sábado, 7 de novembro de 2015

A descoberta de Einstein presente no seu bolso

Por  CESAR BAIMA


Divulgadas em novembro de 1915, equações que incorporaram a gravidade à estrutura do espaço-tempo tiveram todas suas previsões confirmadas por observações no último século



 

Às vésperas de completar cem anos, no dia 25, a Teoria da Relatividade Geral não só passou com louvor por todos os testes a que foi submetida até agora, e deverá enfrentar novos em breve, como está cada vez mais presente no dia a dia de pessoas em todo planeta. Sem as equações de campo que incorporaram a gravidade à estrutura do espaço-tempo que Albert Einstein tinha apresentado ao mundo com a chamada Teoria da Relatividade Restrita em 1905, o Sistema de Posicionamento Global (GPS, na sigla em inglês) e outras tecnologias do tipo, usadas por desde pilotos de aviões no céu a capitães em navios nos oceanos e motoristas nas ruas do Rio para saber onde estão e para onde devem ir, seriam inúteis em apenas dois minutos, assim como as dezenas de serviços baseados em geolocalização, como aplicativos de táxi, entregas e mapas em nossos celulares. Isso acontece porque o GPS se baseia em sinais de satélite para determinar a localização de um aparelho na Terra, estando assim sujeito a dois efeitos relativísticos derivados da velocidade e altitude das naves (veja no gráfico acima).

Antes de chegar aos celulares em nossos bolsos, no entanto, não foram poucos os desafios literalmente astronômicos que a Relatividade Geral teve que enfrentar nos últimos cem anos. Logo que foi publicada, ela resolveu um mistério que intrigava os cientistas há mais de dois séculos então, a chamada “precessão do periélio de Mercúrio”. E seu primeiro grande teste público também não tardou a chegar. Uma das consequências da mudança na curvatura do espaço-tempo provocada pela gravidade de objetos maciços é desviar os raios de luz que passam por sua região do espaço. Assim, em 1919, o astrônomo britânico Arthur Eddington e colegas partiram para a ilha de São Tomé e Príncipe, na costa Oeste da África, e a cidade cearense de Sobral para acompanhar um eclipse total do Sol em maio daquele ano. Com o Sol encoberto pela Lua, transformando o dia em noite, seria então possível determinar a posição das estrelas no céu por trás dele. De fato, as medições de Eddington e sua equipe revelaram uma alteração nesta posição condizente com o desvio de seu raio de luz segundo a Relatividade Geral.


BURACOS NEGROS NO CAMINHO


A deformação do espaço-tempo por corpos maciços e o consequente desvio dos raios de luz também é responsável pela formação de objetos astronômicos extremos cuja possível existência desagradou o próprio Einstein, os buracos negros. Ainda em 1915, o astrofísico alemão Karl Schwarzchild decidiu calcular como seria a curvatura do espaço-tempo em torno de um objeto estacionário esférico maciço. De suas contas, as primeiras soluções “exatas” das equações de campo de Einstein — de um tipo conhecido na matemática como “não lineares”, admitindo assim várias “soluções” —, chegou-se à conclusão de que, se um objeto condensasse massa suficiente numa esfera pequena o bastante, essa curvatura seria infinita e nem a luz conseguiria escapar dela, criando uma chamada “singularidade”. Para Einstein, porém, devia haver alguma coisa na física das estrelas que impedisse sua condensação a estes extremos, fazendo deles objetos puramente teóricos, que não existiriam na natureza. Hoje, no entanto, sabe-se não só que os buracos negros existem como estão presentes nos centros de praticamente todas as galáxias.




Esta também não foi a única previsão derivada da Relatividade Geral que desagradou Einstein. Já em 1917, ele aplicou sua teoria ao Universo como um todo, chegando à conclusão de que ele deveria ou estar se expandindo ou contraindo. Como então ainda não havia nenhuma evidência observacional deste tipo de movimento em grande escala do Cosmo, e o consenso científico era de que o Universo era “estático”, Einstein acrescentou um termo a suas equações para atender a esta expectativa, a chamada “constante cosmológica”. Anos depois, quando vários outros teóricos, também usando a Relatividade Geral, demonstraram que o Universo estaria se expandindo, culminando em 1929 com as provas observacionais do astrônomo americano Edwin Hubble de que isso de fato está acontecendo, Einstein passou a ver a constante cosmológica como seu “maior erro”.

Como o Universo que pretende ajudar a explicar, a Relatividade Geral não ficou estática nestes últimos cem anos. Novas descobertas e dados ajudaram a refinar a teoria, embora sua base permaneça essencialmente a mesma, lembra o físico brasileiro Mario Novello, pesquisador emérito do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas:

— Quando uma teoria começa a requerer alterações esdrúxulas para ser compatibilizada com observações, ela demonstra fraqueza. No entanto, se essas alterações sugerem novas propriedades em outros setores, ela pode ser considerada boa e, ao contrário, estar tão sólida que serve para entender outros campos da física. Nos últimos tempos, é isso que tem acontecido com a Relatividade Geral.

Segundo Novello, exemplos disso são a matéria e energia escuras. Ainda nos anos 1930, observações dos movimentos de estrelas em galáxias distantes indicavam que alguns destes astros estavam viajando rápido demais para que apenas a gravidade conjunta de todos objetos visíveis nelas os mantivesse nas suas órbitas. Isso levou os cientistas a teorizarem que algum material invisível, que só interage com o resto do Universo por meio de sua atração gravitacional, estava fazendo este trabalho, cuja natureza permanece desconhecida e ao qual deram o nome de matéria escura.

Já no fim dos anos 1990, novas observações, também de eventos em galáxias distantes, sugeriram que a velocidade de expansão do Universo está se acelerando, contrariando a expectativa de que ela deveria diminuir devido justamente à ação da gravidade tanto da matéria comum quanto da escura. Mais uma vez, os cientistas tiveram que rever seus modelos teóricos, incluindo nas equações um novo termo para justificar o fenômeno, que pode ser visto como uma reintrodução da mal fadada “constante cosmológica”. Esta força ainda mais misteriosa que atuaria apenas em escala cosmológica foi batizada de energia escura.

