sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

EXPECTANDO COM FIDELIDADE A ESPERANÇA


Por Geovani F. dos Santos


Um dia desses será o último dia da igreja na terra. Não importa se o mundo considera loucura  ou utopia, as palavras de Jesus são suficientemente  fidedignas para corroborar  nossas expectativas e cimentar nossa fé. Tudo quanto ele deixou-nos registrado acerca do Arrebatamento se resume em única sentença: "Virei outra vez" (Jo 14.3).


                                                           

Tal frase não teria valor algum se fosse proferida por um arguto escritor, um cientista renomado ou mesmo um sábio versado em todas as proficiências do conhecimento  humano. Passaria despercebida como mais uma citação entre milhões de outras que já foram registradas ao longo dos séculos como atributo do pensamento  dos homens e um contributo às  pósteras gerações.  A única diferença, no entanto, reside na constatação de que tão significante declaração foi vaticinada pelos lábios sacrossantos de Jesus, e ninguém  neste mundo, nem no mundo vindouro, tem maior autoridade do que ele para dar cimentação a tal promessa.

Muitos santos do passado viveram e morreram tendo como visão dominante o retorno do Salvador  glorificado nas nuvens  do céu para conduzi-los à Glória eterna ao se dar o  ressoar da trombeta. A igreja  primitiva nutria igual esperança e era embalada pela doce certeza do Maranata. Viviam tão  imersos em tal expectação perseverante que todos os outros alvos eram secundários. Cristo era o prêmio sobreexcelente a ser conquistado  -  o "sumum bonum" da vida.

Tal desejo não deveria ser menor na igreja hodierna. Muito mais do que eles, temos motivos de sobra para vivermos neste  anelo revigorante.  Paulo, o apóstolo dos gentios, deixou bem claro em sua epístola que a nossa salvação está, agora, muito  mais perto de nós do que quando  recebemos a fé. Equivale dizer que em pleno século XXI nós  estamos muito  próximos do seu advento e no limiar de sua manifestação.

Por isso, imbuídos de fé e esperança em Jesus, vivamos em vigilância, sempre mantendo firme no coração a certeza de que o Senhor é fiel para cumprir suas promessas. A Escritura  diz: Seja Deus verdadeiro, e todo homem  mentiroso. Este princípio nos dá substancial segurança,  como também nos motiva a trabalharmos com mais denodo, sem qualquer dilação.

Sejamos como os servos que esperam pelo seu senhor. Cuidemos bem de nossa mordomia, mantenhamos firmes nossos alicerces espirituais e não abramos mão do que é  reto, porque o Senhor saberá recompensar a lealdade de cada um de nós à altura.



SERVOS QUE ESPERAM



A postura do crente nesta última hora deve ser de prontidão. Jesus deixa claro que sua vinda será em hora incerta, num momento súbito, quando muitos não o estarão esperando. O mestre revela aos discípulos a necessidade de vigilância dada a extraordinariedade do acontecimento. Ele o faz com o intuito de adverti-los da negligência quanto à brevidade do evento e, também, para mantê-los unidos na mesma direção e propositura de espera. 
  
Jesus  categoricamente pontua que servos diligentes não devem descuidar de seu preparo espiritual. Pelo contrário, devem  estar de sobreaviso. Ele declara: " Olhai, vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo ( Mc 13.33). Mais adiante no versículo 35, reitera: " Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá  o senhor da casa; se à  tarde, se à meia meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã (Mc 13.35). Segundo o Comentário Bíblico Pentecostal, Edições  CPAD, à página 278, esta exortação à  vigilância é inculcada  de três modos:



                       1. Os discípulos - ( e os leitores! v.37) não sabem quando o acontecimento se dará ( vv. 33,35).

                       2. Quatro vezes Jesus avisa: " olhai" (v.33a): " vigiai " ( v.33b); "vigiai " ( v.35); " vigiai " ( v. 37).

                       3. Na parábola registrada nos versículos 34 e 35, o servo está vigiando pela chegada do seu senhor, mas aquele não sabe quando este aparecerá. O resultado é um mandado de vigilância que dificilmente pode ser mais . em seu poder retórico.


