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sábado, 6 de outubro de 2018

UM NOVO TEMPO

Por Geovani F . dos Santos


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Os brasileiros não podem perder a oportunidade de dizer aos velhos chacais da política brasileira que estão fartos dos seus discursos mentirosos e de sua desfaçatez. Neste domingo, 07/10 uma nova história pode ser escrita com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência do Brasil. Depois de dois mandatos de governos esquerdistas, cuja ideologia perniciosa mergulhou o país no caos, um novo tempo precisa ter início com a possibilidade de mudanças significativas para o nosso povo, já tão cansado de promessas e farto de anos de malabarismos retóricos que não levaram a nação a lugar nenhum. Neste domingo vote 17!

domingo, 7 de agosto de 2016

A CONTA DOS SONHOS FICARÁ NO BRASIL


                

 Por Elio Gaspari


Daqui até o fim dos jogos, centenas de jovens subirão nos pódios, baixarão a cabeça e receberão as medalhas de ouro das Olimpíadas do Rio. Serão momentos de sonho, felicidade e alegria. Da alegria dos jovens que sorriam para o mundo durante o desfile dos atletas na festa da abertura. Nada reduzirá a beleza dessas cenas. Para os brasileiros, ficarão os momentos de sonho e a conta. Alguém ainda fará o cálculo da fatura dos custos diretos e indiretos transferidos à Viúva. Chutando para cima, poderá chegar a R$ 500 milhões.

O Maracanã, joia da privataria do governo do Rio e da Odebrecht, tornou-se um magnífico elefante branco, incomparável em noites de festa. A manutenção das instalações olímpicas custará R$ 59 milhões anuais num estado cuja rede de saúde pública entrou em colapso. A máquina de marquetagem que prometeu Olimpíadas sem dinheiro público voava nas asas dos jatinhos de Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, candidato ao pódio mundial. Era o tempo em que os governantes torravam o dinheiro achando que o pré-sal cobriria qualquer projeto.

Nos dias em que os problemas da vila olímpica dominaram o noticiário foi frequente o argumento de que os críticos da festa carregavam o eterno “complexo de vira-lata”. Criação de Nelson Rodrigues, ele refletia “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. Bola dentro, mas às vezes a questão é mais complicada. Há cães de raça, mas há também adoráveis vira-latas.
A sorte, essa trapaceira, fez com que o repórter José Maria Tomazela mostrasse uma nova dimensão da problemática canina. Ele expôs a ação de uma quadrilha de Sorocaba (SP) que mutilava e pintava filhotes de vira-latas, transformando-os em chihuahuas, e pinschers. Vendiam chihuahuas por R$ 300.


Viu-se assim outro ângulo da questão: há gente que vende chihuahuas e entrega vira-latas maquiados a pessoas que resolveram acreditar neles.


Fonte: O Globo de 07/08/2016

quarta-feira, 13 de julho de 2016

NOTICIAS NADA ALVISSAREIRAS




Por Geovani F. dos Santos

As notícias que chegam todos os dias aos lares de milhões de brasileiros não são de bom augúrio. Enquanto os governantes se digladiam pela sucessão do famigerado “ex-presidente da Câmara dos Deputados -  Eduardo Cunha –  envolvido em denúncias de desvio e lavagem de dinheiro e, inclusive, investigado pela Operação Lava-jato da Polícia Federal, o país segue claudicante amargando altos índices de desemprego e caos social em diversas áreas.

Somam-se a isso, o suspense da saída ou não de Dilma Rousseff   definitivamente do poder, o que tem acirrado ainda mais os ânimos políticos com todas as suas respectivas repercussões negativas ao cenário nacional. O país parece viver em um transe hipnótico profundo, uma espécie de torpor generalizado. A sensação de paralisia é perceptível no olhar de muitos desesperançados cidadãos, os quais há muito perderam a credibilidade nos governantes

Milhões são escoados pelo ralo da corrupção de modo infrene e, neste ínterim, a população pobre é postergada a uma condição cada vez maior de penúria e descaso, tendo que encarar o péssimo atendimento do setor público, quase falido, e também a incúria dos que deveriam representá-los e lhes conceder dignidade de atendimento.

Somos todos reféns de marginais que ascenderam ao poder pela anuência do voto e, uma vez instalados no poder, aproveitam-se do mesmo para engendrar suas maquinações malévolas e, amealhar, sem quaisquer escrúpulos, patrimônios que jamais conseguiriam em uma vida inteira trabalhando honestamente de sol a sol. Estes ladravazes rapaces, insuflam ainda maior dano ao erário público e perpetuam o atraso de nossas instituições, infringindo leis e penalizando os que mais carecem de cuidados em nossa sociedade. 