— Como consequência das dificuldades de conciliar as previsões da Relatividade Geral com os dados observacionais, produziram-se alterações na descrição da física do Cosmo através de artifícios formais como a matéria escura e a energia escura — explica Novello. — Essas características levaram outros campos da física a reexaminarem suas propriedades e isso é positivo, desde que aceitemos como princípio que a Relatividade Geral está correta. Ela ainda é a melhor teoria da gravitação que temos, mas sua alteração está ocorrendo com várias propostas. Algumas são bastante ad hoc; outras, mais fundamentais.


EM BUSCA DAS ONDAS GRAVITACIONAIS


Entre tantas previsões saídas da Relatividade Geral já confirmadas, porém, ainda resta uma última que carece de observação direta, embora talvez não por muito tempo. São as chamadas ondas gravitacionais, perturbações na curvatura do espaço-tempo causadas por eventos cósmicos violentos, como a fusão de dois buracos negros e explosões de supernovas, de forma parecida com as ondas provocadas por uma pedra ao ser atirada em um lago de água parada.

Em setembro passado, os institutos de tecnologia da Califórnia e de Massachusetts (Caltech e MIT, respectivamente) retomaram as buscas por sinais de ondas gravitacionais no projeto Ligo (sigla em inglês para Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser), financiado pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA (NSF) com o apoio de agências de fomento e instituições de pesquisa de Alemanha, Reino Unido e Austrália. Após cinco anos de obras de melhorias, as duas instalações do projeto, localizadas nos estados americanos de Washington e Louisiana, agora são capazes de detectar variações de até um bilionésimo do diâmetro de um átomo no percurso dos raios de luz por eles gerados — teoricamente pela passagem de ondas gravitacionais que esticam e encolhem o espaço-tempo como nos picos e vales de ondas eletromagnéticas comuns.

Segundo os cientistas, o aumento da sensibilidade dos observatórios do projeto, agora denominado Advanced Ligo, em teoria permitirá que detectem ondas gravitacionais produzidas por eventos a até 225 milhões de anos-luz de distância da Terra, mais do triplo dos 65 milhões da fase anterior da busca — que entre 2002 e 2010 não encontrou nenhum sinal delas —, cobrindo um volume do Universo 27 vezes superior. Mas, apesar do otimismo dos cientistas de que agora sim nossa tecnologia alcançou um nível capaz de provar a existência das ondas gravitacionais, Novello alerta que isso talvez exija observatórios ainda mais sensíveis.

— Há 40 anos ouço que na próxima década vamos detectar as ondas gravitacionais e até agora nada — diz. — As ondas gravitacionais e suas características só podem ser examinadas a partir de ondas que existem, se existem, no Universo. Não posso produzir ondas gravitacionais controladas em laboratório. Pode ser que o tamanho e a dinâmica das ondas gravitacionais não sejam as que estamos esperando, e por isso experimentos como o Ligo podem não observá-las.


Fonte: O Globo edição de 07/ 11/2015 

FRASES SOLTAS


Resultado de imagem para falsos profetas charge


"Pregadores de conveniências sempre terão ouvintes aos montões a lhes satisfazer o ego. Igrejas pragmáticas só oferecem aquilo que lhes é conveniente, e nada mais. O pragmatismo é uma praga pós-moderna que tem levado muitas vidas a um evangelho falseado, sem qualquer compromisso com a "verdade". O que importa é o resultado!!!"

                                                                                                  Geovani Figueiredo Santos  

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SECA, CALOR E TEMPESTADE

Por HENRIQUE GOMES BATISTA


Pesquisa em 40 países revela que brasileiros são os mais preocupados com aquecimento



Calor. Praia cheia em Ipanema, no Rio, em pleno inverno: aumento da temperatura seria um dos sinais mais evidentes


WASHINGTON- Os brasileiros são os mais preocupados com o clima entre as populações de 40 países. Uma pesquisa realizada com 45 mil pessoas em todos os continentes pela Pew Research Center mostra que 86% da população nacional acredita que a mudança climática “é um problema muito sério”. O percentual é muito acima da média global, de 54%, e superior à preocupação dos dois países que mais poluem no mundo: Estados Unidos (45%) e China (18%, o pior percentual da pesquisa). O dado brasileiro fica acima de nações desenvolvidas, como Alemanha (55%), Reino Unido (41%), Canadá (51%) e Japão (45%). O resultado nacional ainda se sobressai na comparação de outras nações em desenvolvimento, como Turquia (37%), Rússia (33%) e Argentina (59%).

O Brasil também se destaca em outros pontos do levantamento chamado “A preocupação global sobre a mudança climática — suporte para a limitação das emissões”, divulgado ontem e realizado entre março e maio deste ano. Noventa por cento dos entrevistados no país acham que as mudanças climáticas já afetam as pessoas, contra 51% da média global. E 99% dos brasileiros afirmam que impactos serão sentidos dentro dos próximos cinco anos, contra 79% do resultado mundial.

A pesquisa aponta que 89% dos brasileiros também acreditam que as pessoas terão de mudar aspectos de suas vidas por causa das mudanças climáticas, contra 67% da média mundial. Apenas 22% acreditam que a tecnologia pode resolver este problema sem a necessidade de grandes alterações. Mesmo nos EUA, um país conhecido por suas inovações tecnológicas, 66% pensam que será necessário haver mudanças de estilo de vida.

PRESSÃO PARA AUMENTAR METAS Na pontuação feita pelo instituto americano, levando em conta diversos aspectos do levantamento, o Brasil tem a maior nota (11,42), contra a média de 9,93 e o piso de 8,66, registrado em Israel. Os dois países mais poluidores do mundo têm nota menor, bem abaixo da média global: EUA, com 8,78, e China, com 9,11. “Este forte suporte público interno, bem como a pressão internacional, provavelmente contribuiu para recente promessa da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, para cortar as emissões de carbono do país em 37% até 2025”, afirma a pesquisa.