Tais asserções reforçam ainda mais a urgência da prontidão em se aguardar a volta do mestre. O termo grego usado no versículo em apreço é  gregoreuo e indica a ideia de estar vigilante em estado de alerta. Paulo, em  sua carta aos Romanos, usa o termo grego apokaradokia para se referir à  expectativa da manifestação dos filhos de Deus. O sentido da expressão demonstra um olhar ansioso com o corpo esticado. Traduzido para o português como ardente expectação. Vejamos :


" Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus" ( Rm 8.19).


Todo crente deve ter esta expectação  no íntimo. Na Bíblia,  os servos bons e diligentes são distinguidos por sua perseverança e lealdade aos desígnios divinos, ao passo que os maus servos por sua intransigência e negligência  para com os mesmos. Enquanto os prudentes são solícitos  em obedecer e estão  preparados, os relapsos procrastinam demonstrando indiferentismo diante da urgência. Um exemplo disso é perceptível na parábola das dez virgens registrada por Mateus no capítulo 25.

Na passagem vê-se claramente que cinco das virgens em questão não levavam azeite reserva consigo, enquanto que cinco delas possuíam- no. Com a demora do noivo, ambas, as loucas e as prudentes tosquenejaram, sendo surpreendidas à meia-noite com o grito: " aí vem o esposo, saí-lhe   ao encontro" ( Mt 25.6).

Esta  parábola  mostra a necessidade de estarmos sempre aptos para o arrebatamento. Não podemos dormitar  como as virgens, mas estarmos preparados para ouvir a voz do noivo celestial.  O apóstolo paulo declara que nem todos dormiremos, no entanto todos serão transformados " num abrir e fechar de olhos" ante  o ressoar da trombeta de Deus ( I Co 15.52). Será um momento tão rápido e imperceptível para este mundo que o apóstolo usa o termo grego "in atomos", isto é,  um instante mais célere do que um pestanejar.

Tendo em vista a aproximação do grande dia do Senhor, procuremos viver de forma honesta e ordeira, em santo trato e piedade, até que contemplemos novos céus e nova terra nos quais habitem a justiça.



Soli Deo Gloria!

EIS O MACHADO À RAIZ DAS ÁRVORES


Por Geovani Figueiredo dos Santos





Precisamos clamar aos céus para que Deus levante nesta última hora pessoas sinceras e dedicadas com a verdade do Evangelho de Cristo. Homens e mulheres consagrados que honrem as Escrituras e não tenham medo de sofrerem represálias ou mesmo serem ridicularizados por amor a Jesus. Estamos vivendo os últimos momentos da Igreja na terra, e como dispenseiros da multiforme graça que nos foi doada pelos méritos de Cristo em Gólgota, devemos rogar a Deus que capacite arautos para esta hora de trevas que tomam conta de toda a terra. 

Como nós todos sabemos, pois isso não é mais nenhuma novidade, o mundo esta sendo preparado para a chegada do anticristo. A nossa sociedade cada vez mais vai fazendo o joguinho de Satanás em todos os aspectos. Quem não se ajustar, portanto, ao que a Bíblia diz e não amoldar sua vida e pesamento aos parâmetros divinos certamente será engodado pelo espírito do erro já atuante no mundo.
Em todas as esferas sociais mundanas e, mesmo em instituições pretensamente cristãs, percebe-se uma mudança de paradigma. As Sagrada Escrituras e os princípios judaico-cristãos já não são mais levados em consideração pelos seus líderes e liderados, prefere-se adotar um discurso politicamente correto, perversamente urdido para se evitar embates ideológicos ou doutrinários. O  que importa é a boa convivência entre as crenças, uma espécie de política de boa vizinhança, onde por respeito aos outros credos não se faz mais proselitismo. Tal discurso ecumenista e sincrético encontra eco em muitas igrejas tradicionais, e mesmo nas mais conservadoras, já se percebe uma certa frouxidão no tocante a lutar contra tais desvios. O erro entra sorrateiramente no seio da igreja e não encontra muitas resistências por parte de muitos cristãos.
Esse quadro é preocupante porque revela o quanto a cristandade perdeu o alto conceito das Escrituras e do próprio Senhor da Igreja. Demonstra também que os valores cristãos outrora defendidos com fervor pelos crentes estão sendo desconsiderados por uma nova geração que não tem compromisso com a santidade e, tampouco, com o legado apostólico. Estamos caminhando para uma apostasia declarada e flagrante. Daqui pra frente veremos o recrudescimento de atitudes cada vez mais ante-cristãs no seio da própria Igreja, que empobrece em testemunho soterrada por comportamento bizarros e abomináveis.

