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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

MADURO EMBARCA RUMO À CHINA EM BUSCA DE ALÍVIO PARA ECONOMIA


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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, embarcou ontem para a china, anunciando em cerimônia no aeroporto que a viagem era “necessária, oportuna e cheia de grandes expectativas”. De acordo com analistas venezuelanos, Maduro negociará três acordos com os chineses: um novo empréstimo de 5 bilhões; um novo período de carência, de seis meses, para o serviço da dívida já contraída; e um memorando de entendimento para a proteção do investimento da China na Venezuela. 

O sócio e diretor do portal venezuelano Ecoanalitica, Asdrúbal Oliveros, afirmou no Twiter que as negociações dariam mais tempo a Maduro que acaba de baixar um pacote para tentar domar a hiperinflação e conter a recessão: Maduro ganha tempo, pois, para um regime que aprendeu a viver com pouco ( em termos de divisas); esse auxílio da China, caso se concretize, lhe dará um respiro”, disse.

 Em Pequim, o ministro do Exterior chinês, Wang Yi, declarou que seu país está disposto a oferecer apoio financeiro à Venezuela. De acordo com o Instituto Internacional de Finanças de Washington, que representa alguns dos maiores bancos do mundo, A Venezuela tem uma dívida externa pública de cerca de US$ 150 bilhões, incluindo US$ 23 bilhões da China. De um acordo com um banco de dados do Centro de Estudos Interamerican Dialogue, entre 2007 e 2016 a Venezuela recebeu da China  US$ 62 bilhões  em investimentos e empréstimos  em troca de petróleo. No entanto, o fluxo financeiro chinês começou a diminuir há cerca de três anos, quando Caracas pediu mudanças nos termos de pagamento, depois que a queda nos preços do barril e a redução em sua produção petrolífera deixaram a econmia sem divisas disponíveis.  


Fonte: O GLOBO 13/09/2018


domingo, 7 de agosto de 2016

O ‘NOVO’ MAL-ESTAR NA GLOBALIZAÇÃO


Por Joseph E Stiglitz


Grandes segmentos da população nos países avançados não estão em melhores condições
 


Há 15 anos, escrevi um pequeno livro chamado “Globalization and its Discontents” (“O mal-estar na globalização”), em que descrevia uma crescente oposição às reformas globalizantes nos países em desenvolvimento. Parecia um mistério: prometeram às pessoas nas nações emergentes que a globalização aumentaria o bem-estar geral. Então, por que tanta gente se tornara hostil a ela?

Agora, se somaram aos opositores da globalização nos países emergentes e em desenvolvimento dezenas de milhões nos países desenvolvidos. Pesquisas de opinião, inclusive um cuidadoso levantamento feito por Stanley Greenberg e seus associados para o Instituto Roosevelt, mostram que o comércio está entre as maiores fontes de descontentamento para uma grande parcela dos americanos. Visões similares aparecem na Europa.

Como é possível que seja tão mal visto algo que nossos líderes políticos — e muitos economistas — disseram que deixaria a todos em melhores condições?

Uma resposta que se ouve de economistas neoliberais que defenderam essas políticas é que as pessoas estão em melhores condições. Elas simplesmente ignoram isso. Seu malestar é questão para psiquiatras, em vez de economistas.

Porém, dados sobre renda sugerem que são os neoliberais que podem se beneficiar de uma terapia. Grandes segmentos da população nos países avançados não estão em melhores condições: nos EUA, os 90% mais pobres enfrentam uma estagnação da renda há 25 anos. A renda média dos trabalhadores homens em horário integral é atualmente menor em termos reais (considerada a inflação) do que era há 42 anos. Na base da pirâmide, os salários reais são comparáveis aos níveis de 60 anos atrás.

Os efeitos do dissabor econômico e desestruturação que muitos americanos estão vivendo aparecem até mesmo nas estatísticas de saúde. Por exemplo, os economistas Anne Case e Angus Deaton, este vencedor do Prêmio Nobel de 2015, mostraram que a expectativa de vida no segmento de americanos brancos está caindo.

As coisas estão um pouco melhores na Europa — mas só um pouco.

