russos — praticamente um terço dos visitantes totais de 2014 — visitam o Egito por ano, principalmente os complexos hoteleiros do Mar Vermelho.

— Ainda é muito cedo para medir o impacto que o desastre terá no turismo — minimizou o porta-voz do Ministério do Turismo egípcio, Rasha Azazi.



Fonte: O Globo edição 01/11/2015 

sábado, 31 de outubro de 2015

UM DITADOR RESGATADO NAS RUAS

Culto a Stalin em territórios separatistas da Ucrânia ignora opressão do antigo governo

Por Renato Grandelle



ALEXEY FILIPPOV/AFP


O movimento separatista pró-Rússia em partes da Ucrânia ressuscitou uma das figuras mais controversas do século XX. O ditador soviético Josef Stalin é exaltado por autoridades de duas cidades rebeldes, que se autoproclamaram repúblicas e são opositoras do governo de Kiev. O rosto do ex-líder do Kremlin estampa cartazes no Centro de Donetsk (chamada Stalino até os anos 1960). Em Lugansk, também alinhada a Moscou, o órgão de segurança local foi batizado de MGB, a mesma sigla da polícia secreta stalinista. O tirano tornou-se símbolo de um passado glorioso a ser recuperado — a despeito dos conhecidos expurgos e execuções que inviabilizaram qualquer oposição a seu regime.

A trajetória stalinista também é revista em um livro lançado no mês passado pela historiadora Sheila Fitzpatrick, especialista em Rússia moderna. Em “On Stalin’s team” (em tradução livre, “No time de Stalin”), a pesquisadora sustenta que, em seus 31 anos no poder, o líder soviético não se manteve isolado no comando, uma teoria vista até hoje como senso comum. Seu gabinete seria composto por um punhado de homens de confiança, responsáveis por levar as ordens e os desmandos para o mundo comunista.

Segundo a historiadora, a divisão eficaz das tarefas entre as principais famílias do regime evitou arranhões do governo soviético mesmo em seus momentos mais críticos, como a invasão dos alemães no seu território durante a Segunda Guerra Mundial. A cúpula stalinista capitaneou o funcionamento das estruturas burocráticas e inspirou aparelhos de censura e violência. Outra realização significativa foi a instituição do culto à personalidade do ditador. Esta imagem de líder inabalável é hoje revigorada pelos rebeldes pró-Rússia, saudosistas do comunismo e da condição de potência mundial da União Soviética.

Professor do Departamento de História da USP, Angelo Segrillo ressalta que os novos adeptos de Stalin optam por vê-lo apenas por suas vitoriosas políticas econômicas, ignorando o estilo tirânico com que conduziu seu governo.

— Trata-se de um personagem fundamental para o desenvolvimento soviético, o protagonista de uma transformação revolucionária. Um grupo foi retirado à força do poder para ele assumir a liderança — descreve Segrillo, autor do livro “Os russos” (editora Contexto). — Por isso, há tantas interpretações sobre sua figura. Há quem prefira vê-lo como um assassino, enquanto outros o aplaudem pelas políticas que levaram o país da economia rural à fabricação de foguetes.


MOMENTO DE GLÓRIA

Para Virgílio Caixeta Arraes, professor do Departamento de História da UnB, a nova exaltação de Stalin é fruto de uma “memória seletiva”.

— A História tem uso seletivo. As pessoas só lembram do que satisfaz naquele determinado momento — avalia. — Os saudosistas do stalinismo acreditam que o comunismo foi o momento de afirmação política da Rússia no século XX. O país, quando era uma monarquia, perdeu a Primeira Guerra Mundial. Já como comunista, venceu a Segunda. Foi um momento de glória, em que provocou também o temor do Ocidente. E isso foi importante, porque sua população sempre sentiu que não era tratada com o devido respeito pelas potências europeias.

A Ucrânia, agora marcada pela divisão entre favoráveis e contrários ao governo russo, já foi praticamente unânime em sua ojeriza a Stalin. No início dos anos 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha era considerada uma libertadora do país, descontente com as políticas soviéticas impostas pelo Kremlin.

O apogeu econômico da União Soviética foi alcançado após a morte de Stalin, mas ele manteve-se como a personificação da força comunista. Embora fosse ateu, o ditador recheava seu discurso com símbolos e imagens bíblicas. Anunciava à população a “terra prometida do socialismo”. Filho de servos, nascido em um casebre de um cômodo, tinha discurso acessível aos pobres, ao contrário do linguajar culto de seu maior rival no Partido Comunista, Leon Trotsky.