Estes “abutres” aviltantes precisam ser defenestrados o mais rápido possível de nossas vidas, se é que queremos, de fato, que o nosso país alcance patamares melhores no futuro. É necessário que haja um amadurecimento político de nosso povo e, sobretudo, uma profunda conscientização social que se atenha à realidade inconteste de que o voto tem consequências, e consequências funestas a curto e a longo prazos. Já é hora de dizermos não aos políticos oportunistas que, se valendo de táticas demagógicas e assistencialistas, são responsáveis pela manutenção do status quo de miséria e atraso de nossa pátria. Despertemo-nos e sejamos diligentes nesta tarefa. Não reelejamos estes que usam o deboche e o desrespeito contra o nosso povo, expulsemo-los e demonstremos que eles são irrelevantes ao nosso Brasil.  

OITO MESES APÓS CHACINA


 
CAIO BARRETTO BRISO



“Tem dias em que acordo deprimida, sem querer levantar (...) De vez em quando, me sinto um pouco melhor. Mas estou presa. Nunca mais serei feliz” Monica Correa Mãe de Cleiton “É a maior dor do mundo. Eu e meu filho trocávamos mensagens o dia inteiro. Ele me perguntava onde eu estava, se precisava de alguma coisa...” Adriana Pires da Silva Mãe de Carlos Eduardo
 




Uma rajada de tiros ecoa no Morro da Lagartixa. Monica se arrepia. A noite foi maldormida por causa dos disparos madrugada adentro. Lágrimas escorrem pelos olhos, já cansados de chorar, e molham o rosto sem rugas. É impossível não lembrar de Cleiton, o mais velho de cinco filhos, morto com 11 tiros de fuzil a poucos metros de casa. Oito meses depois da Chacina de Costa Barros, a dor imensurável golpeia sem dó o coração materno.

— Cada vez que escuto um tiro penso no que Cleiton sentiu quando entrou a primeira bala. Não consigo parar de pensar nisso. Nenhuma mãe suporta ver um arranhão em seu filho, imagine vê-lo transformado em picadinho. Meu filho foi enterrado nu, porque não era mais um corpo que pudesse ser vestido — desabafa Monica Correa, antes de outra rajada soar em Costa Barros.

A canção da guerra toca todos os dias no bairro da Zona Norte que virou sinônimo de violência. Para as mães dos cinco amigos que morreram juntos, em 28 de novembro do ano passado, tiros trazem recordações: do último beijo, do adeus que não houve, da poça de sangue sob o Palio branco no qual os jovens saíram para lanchar. Cento e onze tiros mataram Cleiton, Wilton, Carlos Eduardo, Wesley e Roberto. Ninguém sofre igual a quem pôs os meninos no mundo. Na semana passada, Joselita de Souza, mãe de Betinho, foi internada em São João de Meriti com pneumonia e anemia. Não queria mais se alimentar nem sair da cama, muito menos de casa. Segundo parentes, a mulher que, antes da chacina, vivia sorrindo, morreu de tristeza. Tinha 44 anos.


DA JANELA, A CENA DO CRIME


A morte de Joselita expôs o drama das mães da chacina, que ganhou repercussão internacional. Monica mora de favor na antiga sede da Associação de Moradores do Morro da Lagartixa. Divide um espaço de dois cômodos com o marido e os quatro filhos. Há oito dias eles não têm água em casa, e é preciso contar com a solidariedade de uma vizinha para tomar banho e matar a sede. A pequena residência tem apenas uma janela. Vê-se a linha do trem, a velha estação de Costa Barros, um muro repleto de citações bíblicas. Ao longe, o temido Complexo do Chapadão encobre o horizonte. Morando há oito meses no local, desde que houve a tragédia, ela evita a janela para não sofrer. Dela, é possível avistar o ponto exato em que os cinco amigos foram assassinados.

— Tem dias em que acordo deprimida, sem querer levantar. Em outros acordo revoltada, pensando em fazer justiça com as próprias mãos. De vez em quando me sinto um pouco melhor. Mas estou presa. Nunca mais serei feliz — afirma.

Nos primeiros meses após a tragédia, Monica recebia até cinco cestas básicas por dia. Como não precisava de tanta comida, dividia com amigos. ONGs ofereciam apoio e prometiam lutar por justiça ao lado das mães. Segundo ela, o próprio governador Luiz Fernando Pezão prometeu aos familiares das vítimas, em encontro no Palácio Guanabara, que o estado lhes daria todo o apoio necessário, inclusive pagamento de aluguel social para quem desejasse sair de Costa Barros. Com o passar do tempo, as promessas não se cumpriram, as ONGs se afastaram e até conhecidos da comunidade são capazes de condená-la pela tristeza que não termina.