O novo livro de Branko Milanovic, “Global Inequality: A New Approach for the Age of Globalization” (“Desigualdade global: Uma nova abordagem para a era da globalização”) fornece alguns insights vitais, ao mirar nos grandes vencedores e perdedores em termos de renda em duas décadas, entre 1988 e 2008. Entre os grandes vencedores está o 1% global da plutocracia mundial, mas também a classe média em novas economias emergentes. Entre os grandes perdedores — aqueles que ganharam pouco ou nada — estão aqueles na base da pirâmide e as classes média e trabalhadora dos países desenvolvidos. Globalização não é a única razão, mas é um dos motivos.

Considerando-se uma situação ideal, o mercado livre equilibraria os salários dos trabalhadores sem qualificação em todo o mundo. O comércio de bens é um substituto para o deslocamento de pessoas. Importar bens da China — que requerem um grande número de trabalhadores sem qualificação para serem produzidos — reduz a demanda por trabalhadores sem qualificação em Europa e EUA.

Esta força é tão poderosa que, se não houvesse custos de transporte, e os EUA e a Europa não tivessem outra fonte de vantagens competitivas, tais como tecnologia, no fim seria como se os trabalhadores chineses continuassem imigrando para os EUA e a Europa até que as diferenças salariais tivessem sido completamente anuladas. Não é de estranhar que os neoliberais nunca tenham divulgado esta consequência da liberalização comercial que apregoavam beneficiar a todos.

O fracasso da globalização em entregar as promessas dos políticos de plantão atingiu a confiança no “sistema”. E as ofertas generosas dos governos para resgatar os bancos responsáveis pela crise financeira de 2008, enquanto deixaram os cidadãos comuns à própria sorte, reforçaram a visão de que o fracasso não era mera questão de equívocos econômicos.

Nos EUA, os republicanos no Congresso até mesmo se opuseram à assistência daqueles diretamente atingidos pela globalização. De um modo geral, os neoliberais, aparentemente preocupados com os efeitos adversos dos incentivos, se opuseram a medidas de bem-estar social que protegeriam os perdedores.

Mas não se pode ter tudo: se a globalização é para beneficiar a maior parte da sociedade, medidas robustas de proteção social devem ser implementadas. Os escandinavos compreenderam isso há muito tempo; faz parte do contrato social que manteve a sociedade aberta à globalização e às mudanças tecnológicas. Os neoliberais de outros lugares não tiveram a mesma compreensão — e, agora, estão sendo punidos nas eleições nos EUA e na Europa.

A globalização, evidentemente, é apenas parte do que está acontecendo. A renovação tecnológica é outra parte. Mas toda essa abertura deveria ter nos tornado mais ricos, e os países avançados poderiam ter implementado medidas que garantissem que os ganhos fossem amplamente compartilhados.

Em vez disso, empurraram políticas que reestruturam os mercados elevando a desigualdade e minando a performance econômica geral. O crescimento desacelerou à medida que as regras do jogo foram reescritas para estimular interesses de bancos e corporações — os ricos e poderosos — às custas do resto.

A mensagem principal em “Globalization and its Discontents” era que o problema não era a globalização, mas como o processo estava sendo administrado. Infelizmente, a administração não mudou. Quinze anos mais tarde, o novo mal-estar trouxe essa mensagem de volta aos países desenvolvidos.


*Joseph E. Stiglitz é Prêmio Nobel de Economia, é professor da Universidade de Columbia ( EUA) e economista-chefe do Instituto Roosevelt.

Fonte: O Globo de 07/08/2016


A CONTA DOS SONHOS FICARÁ NO BRASIL


                

 Por Elio Gaspari


Daqui até o fim dos jogos, centenas de jovens subirão nos pódios, baixarão a cabeça e receberão as medalhas de ouro das Olimpíadas do Rio. Serão momentos de sonho, felicidade e alegria. Da alegria dos jovens que sorriam para o mundo durante o desfile dos atletas na festa da abertura. Nada reduzirá a beleza dessas cenas. Para os brasileiros, ficarão os momentos de sonho e a conta. Alguém ainda fará o cálculo da fatura dos custos diretos e indiretos transferidos à Viúva. Chutando para cima, poderá chegar a R$ 500 milhões.