— No geral, o levantamento revela um alto grau de preocupação global com as mudanças climáticas 

— conta Richard Wike, diretor de Atitudes Globais de Pesquisa da Pew Research Center. — A maior parte da população de todos os 40 países pesquisados considera que este é um problema sério. E as preocupações são especialmente elevadas na América Latina. Uma razão pela qual nós podemos ver níveis mais altos de preocupação geral em alguns países emergentes e em desenvolvimento é que as pessoas desses países são mais propensas do que as de nações mais ricas a acreditar que as alterações climáticas terão um impacto pessoal sobre elas.

Por outro lado, a imensa maioria da população global apoia a redução das emissões de gases do efeito estufa: 78% dos entrevistados concordam com estas restrições, o que pode contribuir para a assinatura de um acordo global na Conferência do Clima no fim do mês, em Paris.

Na maior parte dos países, mais de 70% dos entrevistados apoiam o corte da liberação de poluentes. A medida é menos popular na Turquia (56%). No Brasil, ela conta com o apoio de 88% das pessoas; pouco abaixo do visto na Coreia do Sul e na Itália (89%), onde estas medidas têm mais suporte.

A seca é o maior temor da mudança climática. Quarenta e quatro por cento da média mundial dos pesquisados citam este problema, que é mais preocupante na América Latina e na África (59% dos entrevistados de cada continente). Na sequência, há o risco de grandes tempestades, temidas por 35% do total dos entrevistados e por 34% dos moradores da Ásia. Catorze por cento acreditam que o aumento da temperatura é uma grande ameaça, e no Oriente Médio este percentual é de 19%. E apenas 6% da média global se preocupam com o aumento do nível dos mares, embora este tema tire o sono de 17% dos americanos.

O instituto de pesquisa, um dos mais conceituados dos EUA, espera que estes dados possam servir de base para os políticos que deverão decidir o futuro do acordo climático em Paris. Para o Pew Research, “há um consenso global de que a mudança climática é um desafio significativo”.


Fonte: O Globo edição de 06/11/2015


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Metrópoles da Violência

Por Henrique Gomes Batista

Grandes cidades contrariam tendência geral de queda no país e preocupam autoridades






WASHINGTON- Contrariando a lógica, a violência tem crescido em grandes cidades dos Estados Unidos, apesar do avanço econômico que o país vive. O fenômeno tem ocorrido em todos os cantos da nação e começa a preocupar as autoridades. Há, segundo especialistas, o risco de que isso se torne uma tendência, revertendo a redução de casos graves, como assassinatos, que vigorou nas últimas duas décadas. O próprio governo federal demonstra preocupação, conforme expôs o presidente Barack Obama na terça-feira passada.Os números impressionam. A quantidade de assassinatos no acumulado até o dia 30 de outubro deste ano em Baltimore (Maryland) cresceu 69,7% sobre período igual do ano passado. 

Em Washington, o crescimento foi de 48,9%. Até em Nova York, considerada por muitos um exemplo de segurança com a política de tolerância zero, os homicídios cresceram 5,9% neste ano. E isso não está concentrado na Costa Oeste do país. Nova Orleans, no Sul, sofre com o aumento de 29,5% dos homicídios no primeiro semestre sobre igual período de 2014. No Centro, o mesmo se repete em Milwaukee (Wisconsin, com alta de 53,1%) e Chicago (incremento de 14,6%). E na Costa Leste, Los Angeles viu o total de assassinatos subir 12,9%.

O grande questionamento entre as autoridades e especialistas é entender a causa do fenômeno e evitar que se torne uma tendência. Desde meados dos anos 90, os homicídios têm diminuído. Muitos esperam, inclusive, que o número total de assassinatos feche 2015 em patamar inferior a 2014, impactado pelos números das pequenas cidades, mas o dado geral encobre a situação dos grandes centros.


TENSÃO RACIAL E VIOLÊNCIA POLICIAL

Andrew Papachristos, professor da Universidade de Yale especializado na área criminal, lembra que a economia por si só não ajuda a explicar, sozinha, o crescimento de homicídios em algumas cidades. Ele está entre os que defendem que é necessário esperar um pouco mais antes de ver uma tendência.

— Há uma relação complicada entre a economia e o crime, que continuou a sua tendência descendente nos EUA mesmo nos anos da recente recessão. É verdade que as taxas de criminalidade são mais altas nas comunidades mais desfavorecidas, mas não é preciso dizer que as taxas de criminalidade e pobreza oscilam em sincronia — disse.

Na terça-feira, ao discursar durante o encontro da Associação Internacional dos Chefes de Polícia, o presidente americano afirmou que vai incrementar o orçamento para o setor:

— É verdade que em algumas cidades, inclusive aqui na minha Chicago, a violência armada e homicídios têm crescido. Mas o fato é que, até agora pelo menos, em todo o país os dados mostram que ainda estamos desfrutando historicamente baixas taxas de crimes violentos.

Os especialistas dizem que há historicamente quatro pontos que afetam a criminalidade nos EUA: situação econômica, tensão racial, violência policial e drogas. Entender o impacto de cada variável é fundamental para evitar que estes problemas cresçam. E, provavelmente, a resposta não é simples e não está em um ponto isolado. 

A violência policial é a que está em maior evidência, já que o país vive uma série de confrontos. A Anistia Internacional iniciou neste ano uma campanha contra o abuso fardado. De acordo com a entidade, casos de mortes de suspeitos por policiais mostraram que há, em muitos estados, um descontrole sobre o uso da força. “A Anistia Internacional se preocupa se as leis estaduais sobre o uso de força letal por policiais estão de acordo com as normas internacionais e apela a todos os estados para analisar e rever o uso de força letal”, afirma a instituição.