— Quando ando com essa cara triste pelo morro escuto as piores coisas que uma mãe pode ouvir. Dizem que vai doer menos se eu me conformar, que não sou a única no mundo a ter perdido um filho, que eu quero ficar famosa. Já me falaram até que não tenho motivo para sofrer porque fiquei rica com a indenização do estado. O governo não nos deu dinheiro algum, e a verdade é que não quero um centavo. Só quero sair daqui — desabafa. — Preciso salvar meus outros filhos.

A depressão de Monica é tão grave que ela sequer conseguia trabalhar até esta semana. Na segunda-feira, deu um grande passo: fez faxina pela primeira vez desde a chacina, em uma casa na Barra. Sentiu-se perdida no Terminal Alvorada, onde milhares de pessoas esperavam ônibus, todas alheias à sua dor. O que a mantém viva são os quatro filhos e a certeza, cada vez mais frágil, de que a justiça será feita. Sentimento parecido com o de Adriana Pires da Silva, de 36 anos, mãe de Carlos Eduardo, o Dudu. Ele era seu filho mais velho. Tinha 16 anos, mas agia como homem. Quando a mãe saía para trabalhar, o menino fazia o jantar e cuidava da pequena Maria Eduarda, de 6 anos. De vez em quando, chamava-o de “pai”.

Adriana repete para si uma pergunta perturbadora: por que 111 tiros? Acredita que os quatro policiais acusados pelos disparos queriam explodir o carro para ocultar provas. O corpo de Dudu foi dilacerado — dez balas atravessaram suas costas e uma, a nuca. No poço sem fundo da depressão que a consumiu, tentou suicídio duas vezes. A primeira, na véspera do Natal; a segunda, pouco depois do réveillon. Seu advogado, João Tancredo, pediu ao Tribunal de Justiça que obrigasse o estado a custear atendimento psicológico para mãe e filha. Em primeira instância, o pedido foi negado — a juíza Cristiana Santos considerou que a solicitação só poderia ser atendida após a condenação dos PMs Antonio Carlos Gonçalves Filho, Thiago Resende Viana Barbosa, Marcio Darcy Alves dos Santos e Fabio Pizza Oliveira da Silva, presos em flagrante por homicídio doloso e fraude processual, mas beneficiados por um habeas corpus que lhes permitiu responder em liberdade.

MEDO DE SAIR DE CASA


Em segunda instância, a 5ª Câmara Cível autorizou o pagamento, com multa diária de R$ 100 ao estado em caso de descumprimento. Já se passaram seis semanas e, até agora, o estado nada fez. Adriana estaria desamparada não fosse o escritório de advocacia de Tancredo, que tem arcado com psicólogo e psiquiatra.

— Éa maior dor do mundo. Eu e meu filho trocávamos mensagens o dia inteiro. Ele me perguntava onde eu estava, se precisava de alguma coisa, dava notícias da irmãzinha, dizia para eu não me preocupar, que estava tudo bem — lembra Adriana. — Agora estou melhorando. Mas morro de medo de sair na rua, sinto crise de pânico. Tenho medo de policiais me matarem.

Márcia Ferreira Oliveira, mãe de Wilton, que herdou o Palio branco do pai, só consegue dormir à base de remédios. Seu filho estava terminando um curso técnico de administração e contabilidade, morreu um mês antes de pegar o diploma. Assim como as outras, ela não recebe qualquer atendimento do estado — o secretário de Assistência Social, Paulo Melo, não foi encontrado para responder por que as famílias estão tão desamparadas.

Mãe de Wesley, a cozinheira Rosileia de Andrade chora todos os dias.

— Às vezes, ela volta do trabalho chorando o caminho todo. Era o único filho. Só tinha ele — conta Rosiel Pereira, padrasto de Wilton.

No fim da entrevista de Monica, uma terceira rajada de tiros assusta os moradores do Morro da Lagartixa, onde os cinco amigos moravam. Seu filho de 9 anos sai do escuro do quarto. — Mãe, sonhei com tiros. Ela responde: — Não foi sonho, filho. Foi real.


Fonte: O GLOBO

sábado, 2 de julho de 2016

OS JOGOS DA VERGONHA



Por Geovani Figueiredo dos Santos



Os Jogos Olímpicos de 2016, são a resultante de um período político em que se pensava que a estabilidade e o crescimento econômico perdurariam no Brasil indefinidamente, alavancando-o a potência de primeiro mundo em questão de tempo.   Em 2009, quando o Rio de janeiro desbancou Madri, Tóquio e Chicago e se tornou o país sede do evento, todos os holofotes do mundo foram voltados para os trópicos.