O Maracanã, joia da privataria do governo do Rio e da Odebrecht, tornou-se um magnífico elefante branco, incomparável em noites de festa. A manutenção das instalações olímpicas custará R$ 59 milhões anuais num estado cuja rede de saúde pública entrou em colapso. A máquina de marquetagem que prometeu Olimpíadas sem dinheiro público voava nas asas dos jatinhos de Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, candidato ao pódio mundial. Era o tempo em que os governantes torravam o dinheiro achando que o pré-sal cobriria qualquer projeto.

Nos dias em que os problemas da vila olímpica dominaram o noticiário foi frequente o argumento de que os críticos da festa carregavam o eterno “complexo de vira-lata”. Criação de Nelson Rodrigues, ele refletia “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. Bola dentro, mas às vezes a questão é mais complicada. Há cães de raça, mas há também adoráveis vira-latas.
A sorte, essa trapaceira, fez com que o repórter José Maria Tomazela mostrasse uma nova dimensão da problemática canina. Ele expôs a ação de uma quadrilha de Sorocaba (SP) que mutilava e pintava filhotes de vira-latas, transformando-os em chihuahuas, e pinschers. Vendiam chihuahuas por R$ 300.


Viu-se assim outro ângulo da questão: há gente que vende chihuahuas e entrega vira-latas maquiados a pessoas que resolveram acreditar neles.


Fonte: O Globo de 07/08/2016

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

POR QUE O RIO QUEBROU?

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Por CID BENJAMIN 


Estado deixou de arrecadar R$ 185 bilhões com ICMS, por conta de isenções a grandes empresas

O Estado do Rio está quebrado. A afirmação não é nova. O próprio governador decretou calamidade pública. Mas o Rio não quebrou por algum desastre natural. Quebrou por práticas indefensáveis e inaceitáveis de seus governantes. Cabral, Pezão e, agora, Dornelles culpam a queda do preço do petróleo, e a consequente diminuição das receitas dos royalties, pela situação. É meia verdade. E, como muitas meias verdades, esconde uma enorme mentira.

Vamos deixar de lado as denúncias das comissões que teriam sido recebidas por autoridades, encarecendo as obras públicas. Afinal, são feitas por empresários confessadamente corruptos que tentam diminuir as penas com “delações premiadas”. É preciso esperar pela manifestação final do Judiciário.

Para explicar a falência do estado, e sem acusar quem quer que seja de corrupção, vamos nos ater ao que está documentado: os favores a grandes empresas e a farra das isenções fiscais.Antes de tratarmos das concessões mais volumosas, vale a pena fazer registros que são pitorescos. Dentre as empresas agraciadas com isenções fiscais, uma é a Termas Solarium. Outra, os cabeleireiros Werner. Uma terceira, as joalherias H. Stern. Fica a dúvida sobre os critérios para as isenções.

Outro fato inusitado: em dezembro de 2015, tomando uma decisão a que não estava obrigado, Pezão resolveu pagar a conta de luz da subsidiária da Odebrecht que opera os trens da SuperVia, no valor de R$ 38 milhões. A justificativa? As tarifas de energia subiram mais do que o previsto e, por isso, a margem de lucro da empresa foi menor do que o esperado. Ora, as tarifas subiram para todos os consumidores. Por que o presente de Natal para a Odebrecht?

Mas — é forçoso reconhecer — embora isso tudo seja grotesco, não foi o que quebrou o estado.

Vamos, então, ao cerne da questão, com números do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Entre 2005 e 2015, o governo arrecadou R$ 236 bilhões com o ICMS — a sua segunda fonte de receita, logo depois dos royalties do petróleo. Mas — pasmem! — deixou de arrecadar R$ 185 bilhões com o mesmo imposto, por conta de isenções a grandes empresas. É estarrecedor.

Para cada real que arrecadou de ICMS, o estado isentou R$ 0,78.

Mesmo em 2015, já em declarado estado de crise, com os salários de servidores em atraso, hospitais fechados e a Uerj inviabilizada, foram mais de R$ 36 bilhões em renúncia do ICMS. Esse valor é superior ao que foi arrecadado com o imposto (R$ 35 bilhões). Como isso se explica?