— O aparato propagandístico era típico dos regimes totalitários — conta Arraes. — Lenin, seu antecessor e primeiro líder comunista soviético, não gostava da exaltação das figuras políticas. Já Stalin considerava-se um czar, o pai da população, e se beneficiava de tecnologias como o rádio e o cinema para reforçar seu peso na sociedade.

Maurício Parada, professor do Departamento de História da PUC-Rio, destaca que Stalin representa a sobrevivência a uma grande guerra — no caso, o confronto contra Hitler — e a capacidade de extensão do território nacional.

— O que vale é a mão pesada, a ordem e a autoridade do Estado — enumera Parada, que também interpreta por que a minoria russa na Ucrânia ignora os expurgos promovidos por Stalin. — O esquecimento é tão importante quanto a memória. Vinte milhões de pessoas morreram durante o regime stalinista, houve expurgos, até generais foram levados do front para os campos de trabalho forçados. Mas isso não conta no processo de revisionismo. O importante é lembrá-lo como uma figura patriótica.

Este trabalho, segundo Parada, tem sido bem sucedido. Ainda que munidos com livros sobre a repressão stalinista, as gerações mais novas dos rebeldes ucranianos cerram fileiras ao lado do líder da União Soviética.

— Os jovens acreditam que ele é um grande herói, sequer consideram o que destruiu — lamenta. — Isso pode repercutir em biografias, livros didáticos, homenagens públicas e inaugurações de monumentos públicos.

De acordo com Segrillo, a postura dos jovens deve-se à desilusão com o progresso prometido nos últimos 20 anos, desde a queda do comunismo, mas não alcançado.

— Houve uma grande decepção nos anos 1990, porque a passagem do socialismo para o capitalismo não trouxe uma vida melhor — destaca ele. — Por isso, existe um apelo à grandeza de Stalin. Os líderes comunistas que vieram depois dele fizeram o regime perder vigor e se burocratizar. O atual conflito exacerbou o debate e abriu espaço para as questões radicais. No entanto, acredito que a imagem stalinista, mesmo forte neste momento, continuará minoritária. Pode ser um eterno contraponto ao regime que estiver em vigor, mas nunca terá a força de antes.


VIDA PESSOAL DO TIRANO

Até a personalidade do ditador tem sido revisitada. A romancista irlandesa Edna O’Brien, que lançou este mês o livro “The little red chairs” (ou “As pequenas cadeiras vermelhas”, em português), cogitou, em entrevista ao jornal britânico “Independent”, como era a vida pessoal do tirano soviético:

— Se quisesse, Stalin poderia ter um efeito magnético sobre as pessoas, chamar uma mulher para dançar, fazê-la se sentir feliz e, na mesma noite, ordenar algumas execuções. Mas eu gostaria de saber: ele sentia alguma coisa? Quando fazia sexo, pensava em assassinatos?



Fonte: O Globo edição de 31/10/2015 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

OS FALCÕES DE WASHINGTON E O URSO DO KREMLIN

Por Geovani F.dos Santos 


Os EUA são os responsáveis pela desestabilizaçao de inúmeros governos ao longo da história por meio de suas políticas imperialistas. Os falcões de Washington são mestres do maquiavelismo geopolítico e ávidos  por intrometer-se em pedengas alheias. Foram eles os responsáveis por abastecer os talibãs e Osama Bin Laden durante anos da Guerra Fria em sua luta contra a ex-URSS. Na verdade, o próprio regime político-militarista alimentou os gérmens do ódio islâmico que mais tarde se voltaria contra eles mesmos na forma de ataques terroristas. Esse ódio fomentado no coração do mundo árabe e em outros povos é um ingrediente explosivo que pode ter repercussões drásticas daqui pra frente.





Putin há muito tempo está com os americanos atravessados em sua garganta e é notório que a sua paciência esteja se esgotando. Só Deus sabe o que assistiremos nos meses e anos que se seguirão, pois o cenário já está sendo montado.

Creio que o Senhor esteja encaixando as últimas peças do seu quadro profético que culminará com o Arrebatamento da Igreja e, por conseguinte, com a manifestação do anti-cristo e da Grande Tribulação.