A época, o então presidente Lula, incensado à estrela política mundial e reconhecido líder emergente, propagandeou   com insistente engajamento político e apoio de inúmeros setores da sociedade a ideia de vender a imagem do Brasil como virtual candidato a sediar o evento. O esforço do então estadista-astro brasileiro tomou corpo, tornando-se realidade concreta em 2009, como já dissemos.

O boom econômico vivido pelo país naquele momento foi decisivo para cimentar a escolha e dar sustentação à candidatura. Com a economia da nação turbinada, a sensação de otimismo tomava conta de todos os brasileiros, abrindo caminho à consumação do sonho.

No plano político e econômico, o presidente Lula implementara inúmeras medidas que possibilitaram a melhoria das condições de existência da maioria da população, que passou a ter acesso a bens de consumo e ascensão social. Os programas sociais instituídos pelo então governo populista do PT, deram uma guinada considerável a esta pretensão e os indicadores previam como certo de que o Brasil se tornaria a quinta economia do mundo, suplantando a Grã-Bretanha e a França. 

A abertura dos Jogos está prevista para 5 de agosto e já não há nenhum motivo para festa dos brasileiros. Com o Estado do Rio de Janeiro mergulhado numa imensa crise política, econômica e social e o pais vivendo num abismo institucional com escândalos estourando por todos os lados, envolvendo inúmeros figurões do poder, parece que o tiro saiu pela culatra.  


O frenesi do passado deu lugar ao desespero e o otimismo dos brasileiros, no mesmo compasso, foi substituído por uma profunda sensação de insegurança quanto ao futuro. Segundo o jornal Americano, The New York Times, o PIB brasileiro encolheu 3,8% no ano passado e pelo andar da carruagem continuará encolhendo. Dificilmente, conforme já constatado, os países que sediam Olimpíadas recuperam os gastos dispendidos. O Brasil  já desembolsou 28,9 bilhões, mas cogita-se que os gastos sejam bem maiores, algo na casa de 39,1 bilhões. Destes bilhões gastos, segundo Andrew Zimbalist, economista especializado em esportes do SmithCollege em Massachusetts (EUA), o Rio recuperará apenas 9 bilhões. O restante, diga-se de passagem, será pago por todos nós!          

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

DILMA E O IMPEACHMENT



   
  Fonte: Folha de São Paulo                               
                                

QUATRO IMPOSSIBILIDADES E UM IMPEACHMENT

*Por Rogério Furquim Verneck




Chocado com a profundidade da recessão e com as proporções da assustadora interação da crise econômica com a crise política, o país foi surpreendido pela notícia de que o presidente da Câmara decidira, afinal, acolher pedido de abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Embora ainda seja difícil vislumbrar com um mínimo de nitidez os complexos desdobramentos dessa decisão, é inevitável que as especulações sobre isso dominem o debate político e econômico do país nos próximos meses. O que se pode fazer, de imediato, é analisar em que medida as dificuldades que a presidente Dilma já vinha enfrentando foram agravadas pela deflagração do processo de impeachment.

Para perceber quão difícil já era a posição da presidente Dilma, é importante entender que ela se defrontava com quatro impossibilidades sérias que impunham a seu governo perspectivas muito pouco promissoras. Para quem não tinha se deixado levar pela autoilusão, já estava mais do que claro que:

1 — Sem que o governo mostrasse que tinha condições de conduzir a superação da crise econômica, seria impossível conter o alarmante processo de fragilização política da presidente Dilma;

2 — sem um programa ambicioso e convincente de mudança do regime fiscal, seria impossível reverter a incerteza sobre a sustentabilidade das contas públicas, que vem impedindo a superação da crise econômica;

3 — como faltavam à presidente a convicção necessária e o respaldo político requerido, tal mudança de regime fiscal estava completamente fora do seu alcance;

4 — sem condições de conter os efeitos avassaladores que o prolongamento da crise econômica estava fadado a ter sobre a produção e o emprego em 2016, a presidente não teria como se livrar da prevalência de um quadro de grande incerteza política, turbinado por risco crescente de impeachment.

Ter essas quatro impossibilidades em mente ajuda a entender com mais clareza quão delicada já era a situação que vinha sendo enfrentada pela presidente Dilma, antes da deflagração do processo de impeachment.

Que, sem dar sinais inequívocos de que seria capaz de conduzir a superação da crise econômica, a presidente não conseguiria conter sua fragilização política era algo que Lula já vinha defendendo com grande empenho. O problema é que Lula acreditava que tais sinais poderiam advir de uma simples encenação que um novo ministro da Fazenda se disporia a fazer.