Até mesmo as empresas que estão na dívida ativa do estado, que hoje alcança R$ 66 bilhões, foram agraciadas com favores no ICMS. Das 11 maiores devedoras, seis receberam isenções, duas têm sedes fantasmas e três faliram. Sabendo-se disso, fica claro por que o estado está quebrado.


É preciso que a população tenha ciência desse quadro para que possa avaliar as gestões do PMDB. E para que possa cobrar, não só daquele partido, mas de outros — como PT e PCdoB — que lhe deram sustentação ao longo desse tempo.


Fonte: O Globo de 04/08/2016 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

QUATRO IMPOSSIBILIDADES E UM IMPEACHMENT

*Por Rogério Furquim Verneck




Chocado com a profundidade da recessão e com as proporções da assustadora interação da crise econômica com a crise política, o país foi surpreendido pela notícia de que o presidente da Câmara decidira, afinal, acolher pedido de abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Embora ainda seja difícil vislumbrar com um mínimo de nitidez os complexos desdobramentos dessa decisão, é inevitável que as especulações sobre isso dominem o debate político e econômico do país nos próximos meses. O que se pode fazer, de imediato, é analisar em que medida as dificuldades que a presidente Dilma já vinha enfrentando foram agravadas pela deflagração do processo de impeachment.

Para perceber quão difícil já era a posição da presidente Dilma, é importante entender que ela se defrontava com quatro impossibilidades sérias que impunham a seu governo perspectivas muito pouco promissoras. Para quem não tinha se deixado levar pela autoilusão, já estava mais do que claro que:

1 — Sem que o governo mostrasse que tinha condições de conduzir a superação da crise econômica, seria impossível conter o alarmante processo de fragilização política da presidente Dilma;

2 — sem um programa ambicioso e convincente de mudança do regime fiscal, seria impossível reverter a incerteza sobre a sustentabilidade das contas públicas, que vem impedindo a superação da crise econômica;

3 — como faltavam à presidente a convicção necessária e o respaldo político requerido, tal mudança de regime fiscal estava completamente fora do seu alcance;

4 — sem condições de conter os efeitos avassaladores que o prolongamento da crise econômica estava fadado a ter sobre a produção e o emprego em 2016, a presidente não teria como se livrar da prevalência de um quadro de grande incerteza política, turbinado por risco crescente de impeachment.

Ter essas quatro impossibilidades em mente ajuda a entender com mais clareza quão delicada já era a situação que vinha sendo enfrentada pela presidente Dilma, antes da deflagração do processo de impeachment.

Que, sem dar sinais inequívocos de que seria capaz de conduzir a superação da crise econômica, a presidente não conseguiria conter sua fragilização política era algo que Lula já vinha defendendo com grande empenho. O problema é que Lula acreditava que tais sinais poderiam advir de uma simples encenação que um novo ministro da Fazenda se disporia a fazer.

Que a superação da crise econômica exigiria mudança mais ambiciosa do regime fiscal era um fato considerado absolutamente trivial pela grande maioria dos analistas do quadro econômico brasileiro. E que a falta de convicção e de respaldo político da presidente Dilma impediria que ela levasse adiante tal mudança era quase consensual.

Tendo em vista a inexorabilidade das três primeiras impossibilidades, a presidente parecia condenada a enfrentar o desgaste político implícito na quarta impossibilidade. Bastava ter em mente que cada ponto percentual de aumento da taxa de desemprego significaria mais um milhão de pessoas desempregadas. E que o que se previa era que a taxa de desemprego se elevaria em pelo menos três pontos percentuais ao longo dos próximos meses.

É esse desgaste político adicional que deverá ser agora exacerbado pela deflagração do processo de impeachment. Com o Congresso conflagrado e a presidente fixada na salvação de seu mandato, a condução da política econômica deve se tornar ainda mais problemática do que vem sendo. E, à medida que o desconforto social com os efeitos do prolongamento da crise econômica se agrave nos próximos meses, a coalizão favorável ao impeachment pode se tornar irresistível.

Mais cedo ou mais tarde, o desfecho do processo de impeachment acabará ditado pela sensibilidade do Congresso à posição do eleitorado sobre a questão. Mas o Planalto sabe que, na disputa pela opinião pública, enfrentará grandes dificuldades. E nisso, tem toda razão. O que a presidente tem a mostrar, ao final de cinco anos de governo?