Richard Rosenfeld, pesquisador da Universidade do Missouri, analisou o que ocorreu em St. Louis após o caso Ferguson — quando a polícia matou o jovem negro Michael Brown, gerando uma onda de protestos. Ele detectou que é possível ver que a violência estatal gera maior número de casos de homicídios. Mas é cauteloso ao avaliar todo o cenário:

— Mesmo assim, a taxa de homicídios em St. Louis em 2014 permaneceu bem abaixo dos níveis atingidos no início de 1990 — ponderou.


DESEMPREGO MAIOR ENTRE NEGROS

A questão racial, contudo, é a que mais se relaciona com os demais temas. Em Baltimore, segundo levantamento do jornal “Baltimore Sun”, mais de 90% das vítimas de homicídio neste ano são negras, apesar de representarem 64% da população. Os brancos, que são 31% da população da cidade, eram somente 5% dos assassinados. Da mesma forma, a maior parte das vítimas policiais eram negras.
Jens Ludwig, diretor do Crime Lab da Universidade de Chicago, lembra que num estudo do laboratório entre jovens de 15 a 24 anos, a taxa de homicídios foi cerca de 18 vezes maior para negros do que para brancos. Os homens negros de todas as idades têm seis vezes mais probabilidade que os brancos de serem presos. Este grupo também é mais suscetível às novas gangues, concentradas nas grandes cidades e na venda de drogas pesadas. Neste ponto, entra um pouco da explicação econômica do fenômeno: apesar de, no geral, a taxa de desemprego nos EUA ser a mais baixa desde o governo Clinton (1993-2001), para homens negros é o dobro da registrada para brancos.


Fonte: O Globo, edição de 04 de novembro de 2015  


Gênesis — Um Estudo Devocional


Que livro pode comparar-se com a Bíblia? Quer seja encarada como literatura, quer como poesia ou drama, como história, como profecia ou como guia para uma vida sábia e correta, ela é sem igual. Compõe-se de sessenta e seis “livros”, escritos por uns quarenta escritores durante um período de uns dezesseis séculos.

Bem apropriadamente, o primeiro livro, Gênesis, fornece a base e estabelece o modelo para os livros que seguem. Sem ele, muito do que se encontra no restante da Bíblia não seria entendido, porque os escritores posteriores não apenas pressupõem que se conheça Gênesis, mas também consideram como certa a sua historicidade, o que realmente se dá. Por exemplo, fornece a base para as listas genealógicas encontradas nos livros Primeiro das Crônicas, Mateus e Lucas.

Gênesis, e em especial os capítulos 1 a 11, tem sido o alvo predileto dos homens que negam que Deus esteja disposto a fazer milagres. Mas Gênesis, e em especial estes onze capítulos, fornecem a base ou o alicerce para o que se segue na Bíblia. Acusá-la de se compor de mitos é como tentar imaginar um arranha-céu de sessenta e cinco andares repousando sobre o ar, sem que tenha um alicerce ou fundamento em que se firmar.

Originalmente, Gênesis era apenas a primeira parte do Pentateuco (que significa “Cinco Livros”), que se compõe do que agora são os primeiros cinco livros da Bíblia. Tanto os judeus como os primitivos cristãos aceitaram a todos eles como tendo sido escritos por Moisés. Estes cinco livros, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, foram chamados de Tora, ou Lei, e nas Escrituras subsequentes, esta Lei é atribuída a Moisés vinte e sete vezes.

Gênesis começa, de modo lógico, por falar da criação do universo. Entre os escritos sagrados das grandes religiões do mundo, apenas a Bíblia narra que Deus criou algo do nada, sendo este um dos significados da palavra hebraica traduzida por “criar”. Vez após vez, o restante da Bíblia retrata Deus como sendo o Criador do universo. Típico neste respeito é Isaías, capítulo 40, que nos exorta a olharmos para Deus com fé, por causa de seu grande poder e sabedoria demonstrados na criação dos céus estrelados. Veja também Isaías 45:12, 18; Atos 14:15; 17:24; Revelação 10:6.

A seguir, Gênesis fala a respeito de seis “dias” ou épocas, durante os quais o Criador preparou a terra para ser a habitação do homem, e criou o homem e a mulher. Este registro fatual é usado como base para o sábado dos israelitas: “Pois em seis dias fez Deus os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e no sétimo dia passou a descansar. ” (Êxo. 20:11) Em Hebreus, capítulos 3 e 4, os cristãos são admoestados a descansar de suas obras por terem fé, assim como Deus descansou das suas. Veja também o Salmo 95:11.

O capítulo 2 de Gênesis fornece outros pormenores sobre a criação do homem e da mulher por Deus, e de eles se tornarem “uma só carne”. Jesus Cristo citou este capítulo ao definir a norma cristã com respeito ao casamento e ao divórcio. (Gên. 2:24; Mat. 19:4-6) E o apóstolo Paulo usa esta narrativa para explicar o princípio da chefia entre os cristãos e em especial na congregação cristã. O homem tem precedência, visto que ‘o homem foi formado primeiro’. — 1 Tim. 2:13; 1 Cor. 11:7-9.


1. A ENTRADA DO PECADO E O RESGATE DE CRISTO

O capítulo 3 de Gênesis fala sobre Eva ser enganada, sobre Adão juntar-se a ela na sua transgressão e ambos serem sentenciados à morte. Paulo refere-se a este registro ao advertir os cristãos a respeito das artimanhas de Satanás e em salientar o papel de sujeição da mulher: “Tenho medo de que, de algum modo assim como a serpente seduziu Eva pela sua astúcia, vossas mentes sejam corrompidas. ” “Adão não foi enganado, mas a mulher foi totalmente enganada. ” — 2 Cor. 11:3; 1 Tim. 2:14.