Que a superação da crise econômica exigiria mudança mais ambiciosa do regime fiscal era um fato considerado absolutamente trivial pela grande maioria dos analistas do quadro econômico brasileiro. E que a falta de convicção e de respaldo político da presidente Dilma impediria que ela levasse adiante tal mudança era quase consensual.

Tendo em vista a inexorabilidade das três primeiras impossibilidades, a presidente parecia condenada a enfrentar o desgaste político implícito na quarta impossibilidade. Bastava ter em mente que cada ponto percentual de aumento da taxa de desemprego significaria mais um milhão de pessoas desempregadas. E que o que se previa era que a taxa de desemprego se elevaria em pelo menos três pontos percentuais ao longo dos próximos meses.

É esse desgaste político adicional que deverá ser agora exacerbado pela deflagração do processo de impeachment. Com o Congresso conflagrado e a presidente fixada na salvação de seu mandato, a condução da política econômica deve se tornar ainda mais problemática do que vem sendo. E, à medida que o desconforto social com os efeitos do prolongamento da crise econômica se agrave nos próximos meses, a coalizão favorável ao impeachment pode se tornar irresistível.

Mais cedo ou mais tarde, o desfecho do processo de impeachment acabará ditado pela sensibilidade do Congresso à posição do eleitorado sobre a questão. Mas o Planalto sabe que, na disputa pela opinião pública, enfrentará grandes dificuldades. E nisso, tem toda razão. O que a presidente tem a mostrar, ao final de cinco anos de governo?


*Rogério Furquim Verneck é economista e professor da PUC


Fonte: O GLOBO

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A POLÍTICA CRIMINOSA





*Por Denis Lerrer Rosenfield 




A prisão do senador Delcídio Amaral, ordenada pelo Supremo Tribunal Federal, e, depois, confirmada pelo Senado suscita uma série de questões que dizem respeito ao desenlace da atual crise. Agora, um fato novo vem à tona. Ele recoloca com força o problema de um governo que já acabou, embora a presidente relute em reconhecer esse fato que se impõe a todos os que pretendem ver a realidade. Parece que o país petista conseguiu ir além de qualquer limite, como se a impunidade e a corrupção fossem simples “regras” que deveriam ser seguidas.

O que imediatamente salta aos olhos é uma imensa crise de valores do mundo político e de setores do empresariado, em franca dissonância com os anseios da sociedade brasileira. O lulopetismo estabeleceu a corrupção como modo mesmo de governar, fazendo da impunidade um tipo de conduta que deveria ser seguido por todos. Os valores estão se esfacelando, como se não fossem mais fatores essenciais de coesão social.

Não seria, pois, de espantar o descrédito de que hoje goza a classe política, descrédito esse amplificado pelo fato de o PT, antanho “partido da ética”, simplesmente afirmar que essas coisas são “naturais”. Imaginem as pessoas que vivem com poucos salários-mínimos ou estão desempregadas vendo-se diante de um quadro de corrupção que consome milhões e, mesmo, bilhões de reais. A indignação e a desconfiança são, então, meras consequências.

A política petista pertence, hoje, à crônica policial. Uma política desprovida de qualquer pudor e sem nenhum valor moral tomou conta da cena pública, como se tudo fosse simplesmente válido para a conservação do poder. Limites éticos foram simplesmente desconsiderados. Ser “progressista” significaria, nada mais, do que ser conivente com o crime, incentivador deste, em nome dos “valores” superiores da esquerda e do socialismo.

Ora, o resultado de tal política carente de moralidade é o crime como modo mesmo de governar. A política tornou-se criminosa por sua completa ausência de ética, uma política sem freios de qualquer espécie. Note-se que os escândalos da época petista simplesmente se repetem e ganham novas dimensões. O senador Delcídio Amaral somente escancarou o caráter propriamente mafioso desta política, com a franqueza de uma conversa voltada para a obstrução da Justiça, que possibilitaria a fuga de um profundo conhecedor da política criminosa. Ele não seria o único beneficiário.

O senador procurou salvar-se, procurou salvar o seu banqueiro financiador. A presidente foi também citada por estar supostamente envolvida no escândalo de Pasadena. Pensou, sobretudo, nele, porém sem esquecer os desdobramentos políticos dos casos em que esteve envolvido. A política criminosa está se aproximando da própria presidente, além de já ter atingido o ex-presidente Lula, por intermédio de pessoas próximas como o empresário/amigo José Carlos Bumlai. Em um país que primasse pela moralidade pública e pela acepção mais elevada da política, a presidente já teria renunciado e seu criador, desde já, estaria prestando contas à Justiça.