*Rogério Furquim Verneck é economista e professor da PUC


Fonte: O GLOBO

ECONOMIA DO IMPEACHMENT

Por José Paulo Kupfer 



Sugere-se contar até dez antes de aderir às primeiras e apocalípticas narrativas a respeito do que pode acontecer com a economia depois da admissão do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Se fosse um evento inesperado, as consequências do fato poderiam indicar mudança abrupta de rumos ou acentuada aceleração de tendências. Mas, como vinha sendo cozinhada em fogo lento há muito tempo, a ação chantagista do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, não deve mudar praticamente nada na trajetória econômica já desenhada para os próximos meses.




Se alguma coisa pode mudar, na verdade, é no sentido de abrir espaços para encurtar o roteiro de incertezas alimentado pela indefinição sobre o futuro de Dilma. No mundo dos negócios, ninguém que decida o que quer que seja sairá, no momento, da posição defensiva em que se encontra — não sendo o caso de avançar com investimentos, não o é também de recuar ainda mais. Além disso, a marcação do início do processo — que, enquanto perdurou como hipótese, paralisou tanto a economia como a política — estabeleceu o calendário para o seu desfecho, em intervalo de tempo relativamente curto, entre um e três meses.

A reação inicial dos mercados, no dia seguinte à admissão do processo de impeachment, também não deve ser tomada por seu valor de face. A subida da Bolsa e a valorização do real ante o dólar, na contramão dos movimentos nas praças internacionais, ajudam a lembrar que o mercado já se posicionara contra Dilma nas eleições do ano passado e vê com gosto a troca de guarda no governo, ainda que antes do próximo pleito. Mais do que nunca, a volatilidade será a regra.

Como ficou fartamente demonstrado com os resultados do PIB do terceiro trimestre, divulgados nesta terça-feira, a situação da economia é muito ruim — a recessão já se prolonga por seis trimestres e, em relação ao seu início, acumula perda de 5,8%, num dos ciclos de baixa mais longos e profundos em muitas décadas. Nem por isso as perspectivas de médio prazo são melhores e as hipóteses mais prováveis indicam mergulho ainda mais fundo nos próximos trimestres.

A chave desse forte empuxo baixista vem, principalmente, de dois componentes da demanda agregada que raramente atuam em direções divergentes. Não é só a demanda que determina o investimento, mas, com o consumo das famílias no chão, derrubado pelo desemprego, a inflação e a contração do crédito — todos com chance de piorar, no curto prazo —, o investimento tende ainda mais à inibição. A perspectiva do impeachment entrou nesse caldo como uma dose de pimenta.

Com as previsões de que o PIB caia 1% no último quarto do ano, a contração da economia em 2015 deve ficar entre 3,5% e 4% e só o carregamento estatístico estimado para 2016 garante novo encolhimento de pelo menos 2% para o ano que vem, com tendência a avançar até o entorno de 3% negativos. O horizonte de alguma retomada em 2017, descrito por um razoável conjunto de projeções, se daria a partir de uma base deprimida em inéditos 7%.

É possível imaginar que os temas econômicos de interesse do governo continuem a enfrentar dificuldades no Congresso, entrando como parte da coreografia que comporá o balé político do impeachment — nada, aliás, muito diferente do que já ocorria desde o início do segundo mandato de Dilma. Em todo caso, alguns dos pontos mais importantes do ajuste fiscal, incluindo a aprovação da meta deficitária de 2015, a manutenção de vetos presidenciais, desarmando pautas-bomba, e a acomodação da CPMF no projeto orçamentário de 2016, são batalhas vencidas.

Tudo resumido, as condições gerais do que se poderia chamar de “economia do impeachment” podem passar uma sensação térmica de frio mais intenso do que aponta a coluna de mercúrio dos termômetros. Estes mostram que, se a temperatura econômica, no médio prazo, ainda deve baixar, não se deveria esperar que fosse pela formação de novas massas polares na frente política.