As Escrituras Gregas Cristãs mostram que foi em consequência de Adão cair no pecado e na morte que Deus foi induzido a mostrar a sua incomparável benignidade imerecida em prover o resgate. “Porque, se pela falha de um só homem muitos morreram”, a dádiva gratuita de Deus “abundou muito mais, para com muitos, ... por um só homem, Jesus Cristo”. Isto mostra que o ensino da evolução é mentiroso, negando a queda do homem no pecado. Apenas à base do registro de Gênesis faz sentido que Jesus diga que ele veio para “dar a sua alma como resgate em troca de muitos”, ou de que João Batista aclame Jesus como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Sim, “assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados”. — Rom. 5:15; Mat. 20:28; João 1:29; 1 Cor. 15:22.


2. DESDE ABEL ATÉ A TORRE DE BABEL

O capítulo 4 de Gênesis registra o primeiro assassinato humano, quando Caim matou seu irmão Abel. Advertindo-nos contra odiarmos nossos irmãos, o apóstolo João citou este acontecimento: “Devemos ter amor uns pelos outros; não como Caim, que se originou do iníquo e que matou a seu irmão” porque “suas próprias obras eram iníquas, mas as de seu irmão eram justas”. (1 João 3:11, 12) O quinto capítulo conta que Enoque andou com Deus. Tanto Paulo como Judas fazem referência ao proceder justo de Enoque. — Hb. 11:5; Jud. 14, 15.

A vida de Noé e o dilúvio que ele e sua família atravessaram com vida são relatados nos capítulos 6 a 9 de Gênesis. Profetas tais como Isaías fazem referência ao dilúvio e a Noé. Também, Jesus predisse que, assim como um mundo indiferente pereceu por ocasião do Dilúvio, assim seria na terminação deste sistema de coisas. (Isa. 54:9; Mat. 24:37-39) Paulo e Pedro também mencionam Noé e o dilúvio. (Heb. 11:7; 1 Ped. 3:20; 2 Ped. 2:5) O capítulo 10 de Gênesis fornece-nos “A Tabela das Nações”. O arqueólogo W. F. Albright diz que está “continua sendo um documento espantosamente exato”. O capítulo 11 de Gênesis descreve a origem de Babel ou Babilônia, e como Deus confundiu a língua da humanidade.


3. ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ

Nos capítulos remanescentes, de 12 a 50, encontramos a história pormenorizada dos três patriarcas da nação de Israel. São mencionados vez após vez no restante da Bíblia. De fato, o nome de Abraão aparece em vinte e seis dos livros posteriores, e a sua peregrinação como estrangeiro (bem como a de Isaque e Jacó) foi mencionada tanto por Estêvão, primitivo mártir cristão, como por Paulo. (Atos 7:2-16; Hb. 11:8-22) Em Gálatas 3:16, 29, aprendemos que Jesus Cristo e os membros associados do seu corpo constituem o descendente espiritual de Abraão. Traz-se assim à atenção o cumprimento da promessa de Deus feita a Abraão, quase há dois mil anos antes, de que ‘todas as nações certamente abençoariam a si mesmas por meio do descendente dele’. (Gên. 22:17, 18; veja Gênesis 3:15.) Deveras, o registro de Gênesis, a respeito da promessa abraâmica, constitui a base para o entendimento de grande parte do que se segue na Bíblia.

Os capítulos 11 a 19 de Gênesis incluem acontecimentos que envolveram a família de Ló, bem como Sodoma e Gomorra. Jesus advertiu contra sermos como a esposa de Ló que perdeu a vida por sua desobediência, olhando para trás, para a condenada Sodoma, e ele predisse que, assim como foi nos dias de Ló assim seria nos dias do Filho do homem. (Luc. 17:28-32) Em confirmação de Gênesis, tanto Pedro como Judas comentaram a depravação de Sodoma, e Jesus também se referiu a ela como uma cidade iníqua, mas classificou as cidades que rejeitaram a sua mensagem do Reino como sendo ainda mais repreensíveis. — Luc. 10:12; 2 Ped. 2:6; Jud. 7.

Isaque, filho de Abraão, continuou fiel e obediente, assim como seu pai, e o filho de Isaque, Jacó fez o mesmo. Jacó realmente apreciava coisas sagradas, como no caso em que mostrou preocupação para obter a primogenitura e quando se engalfinhou durante toda a noite com um anjo, para obter uma bênção, a que se faz também referência em Oseias 12:3. No seu leito de morte, Jacó proferiu também uma profecia muito notável a respeito de seus filhos (Gên. 49:1-28). Mas também somos advertidos para não ser iguais a Esaú, irmão de Jacó que não apreciava coisas sagradas. — Hb. 12:16; Gên. 25:34.

Dentre os doze filhos de Jacó destacavam-se Judá e José. Judá “mostrou-se superior entre os seus irmãos”. (1 Crô. 5:2) Por meio de Judá havia de vir Siló, o Messias, e, efetivamente, Jesus Cristo nasceu naquela tribo. Jesus é chamado de “Leão que é da tribo de Judá”. — Apo. 5:5; Gên. 49:10.

Os capítulos 37 a 50 de Gênesis mostram que José foi inculpe em todos os aspectos. Embora vendido em escravidão, manteve sua integridade para com seu Deus Deus. Em resultado, foi abençoado ao ponto de se tornar primeiro ministro da potência mundial do Egito e salvador de seu povo, bem como da família de seu pai. — Atos 7:9-14.


GÊNESIS PROVÊ O MODELO

Deveras, o livro de Gênesis provê-nos a base para muitíssima coisa daquilo que está registrado no restante da Bíblia. Não só isso, mas fornece também o modelo para o restante da Palavra de Deus, como sendo revelação de Sua vontade e propósito para com a humanidade. Gênesis estabelece também o modelo bíblico em ser veraz no que se refere à natureza humana, em ser assinalado pela candura e em revelar os atributos e as qualidades de Deus.