Neste contexto de política criminosa, não deixa de surpreender a votação do Senado, de 59 votos contra 13 e 1 abstenção, pela manutenção da prisão do senador Delcídio Amaral. Isso porque vários destes senadores possuem investigações em curso no próprio STF, investigações essas que podem vir a comprometer os seus respectivos mandatos.

Ocorreu um fenômeno semelhante quando do impeachment do ex-presidente Collor, em que parlamentares com problemas com a Justiça terminaram por votar favoravelmente à sua saída. Não o fizeram por virtude ou por moralidade, mas premidos pelas circunstâncias, ciosos de conservar a sua própria imagem, por mais desfigurada que estivesse. Há, aqui, uma espécie de contribuição que o vício paga à virtude.

Isto, contudo, só foi possível graças à ampla repercussão obtida pelo áudio da gravação nos diferentes meios de comunicação. Criou-se um ambiente público de maior intolerância com a corrupção e com os políticos, fazendo com que os senadores pensassem duas vezes antes de tentarem empreender uma qualquer absolvição do senador Delcídio Amaral.

Senadores comprometidos com a moralidade, seja em foro íntimo, seja por imposição das circunstâncias públicas, terminaram se decidindo pelo voto aberto neste julgamento. Trata-se, aqui, de uma condição da maior relevância, na medida em que obriga os senadores a uma prestação de contas pública de seus mandatos, devendo se justificar perante os seus eleitores. Neste sentido, a votação preliminar pelo voto aberto foi da maior importância, oferecendo aos cidadãos brasileiros uma transparência política que contrasta tão flagrantemente com o caráter “oculto” da política criminosa.

Um dado particularmente surpreendente de todo esse episódio foi a nota da presidência do PT, na pessoa de Ruy Falcão, dessolidarizandose com o senador Delcídio Amaral. Vaccari, Delúbio, Zé Dirceu e João Paulo Cunha, entre outros, são considerados até hoje “guerreiros do povo brasileiro” por terem cometido atos criminosos em nome do partido. Reconheceram a política criminosa por eles mesmos inventada. Ora, o senador nada mais fez do que os outros fizeram, repetindo um comportamento padrão, em que os interesses partidários e pessoais se misturam tão intimamente. Resta saber se permanecerá calado, sofrendo em sua solidão. Se falar, concluirá o trabalho de desmoronamento da República petista.

O ex-presidente Lula não ficou atrás. Ao tomar conhecimento da gravação do Senador Delcídio Amaral, declarou que este seria “imbecil”, teria feito uma “burrada”. Não fez qualquer juízo moral, porém se contentou em dizer que não seguiu a habilidade própria da política criminosa, baseada no acobertamento. Considerou-o como não inteligente e não como imoral, injusto ou criminoso. Eis o seu padrão da “política”. O Brasil é o que menos importa para ele e para os seus companheiros.


Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul


Fonte: O GLOBO


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

AMIGO DE LULA NA CADEIA


ESCÂNDALOS EM SÉRIE


POR CLEIDE CARVALHO E JAQUELINE FALCÃO

Lava-Jato. Acompanhado por agentes da Polícia Federal, Bumlai chega a Curitiba: pecuarista foi preso em Brasília, onde estava para prestar depoimento na CPI do BNDES





-SÃO PAULO E CURITIBA- O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi preso ontem em Brasília pela Polícia Federal, na 21ª fase da Operação Lava-Jato, horas antes de ir ao Congresso prestar depoimento na CPI do BNDES. Bumlai é acusado de ter intermediado um contrato bilionário do Grupo Schahin com a Petrobras em troca da anistia de um empréstimo contraído por ele junto ao Banco Schahin para pagar dívidas da campanha presidencial do PT em 2002, quando Lula foi eleito.

A PF batizou a operação de ontem de Passe Livre, pela facilidade com que Bumlai transitava no Palácio do Planalto durante o governo Lula. Mas, embora muitos delatores tenham afirmado que o pecuarista usava o nome de Lula, a Operação Lava-Jato diz que não há provas contra o ex-presidente.

Segundo a denúncia, o esquema de Bumlai envolveu dois ex-tesoureiros do PT — Delúbio Soares e João Vaccari Neto —, que agiram em momentos diferentes da negociação com o grupo Schahin, e passou pelo Palácio do Planalto, mais precisamente por José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, preso na Lava-Jato. Para o juiz Sérgio Moro, o pecuarista disponibilizou seu nome e o de suas empresas para “viabilizar de maneira fraudulenta recursos a partido político, com todos os danos decorrentes à democracia”.