Fonte: O GLOBO 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A OBRA DE DILMA

POR MÍRIAM LEITÃO COM MARCELO LOUREIRO

 
 
Como o país conseguiu chegar a um déficit primário de R$ 60 bilhões? Foi um processo de pioras sequenciais, persistência no erro e manipulação de indicadores fiscais. O resultado da desastrosa administração das finanças públicas no governo Dilma Rousseff chegou agora, em 2015. Mas quem olha a série histórica desta administração percebe que o poço foi cavado ano após ano.Este ano não é um ponto fora da curva, e sim um resultado que a presidente Dilma buscou persistentemente.
 
No começo, a desculpa era a da necessidade de políticas anticíclicas para recuperar o país após a crise financeira internacional de 2008. Essas políticas foram necessárias num primeiro momento, em 2009, ainda no governo Lula, mas depois do forte crescimento de 2010 teria sido mais sensato reverter as políticas e preparar o ajuste. O governo preferiu continuar erodindo o superávit primário. 

A redução do número não diz tudo porque começou a haver descontos na meta fiscal a ser atingida. O resultado não era o que estava escrito. O governo, a cada ano, aumentava o percentual de despesas que não deveriam ser computadas como despesas, de investimentos à perda de arrecadação com as desonerações.

As reduções de tributação para empresas que empregam muito tinham uma boa justificativa e foram mais horizontais. Mas a maioria dos benefícios fiscais foi concedida a setores escolhidos, a começar pela indústria automobilística.

O governo aumentou os gastos, engessou mais o orçamento e superindexou o salário mínimo, o que fez crescer ainda mais as despesas previdenciárias. Mesmo diante do aumento do rombo nas contas do INSS e da previdência pública, não tomou providência alguma. Nunca combateu o que tinha cara de fraude, como o aumento exponencial dos gastos com seguro-desemprego mesmo numa época de queda do desemprego. Aproveitou o crescimento da arrecadação para gastar mais. Várias despesas subiram de forma insustentável. Agora o governo enfrenta a queda da receita e tem que cortar até no essencial.

Um ponto importante para se entender o momento vivido agora com esse rombo gigantesco é que o governo rejeitou todas as críticas. Todos os especialistas ou jornalistas especializados na área econômica que mostraram os riscos, as maquiagens contábeis, o aumento do problema fiscal foram tratados com desprezo e estigmatizados. O Banco Central não alertava suficientemente para a deterioração fiscal e em vários comunicados dizia que esta área estava sob controle. Para não enfrentar uma briga interna, o BC se omitiu muitas vezes no alerta que deveria ter feito às autoridades que administravam as contas públicas.

O ministro Guido Mantega e seu secretário do Tesouro, Arno Augustin, demonstravam desprezo pelo equilíbrio fiscal. Para eles, bastava que os números parecessem bons, não precisavam ser verdadeiros. Os truques repetidos e abusivos levaram a presidente à desconfortável situação de enfrentar uma possível rejeição às suas contas de 2014. As "pedaladas" ainda não foram quitadas em 2015 nem estão computadas no déficit divulgado ontem.

O ministro Joaquim Levy tem sido uma voz isolada dentro do governo sobre a necessidade de ajuste fiscal forte. Ele foi favorável a um contingenciamento maior, mas a presidente preferiu fazê-lo menor e isso produziu o primeiro estresse dentro da equipe econômica. Depois, houve uma sucessão de atritos. O pior deles foi na decisão desastrada de enviar o Orçamento de 2016 com déficit para o Congresso.

Não foi enviada qualquer proposta relevante de mudança estrutural nos gastos públicos, e as poucas iniciativas foram bombardeadas no Congresso. O caso mais eloquente foi a MP 664, que virou um bumerangue. Era para reduzir o gasto com pensão das viúvas muito jovens e acabou virando veículo para um explosivo aumento de gastos previdenciários nos próximos anos, com o fim do fator e a entrada em outro regime de aposentadoria.
 
Por omissão, mas principalmente por ação, o governo chegou ao dia em que teve que confessar um déficit primário deste tamanho. Ele não foi feito num ano. É a resposta que os números dão a uma presidente que fez por merecê-los. Esta é a cara da administração Dilma Roussef.
 