Gênesis 1:26-28 dá a conhecer o propósito de Deus Deus para com a terra e o homem — para o homem ser fecundo, encher a terra, subjugá-la e exercer domínio sobre as suas outras criaturas. A Oração-Modelo do Senhor e a profecia em Apocalipse 21:4 — sobre não haver mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor — asseguram-nos que alguma vez a vontade e o propósito de Deus para com a terra e o homem ainda serão plenamente cumpridos. Gênesis 3:15 fornece a primeira profecia messiânica, aquela do descendente espiritual da mulher, a saber, o Cristo, que machucaria a cabeça da Serpente, Satanás, o Diabo, o que é mencionado em Romanos 16:20. Gênesis 22:15-18 revela o papel de Abraão com relação a este descendente, conforme já se mencionou.

O livro de Gênesis, com respeito à natureza humana, também fala sobre como Satanás conseguiu chegar a Adão, por intermédio de Eva, enganando primeiro a ela. Homens sem princípios igualmente usam mulheres para enlaçar suas vítimas, assim como os filisteus usaram Dalila para enlaçar Sansão. (Juí. 16:4-21) Deus disse que Adão dominaria sua esposa. E, no decorrer dos séculos, quão injustamente muitos homens seguiram Adão em dominar sua esposa! O ciúme assassino que Caim tinha a Abel também é segundo a natureza humana decaída, bem como o que os irmãos de José tinham a ele, por não terem sido tão favorecidos pelo seu pai Jacó.

Revelando ainda mais a natureza humana decaída, Gênesis fala sobre as fraquezas dos servos de Deus: Sobre Noé embriagar-se; sobre Rubem, primogênito de Jacó, ‘profanar o leito de seu pai’, por ter relações com uma das concubinas de Jacó; a crueldade assassina de Simeão e Levi, dois outros filhos de Jacó que eliminaram os varões de todo um clã, porque um destes havia violentado sua irmã. Note-se, de passagem, que esta candura encontrada em Gênesis refuta a afirmação dos críticos, de que os primitivos escritores atribuíam imaginárias qualidades excelentes aos seus personagens! — Gên. 49:3-7.

O livro de Gênesis, em especial, estabelece o modelo para os livros bíblicos que o seguem, por revelar-nos as qualidades incomparáveis de Deus Deus e como ele recompensa os que o servem e que seguem um proceder reto. Ao falar sobre ele criar todas as coisas visíveis e invisíveis, certamente atesta o amor do Criador, como Dador da vida, sua infinita sabedoria e seu poder onipotente. Ser Adão comissionado por Deus para encher a terra, subjugá-la e dominar sobre a criação animal da terra também foi uma expressão do amor dele para com Adão e os futuros descendentes deste. A proibição que Deus impôs ao fruto de certa árvore trouxe à atenção sua sabedoria e justiça. Apenas passando por tal prova de obediência podia Adão mostrar que apreciava todas as suas bênçãos.

Quando Adão e Eva se rebelaram, entrou em jogo a justiça de Deus, bem como sua coerência, por sentenciá-los à morte. No entanto, por deixá-los viver fora do Jardim do Éden, Deus mostrou misericórdia para com os descendentes deles ainda por nascer, dando-lhes a oportunidade de viver. Quando a terra ficou corrompida, visto que filhos angélicos de Deus haviam descido à terra e se casado com filhas dos homens, Deus demonstrou poder — purificando a terra por meio do Dilúvio. Novamente, porém, em misericórdia, poupou Noé e sua família, bem como espécies representativas de todos os animais. Vê-se também a justiça de Deus em ele decretar, após o Dilúvio, a sentença de morte para os assassinos humanos. Em outra demonstração de sua misericórdia, Deus fez provisões para Ló e suas filhas, quando ele destruiu Sodoma e Gomorra.

As qualidades de Deus, justiça, sabedoria e amor, são também destacadas na maneira em que lidou com os patriarcas. Lemos a respeito de Abraão, e depois sobre Isaque, que eles faleceram ‘idosos e satisfeitos’ (Gên. 25:8; 35:29). Quão satisfatória foi a vida que Jacó levou com seus grandes rebanhos e uma grande família, e quanto José foi recompensado por Deus, por manter a sua integridade!

Não há dúvida sobre isso. O livro de Gênesis fornece a base para grande parte daquilo que está registrado nos sessenta e cinco livros subsequentes da Bíblia. Estabelece também o modelo para eles, por ser uma Revelação da vontade e do propósito de Deus para com a humanidade.

Deveras, pode-se dizer a respeito de Gênesis, assim como do restante das Escrituras Sagradas, que foi ‘inspirado por Deus e é proveitoso para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra’. — 2 Tim. 3:16, 17.


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Médicos jogam luz sobre dúvidas comuns de pais e mães

Especialistas respondem a perguntas frequentes feitas no Google sobre os cuidados com bebês e crianças


 BRUNO MARÇAL/EDITORA GLOBO


Doutor via internet. De questões práticas a comportamentais, o que mais gera curiosidade em pais e mães



Todos os pais, principalmente os de primeira viagem, têm uma série de questões sobre o cuidado com seus filhos. Por que meu bebê sua tanto enquanto dorme? Como identificar uma insolação na criança? Como tratar a estomatite? Estes são exemplos das 20 dúvidas mais buscadas na internet, segundo levantamento feito pelo Google em parceria com a revista “Crescer”, da Editora Globo, que procurou especialistas para responder a essas questões. Veja, a seguir, o que eles disseram sobre algumas dessas indagações.


Por que meu bebê está com a temperatura tão baixa?


Temperatura corporal inferior a 36°C configura hipotermia. A causa mais frequente é simples: frio. Por isso, deve-se agasalhar bem a criança, além de oferecer bebidas mornas, como chá ou leite, se ela não estiver em aleitamento exclusivo. Se não der resultado, cabe avaliação médica, porque hipotermia pode ser causada por infecção, embora não seja comum. Segundo a pediatra Fátima Fernandes, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, se, além de estar frio, seu filho parecer prostrado e não reagir a estímulos, leve-o a um pediatra com urgência, pois pode se tratar de meningite, deficiência cardíaca ou infecção generalizada.