O nome de Bumlai foi vinculado ao escândalo da Petrobras pelos delatores Fernando Baiano, Eduardo Musa (exgerente da Petrobras) e Salim Schahin — este último justamente dono do banco que fez o empréstimo para Bumlai e da empresa que fechou o contrato com a Petrobras. O Ministério Público Federal afirma que o pecuarista usou um esquema baseado em empréstimos bancários para desvio de dinheiro público. Para o procurador Diogo de Mattos, o mecanismo repetiu o mensalão.

— Um empréstimo que nunca é cobrado, especialmente por uma instituição financeira, que tem enormes prejuízos pela não cobrança, é indicativo claro de que era simulado — afirmou Mattos.

DÍVIDA DE CAMPANHA DO PT A Lava-Jato fez a vinculação entre um empréstimo de R$ 12,1 milhões concedido pelo Banco Schahin a Bumlai, em 2004, e um contrato de US$ 1,6 bilhão que o grupo Schahin fechou com a Petrobras, em 2009, para operar o naviosonda Vitória 10000 por 20 anos. Baiano e Musa delataram que Bumlai intermediou o negócio com o objetivo de saldar parte da dívida de R$ 60 milhões da campanha do PT de 2002.

O mais importante dos delatores é Salim Schahin, sócio do grupo que leva o sobrenome da família. Ele confirmou que o empréstimo dado a Bumlai foi negociado numa reunião na sede do banco com a presença de Delúbio Soares, então tesoureiro do PT. Para dar segurança aos banqueiros de que estavam fechando um negócio com o PT, Delúbio e Bumlai teriam dito que, “como evidência adicional”, a Casa Civil procuraria um dos acionistas do Schahin. Salim disse que, de fato, recebeu dias depois um telefonema do então ministro Dirceu. Contou que falaram apenas amenidades, mas, para o banqueiro, “a mensagem estava entendida”.

No mesmo ano em que recebeu o crédito do banco Schahin, Bumlai emprestou R$ 12,6 milhões à Fazenda Eldorado, de Natalino e Silmar Bertin, ambos levados a depor coercitivamente ontem. A dívida de Bumlai com o banco Schahin, porém, nunca foi paga — o acerto só veio após o grupo conseguir o contrato com a Petrobras, em 2009. O banco chegou a renovar o empréstimo três vezes, em 2005. Em seguida, fez três empréstimos à Agro Caieiras, outra empresa de Bumlai, para que fosse quitado o financiamento inicial.

Sem receber até 2006, Salim Schahin diz ter procurado o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, em busca de “auxílio político” para que o grupo obtivesse o contrato com a Petrobras. Segundo ele, ficou combinado que a contratação quitaria o empréstimo de Bumlai.

Em 2007, ainda durante as negociações, a dívida de Bumlai foi transferida à securitizadora do grupo Schahin, tirando o banco, que hoje pertence ao BMG, da mira do Banco Central. A esta altura, o valor da dívida alcançava R$ 21,2 milhões. Salim diz ter se encontrado várias vezes com Vaccari para discutir o assunto, e que o tesoureiro do PT teria lhe dito que Lula estava “a par do negócio”.

Fernando Baiano disse ter sido procurado por Bumlai em 2006 para intermediar negócios com a Schahin. O contrato para a Schahin operar o navio-sonda Vitória 10000 chegou a ser levado duas vezes à diretoria da Petrobras, sem sucesso. Baiano disse que, para resolver o problema, Bumlai acionou os contatos dele, em especial José Sérgio Gabrielli, então presidente da estatal, e Lula. Segundo Baiano, depois disso o negócio foi aprovado. Quem levou o contrato para a diretoria da estatal foi Eduardo Musa.

PROPINA NA SUÍÇA Quando o contrato com a Petrobras foi fechado, os Schahin consideraram quitada a dívida de Bumlai com o banco, e para isso simularam ter recebido o pagamento em embriões de gado. A Schahin passou a pagar propina para dirigentes da Petrobras. Musa, por exemplo, recebeu US$ 720 mil na Suíça. Já Baiano disse que Jorge Luz, operador do PMDB, que ficara fora das tratativas, também negociou com a Schahin propina entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões.

Na operação de ontem, dois filhos de Bumlai e uma nora foram levados coercitivamente para depor. O MPF havia pedido a prisão temporária dos três, mas Sérgio Moro negou.