 

 
 
 
 

Fonte: O Globo de 28/10/2015












sábado, 24 de outubro de 2015

NA CORDA BAMBA

Por Geovani F. dos Santos
 
 
O governo de Dilma Rousseff segue atarantado, envolto no difícil dilema de manter-se no poder à duras penas, sacrificando-se ao máximo em manobras fisiologistas e concessões políticas que aplaquem a voracidade dos seus adversários. No entanto, torna-se evidente que estes malabarismos são apenas uma espécie de paliativo que produz uma ação de alívio momentânea, todavia, não é capaz de resolver o problema em definitivo. Logo após uma aparente melhoria do quadro, os sintomas podem vir acompanhados de mais virulência e de suas consequências imprevisíveis. Enquanto o governo caminha na corda bamba e preocupa-se com as amenidades do poder, ainda não conseguiu demonstrar bom-senso no que tange ao rumo que dará à nau brasileira ou que medidas levarão a combalida economia da pátria novamente ao caminho do crescimento.
 
 
 
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A incapacidade de enxergar o óbvio e a inabilidade de se autogerir em decisões importantes, passam a ideia de que Rousseff é teleguiada por vontades alheias a sua própria vontade, o que, por sua vez, dariam a nítida impressão de sua pusilanimidade política e também de sua incompetência administrativa no lidar com a máquina pública.  Afinal de contas, ela seria considerada um mero fantoche do PT, um verdadeiro títere habilmente manipulado pelo seu antecessor e mentor Lula, que continua a dar pitacos em seu governo, sugerindo-lhe que se faça isso ou aquilo. Se a mandatária seguir as instruções bisonhas do molusco correrá o risco de colocar a corda da forca definitivamente ao seu pescoço e ir para o cadafalso, decretando o seu suicídio político e, com efeito, dando munição para que a oposição deflagre o impeachment.

Lula não aprova as medidas adotadas por Joaquim Levy e até já sugeriu a demissão do ministro alegando que o discurso dele é um discurso de quem “perdeu as eleições ano passado”, “desesperançado”, não vendável e, que, por isso, sua validade já foi vencida. O molusco acredita que o ministro é muito austero em sua forma de atuação e o seu ideário destoa das políticas populistas adotadas pelo PT durante toda a sua trajetória no poder. O ex-presidente não aceita ajustes ou quaisquer mecanismos de controle, fato que caracterizou os anos de seu governo em que se adotou medidas de estímulo de crédito levando a população a gastança e vendendo falsa sensação de que o governo conseguiu retomar a economia.


O economista Rogério Furquim Werneck em artigo de opinião em O Globo de 23/10/2015, escreveu:


Tudo indica, contudo, que a presidente Dilma já percebeu que ter Joaquim Levy à frente do Ministério da Fazenda é um dos poucos fatores que ainda vêm impedindo que ela se afogue de vez. E que, se levar adiante a reorientação de política econômica preconizada por Lula e pelo PT, é difícil que possa sobreviver aos desdobramentos políticos da grave deterioração adicional do quadro econômico que, mais uma vez, ela mesma terá desencadeado.



Pelo visto, e, como se pode depreender do texto acima, Levy ainda é a última tábua de salvação para a presidente Dilma. Com ele em seu governo, apesar de toda a oposição e fogo amigo, ela ainda pode respirar mesmo com alguns atropelos. Ninguém pode declarar quanto tempo durará este casamento e se Dilma conseguirá, mesmo com a ajuda dele, conduzir o Brasil para fora do buraco em que está abeirado. Torçamos pelo melhor! 
 

 

 





 