Qual é o nível normal de glicose para crianças?


A taxa esperada é semelhante à dos adultos: de 60 mg/dL a 99 mg/dL. “Essa dúvida é porque os pais têm fácil acesso aos aparelhos portáteis que mostram a glicemia a partir de uma gota de sangue. Só que esses equipamentos são calibrados para adultos e podem distorcer o resultado das crianças”, diz Tadeu Fernandes, presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O médico também acha que muitos cuidadores se desesperam ao abrir exames laboratoriais e ver a glicose fora do parâmetro. Mas, segundo ele, isso geralmente ocorre porque o jejum necessário não é seguido à risca, já que os pais ficam com dó de deixar o filho sem se alimentar. O mais sensato é esperar para ouvir a interpretação do médico. Quais os problemas de ter filho único? Crianças sem irmãos podem apresentar dificuldade de interação com colegas e de compartilhar (brinquedos, atenção dos familiares e espaço), além da tendência a querer ser o centro das atenções. “Mas ser filho único não é sentença de ser mimado. Isso dependerá da postura dos pais”, tranquiliza a psicóloga Rita Calegari, da Rede de Hospitais São Camilo (SP). Vale estimular o convívio com outras crianças, como primos e colegas de escola. Quais os sintomas de insolação em crianças? O quadro se caracteriza por uma temperatura corporal superior a 39,5°C, mas sem origem febril. Os sintomas incluem desidratação, pele avermelhada e sensação de calafrio. Além da causa mais óbvia — a exposição exagerada ao sol —, o problema pode ocorrer por excesso de roupa ou um ambiente demasiadamente quente, especialmente se a criança brincar muito sem se alimentar e beber líquido. O uso de protetor solar atua na prevenção, retardando a transpiração. Diante do problema, recomenda-se banho fresco, manter a criança hidratada e em local arejado. O uso de antitérmico não surte efeito. Se a criança ficar muito apática, ela deve ser levada a um médico com urgência. 


Maisena engorda o bebê? 


Sim. A maisena (ou amido de milho) é uma farinha usada na culinária, e algumas pessoas a utilizam para engrossar o leite da mamadeira acreditando que a criança ficará mais forte. Mas isso não agrega nutrientes à dieta e só aproxima seu filho da obesidade. Bebês devem receber leite materno de forma exclusiva até os 6 meses e complementar até os 2 anos. Se não for possível, o melhor é recorrer a produtos próprios para a idade. “As fórmulas lácteas de hoje são bem completas e já oferecem carboidratos”, explica a pediatra Fátima Fernandes.


O que significa o suor noturno infantil? 


Costuma indicar apenas que a criança está com calor. Muitas mães agasalham demais o filho na hora de dormir. Basta diminuir a quantidade de roupas e refrescar o ambiente. Use sua própria sensação como parâmetro e considere que bebês precisam de uma peça de roupa a mais. Tenha em mente que isso não é motivo de preocupação. Apenas casos muito raros, associados a outros fatores, como baixo ganho de peso, febre, tosse e prostração, podem indicar doenças. 


O que esperar da gravidez do segundo filho? 


Uma gravidez nunca é igual à outra. Se a primeira gestação foi ruim, com enjoos e problemas de saúde, pode ser que a segunda seja mais tranquila. Ou o contrário. “O momento existencial da mulher — como ela se sente, sua relação com a vida e com o pai da criança — também fará diferença”, diz a psicóloga Rita Calegari. No corpo, há diferenças perceptíveis: a barriga costuma despontar mais rápido, porque a pele ganhou elasticidade. O mesmo ocorre com as mamas. “A tendência é que a mulher reconheça mais facilmente os sinais de trabalho de parto e que um eventual parto normal seja mais rápido, porque o útero guarda memória celular”, diz o obstetra Domingos Mantelli, autor do livro “Gestação — Mitos e verdades sob o olhar do obstetra” (Ed. Segmento Farma).


Como tratar estomatite em crianças? 


A doença agride a mucosa da boca e, em alguns casos, a língua. Normalmente provocada por vírus, causa aftas dolorosas. O ideal é controlar a dor com analgésicos (sob orientação do pediatra) e ofertar líquidos ou alimentos pastosos que não sejam ácidos. “As refeições podem ser servidas mornas, em forma de papa cremosa ou purê”, ensina o pediatra Victor Nudelman, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP). O quadro desaparece num período de sete a 15 dias. 


Bebês têm pesadelos? 


Sim. Especialistas explicam que sonhos e pesadelos ocorrem no chamado sono REM. Como crianças apresentam essa fase do sono desde que nascem, podem ter sonhos positivos ou negativos, sempre de acordo com o que apreendem do mundo ao redor. “Os sonhos se relacionam ao contexto vivenciado enquanto o bebê está acordado”, diz o neuropediatra Antonio Carlos de Farias, do Hospital Pequeno Príncipe (PR).



Fonte: O Globo edição de 01/11/2015

domingo, 1 de novembro de 2015

AVIÃO: AUTORIDADES REBATEM VERSÃO DO EI


Cairo e Moscou rejeitam alegação do grupo de ter derrubado voo russo no Egito, com morte de 224 pessoas


                   



CAIRO- Com familiares ainda em choque pela queda não esclarecida de um avião russo com 224 passageiros e tripulantes na Península do Sinai, autoridades da Rússia e do Egito se dividem entre o luto e a cautela na investigação do já considerado maior acidente aéreo na história da aviação russa. O braço egípcio do Estado Islâmico afirma ter abatido a aeronave da companha Kogalymavia, conhecida como Metrojet. A versão, porém, é contestada por autoridades egípcias e russas — que trabalham com a hipótese de falha técnica — e por especialistas, que duvidam que os jihadistas tenham armamento capaz de abater a aeronave em voo.