Além das delações, a quebra de sigilo de Bumlai revelou “saques sucessivos e vultosos”, em espécie, feitos até 2014, nas contas bancárias dele e de suas empresas. Para Moro, saques em dinheiro não constituem crime, mas são expediente usado “para evitar rastreamento bancário”. Em 2011, ocorreram duas transferências, de R$ 1 milhão cada, da São Fernando Açúcar e Álcool, de Bumlai, para a empresa de fachada Legend, que lavou dinheiro de dirigentes da Petrobras.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificou também quatorze saques em dinheiro, em quantias superiores a R$ 100 mil, das contas da usina, entre 2010 e 2013. Nas contas pessoais do pecuarista foram 21 saques em espécie, num total de R$ 3,3 milhões. Um dos saques foi feito pelo policial militar Marcos Ferreira, também levado a depor ontem na Polícia Federal.


Fonte: O GLOBO 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

IMIGRANTES E RECESSÃO


* Por Leonardo Cavalcanti

 Durante o primeiro quinquênio desta década, período no qual o Brasil tinha uma taxa de crescimento positiva, o país teve um aumento de imigrantes no trabalho formal, especialmente de pessoas do Sul Global (haitianos e senegaleses, entre outros). No período, o número de imigrantes empregados, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), passou de 69.015, em 2010, para 155.982, em 2014, crescimento de 126,01%. No entanto, a atual recessão econômica torna o cenário migratório mais complexo.
Em contextos de crise, o mercado de trabalho passa a ser fundamental para a magnitude e a direção dos fluxos migratórios. Um caso ilustrativo é a experiência da Espanha, o segundo país que mais recebeu estrangeiros na década passada no mundo ocidental, de acordo com os dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), ficando atrás somente dos Estados Unidos. Naquele país, o mercado de trabalho tinha um nicho de atividades que demandava imigrantes em áreas como a da construção, da agricultura e serviços. Com a crise econômica e o desaquecimento do mercado de trabalho, a relação emigração/ imigração começou a apresentar saldo negativo.
No entanto, vincular as migrações, única e exclusivamente, a uma vertente econômica ou ao mercado de trabalho é incorrer em uma limitação teórica e política, pois as migrações não se dão unicamente por uma lógica economicista, no sentido da atração e expulsão (push and pull) como entendia a perspectiva neoclássica das migrações. A atual recessão econômica não implica, necessariamente, que o Brasil deixará de receber imigrantes. Com a desvalorização cambial, as empresas que se situam no final da cadeia produtiva do agronegócio — aquelas que mais empregam imigrantes no sul do país — podem ter as exportações ampliadas e a demanda por esses trabalhadores pode continuar.
Com o aumento da imigração do Sul Global no Brasil e o atual cenário de crise, o país é desafiado a pensar em política migratória e seria um desacerto reduzir os imigrantes a uma simples força de trabalho disponível à reprodução do capital. Como também seria um equívoco desconsiderar a função produtiva e o impacto na economia da população migrante. A junção entre mercado de trabalho e proteção dos direitos dos imigrantes aponta para um caminho mais realista e eficaz na gestão das migrações na atualidade.
O conhecimento rigoroso do fenômeno migratório é o primeiro passo para poder pensar políticas públicas adequadas. Por isso, os pesquisadores do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) apresentaram à sociedade, na Câmara dos Deputados, os dados sobre a presença dos imigrantes no Brasil. O momento é oportuno, já que o Parlamento discute um novo marco legal para as migrações no Brasil.
Leonardo Cavalcanti é professor da Universidade de Brasília e coordenador do Observatório das Migrações Internacionais
 
 
CAVALCANTI, Leonardo. Imigrantes e recessão. O Globo, Rio de Janeiro, 23 out. 2001, Opinião, p. 14..
 
 
 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

ATITUDE IRRELEVANTE

Por Geovani Santos
 
Como brasileiro estou revoltado com a posição adotada pelo governo brasileiro frente a questão israelo-palestina. Fica evidente que nossas autoridades se mostram antagônicas ao direito de Israel se defender do ataque do grupo terrorista Hamas, que persegue o insano e diabólico objetivo de eliminar o povo judeu do mapa.
 
 
 
 
É de assustar a conivência imoral de nossas autoridades, as quais alinham os seus discursos a uma retórica antissemita difundida em todo o mundo. Esta inclinação absurda e o apoio incondicional do país a políticas equivocadas e a regimes ditatoriais é um acinte à liberdade democrática e ao ideário republicano brasileiro cuja tirânia sempre foi combatida com afinco.
 
É com toda razão que o Brasil foi chamado de "anão diplomático" pelo governo israelense, pois suas atitudes irrelevantes e a sua incapacidade de se posicionar de uma maneira equilibrada  em questões internacionais revela sua insignificante contribuição ao cenário diplomático mundial. Osvaldo Aranha deve estar se revolvendo em seu túmulo.