sábado, 17 de outubro de 2015

OS DESVIOS DO PT

Por Geovani F.Santos

 O governo petista segundo Mirian Leitão, é muito parecido com o governo militar em sua forma de gerir a coisa pública. Vejamos:  “politizou a escolha de grupos vencedores, dinheiro barato financiado com os impostos da população, fechamento da economia para reduzir a competição, regulação tendenciosa que beneficiava uns em detrimento de outros”. Ora, aqueles que tanto criticaram o governo militar acabaram por reproduzir as suas mesmas práticas despóticas e nefastas as quais muitos problemas trouxeram ao país no passado. Implica dizer que o PT soube se superar em termos de má política e, agora, vendo-se em palpos de aranha, tentam minimizar a situação alegando um paternalismo desmedido em nome dos pobres. A conta, como já dizemos será paga por toda a sociedade, mas quem sentirá os seus efeitos mais pesados serão os que ganham menos e estão bem abaixo da pirâmide social.  Como toda ação produz uma reação, os desvios do planalto estão por ressuscitar o fantasma da hiperinflação a toque de caixa e dos seus próprios desmandos.
O problema dos políticos é pensar que o dinheiro público é um bem que lhes pertence e sobre o qual podem agir da forma que bem entenderem. Milhões foram desviados dos cofres públicos para engordarem as contas de figurões em paraísos fiscais mundo afora e, agora, que o escândalo vem a público, os mesmos posam de bons moços, até mesmo invocando brios morais que não possuem. O descaramento e a desfaçatez são vícios recorrentes no meio político, respaldado por leis draconianas, corrupção e leniência dos que estão na posição denunciá-los. O jogo político é mais sujo do que “pau de galinheiro” e, não se pode esperar nenhuma moralidade daqueles que querem o poder pelo poder. O partido dos trabalhadores é um exemplo disso, bem como as bancadas de outros partidos que se tornaram os seus acólitos em troca de benesses escusas. No fim tudo acaba numa verdadeira parceria entre compadres ou como sempre – em pizza.                    

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O RELÓGIO DE MERKEL





A Alemanha habita um paradoxo. É o país decisivo para a Europa sair desta crise vital, ao mesmo tempo que é o obstáculo principal à sua solução. Contudo, nenhum outro país sabe melhor do que a Alemanha que o caminho da Europa vacila entre o federalismo e a desintegração catastrófica. Quando a chanceler Merkel comemorou o seu 35.º aniversário, ainda na ex-RDA, no lado de lá do muro existia um país inimigo. Se a Guerra Fria tivesse atingido o ponto de ebulição, os primeiros combates seriam entre os alemães da NATO e os alemães do Pacto de Varsóvia. Em vez disso, a RDA acrescentou cinco estados federados à RFA. 

O grande filósofo Habermas usou, nessa altura, a expressão "patriotismo constitucional". Do que a UE precisa é de um tratado federal que permita unir os cidadãos europeus numa comunidade de destino. Merkel sabe isso, mas o seu relógio está atrasado. Ela fala de uma união política para um futuro indeterminado, quando precisamos dessa união no prazo máximo de três anos. Relvas está tão enganado como Sócrates esteve. Temos de falar com os gregos, os irlandeses, os espanhóis, os italianos... É tempo de acabar esta guerra absurda da "dívida soberana"! É preciso dizer à chanceler Merkel que urge sincronizar os nossos relógios.



Artigo de  opinião de Viriato Soromeno Marques publicado no Diário de Notícias de Portugal  









Meu Comentário: O mundo assiste atônito o desenrolar da crise mundial que desbancou inúmeros países considerados em outros tempos ricos, mas que agora amargam índices de crescimento grotescos ou quase à beira da estagnação. Rebaixados pelas agências de rating à lixo, estes entes federativos procuram desesperadamente enxugar suas dívidas por meio de medidas austeras e impopulares de aumento de impostos, diminuição de salários, demissões em massa, e outras medidas paliativas para tentar estancar o sagramento que há muito ameaça a estabilidade do bloco Europeu.O cenário de crise mundial conclama todos os países na zona do euro a se ajudar mutuamente. É hora de deixar de lado certos entraves políticos e ideológicos no afã de se buscar uma saída que possibilite o crescimento econômico sólido com base na responsabilidade fiscal e numa distribuição de renda justa que atenda com equidade a todas as classes trabalhadoras há muito aviltadas pelos governos.Isso, no entanto, não é tarefa fácil. Colocar a casa em ordem depois da bagunça generalizada envolve uma série de atitudes e compromissos sérios, que se não levados a efeito pelos dignatários destas nações, levarão a resultados ainda mais imprevisíveis a longo prazo. O fato de se receber socorro econômico em altas somas de dinheiro pode ser tão perigoso quanto dar uma calote na dívida. Ambos são armas de dois gumes e devem servir como elemento inibidor de qualquer ação pródiga de gastos bem como de intemperança no tocante a administração destes recursos. Se o euro der com os burros n'agua será por incompetência dos governos e não pela ausência de possibilidades à mão.