O Airbus 321, com 18 anos de atividade, perdeu contato com os radares 23 minutos depois de deixar o balneário de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, com destino a São Petersburgo. Sobrevoava uma região montanhosa da Península do Sinai, lotado com turistas russos — entre eles, 17 crianças — quando, por volta de 6h30m, hora local, perdeu contato com controladores de tráfego aéreo.

O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo acidente em suas contas no Twitter: “Soldados do califado conseguiram abater um avião russo que sobrevoava a Península do Sinai, e todos morreram”. Na rede social, afirmaram ter agido em represália “às dezenas de mortes causadas diariamente pelos bombardeios” dos aviões russos na Síria.

Os destroços foram encontrados na região de Hasana, 70 quilômetros ao sul de El-Arish, onde forças de segurança egípcia combatem a milícia Província do Sinai do Estado Islâmico, ligada ao grupo extremista. Mas a reivindicação de um suposto atentado pelo EI intriga especialistas.

Nunca se registrou que milicianos no Norte do Sinai tenham derrubado aviões comerciais. Os mísseis terra-ar em posse de rebeldes, estima-se, têm alcance máximo de seis mil metros de altitude — o avião da Metrojet voava a pelo menos 9.400 metros. Não se descarta, porém, a possibilidade de que houvesse uma bomba a bordo, ou que o avião tivesse sido atingido por um míssil após perder altitude por alguma falha técnica.

‘FOGO NA TURBINA’

Para o ministro do Transporte russo, Maksim Sokolov, a declaração do EI “não é confiável”.

— Estamos em intenso contato com nossos colegas egípcios e autoridades aéreas do país. No momento, não temos nenhuma informação que confirme essas insinuações — afirmou.

O primeiro-ministro do Egito, Sherif Ismail, afirmou que é impossível determinar a causa do acidente até que as caixas-pretas sejam examinadas, mas disse acreditar que não há atividades “irregulares” por trás do acidente.

— Eles (o EI) podem comunicar o que quiserem, mas não há nenhuma prova de que terroristas tenham sido responsáveis por este desastre. Vamos conhecer as verdadeiras razões quando a Autoridade de Aviação Civil, em coordenação com as autoridades russas, concluírem a investigação — acrescentou o porta-voz do Exército egípcio, Mohamed Samir.

As caixas-pretas da aeronave russa foram recuperadas e serão analisadas por especialistas. Investigadores também buscam pistas na última parada da aeronave para reabastecer combustível, na cidade russa de Samara. Testemunhas citadas pela imprensa egípcia afirmam ter visto uma turbina em chamas no momento da queda.

Já o ministro dos Transportes egípcio, Hossam Kamal, negou relatos anteriores de que o piloto teria informado falhas técnicas.

— A comunicação entre o piloto e a torre de controle aéreo foi normal, sem sinais de problemas. O piloto não pediu para mudar a rota nem fazer pouso de emergência. Tudo estava normal. O avião desapareceu de repente do radar, sem nenhum aviso prévio — disse Kamal em entrevista coletiva transmitida em rede nacional.


Segundo o site Flightradar24, que monitora o tráfego aéreo em todo o mundo, o avião registrou uma descida a uma velocidade de 1.800 metros de queda de altitude por minuto antes de desaparecer do radar.

KLM E LUFTHANSA SUSPENDEM VOOS SOBRE SINAI

A fama da Metrojet entre alguns passageiros aumenta a complexidade da investigação. Nas redes sociais russas, são frequentes reclamações sobre o estado dos aviões — entre elas, relatos de janela remendada com fita adesiva e de um passageiro que embarcou para a Turquia num assento sem cinto de segurança. Em 2011, o tanque de combustível de um avião da empresa explodiu antes de decolar da cidade siberiana de Surgut, causando quatro mortes.

Ontem, a companhia área emitiu uma nota na qual descartou falha humana e elogiou a experiência de seus pilotos. Segundo a Metrojet, a aeronave estava em boas condições. Como precaução, a companhia aérea francesa Air France e a alemã Lufthansa anunciaram a suspensão temporária dos voos sobre a Península do Sinai.

Até o momento, ao menos 129 corpos foram recuperados — a maioria incinerados, muitos ainda com os cintos de segurança colocados — e levados ao Cairo. Segundo as equipes de resgate, o avião foi partido pela metade, e os corpos foram encontrados num raio de cinco quilômetros.

“Todos os passageiros morreram”, confirmou nas redes sociais a embaixada russa no Cairo. Havia a bordo 214 russos e três ucranianos, além de sete tripulantes. As idades dos passageiros variavam entre 10 meses e 77 anos.

O presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi, prestou condolências por telefone a Vladimir Putin. O presidente russo, por sua vez, declarou dia de luto e ordenou assistência imediata às famílias das vítimas, que lotaram o aeroporto de Pulkovo, em São Petersburgo, destino original da aeronave. Putin também pediu a abertura de uma investigação sobre o desastre e enviou o ministro dos Transportes ao Egito.

Nos bastidores, especula-se que possíveis ameaças à aviação civil são de particular interesse da Rússia, que já se viu envolvida em acusações de ligação com os separatistas que derrubaram o avião MH17, da Malaysia Airlines, em julho do ano passado, com 298 passageiros a bordo, no Leste da Ucrânia. Do lado egípcio, o último acidente aéreo registrado aconteceu em 2004, e deixou 148 mortos, a maioria turistas.

Quase três milhões de turistas russos — praticamente um terço dos visitantes totais de 2014 — visitam o Egito por ano, principalmente os complexos hoteleiros do Mar Vermelho.

— Ainda é muito cedo para medir o impacto que o desastre terá no turismo — minimizou o porta-voz do Ministério do Turismo egípcio, Rasha Azazi.



Fonte: O Globo edição 01/11/2015