Podemos citar como exemplo, para efeito de comparação, a decadência da Igreja Episcopal e da Igreja Anglicana nos dias atuais. Devido a inúmeros escândalos, estas igrejas têm aparecido com frequência nas manchetes de jornais e revistas em todo o mundo. A primeira, uma das mais antigas e maiores igrejas do mundo, no passado estava fundamentada desde sua origem no ensino bíblico. Pregava o Evangelho da cruz e a Ressurreição de Cristo e os seus púlpitos eram abençoados por profetas e pregadores santos. David Wilkerson, em um de seus artigos deixa claro que a influência da Igreja episcopal  se estendia desde da Europa até à Africa e às Américas. O que se vê hoje é um completo desvio da Palavra, manifesto em comportamentos e permissividades das mais hediondas que desdoira do passado glorioso desta denominação. Vejamos:  
 
  • A denominação é uma das primeiras a ordenar um bispo homossexual.
  • Alguns líderes episcopais estão tentando “desmascarar” a divindade de Jesus.
  • Recentemente, bispos e leigos líderes afirmaram que as dioceses da igreja podiam interpretar a Trindade como lhes conviesse. Deus pode ser feminina, Jesus um pensamento amoroso, e o Espírito uma escolha individual. Isto é blasfêmia absoluta!
  • O novo bispo principal eleito é uma mulher que adotou a programação gay, e a denominação se prepara para uma divisão. Igrejas locais estão cortando os fundos, e bispos africanos já estão fartos, declarando que as igrejas americanas estão caindo em apostasia. Enquanto isso, o número de membros está a diminuir.


    Eis que o machado está à raiz das arvores


Da mesma forma, o mesmo caminho é seguido pela Igreja Anglicana na Inglaterra, que devido a sua apostasia tem sofrido um processo dramático de decadência com o encolhimento de sua membresia e com os seus prédios de séculos de história eclesiástica fechando as portas em definitivo ou sendo vendidos para fins seculares. O nome do processo segundo Wikerson é "desconsagração", isto é, o edifício antes consagrado ao culto do Senhor perde o seu caráter sagrado sendo utilizado para finalidades mundanas e profanas tais como clubes noturnos, museus de ocultismo e até mesquitas muçulmanas.

Este lamentável quadro de apostasia da igreja nos remete aquela velha frase proferida por João, o batista, que diz: 

"E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo" ( Mt 3.10; Lc 3.9).

Creio que Deus enviará grandes juízo sobre a Igreja apóstata estes últimos dias. Uma destes juízos é a morte espiritual e o desaparecimento como se percebe em algumas igrejas que no passado eram jardins de bençãos, mas que agora se tornaram em sequidão de estio. O apóstolo Pedro declara que o julgamento vai começar primeiro por nós, igreja, para depois alcançar o mundo. Vejamos:
"Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?" ( I Pe 4.17).
  
 A consequência do desprezo à verdade será sentida por todos aqueles que devendo ser exemplos se tornaram réprobos quanto as coisas santas. Não importa se são pessoas ou instituições, todos estão sendo avaliados neste exato momento por aquele que tem "olhos como chamas de fogo"(Ap 19.12). O mesmo que diz em apocalipse: "Eu conheço as tuas obras" (Ap 2.2). Que sejamos nós diligentes e cuidadosos em preservar o que nos foi dado até que Ele volte.  


Soli Deo Gloria!

  

  

SOBRIEDADE E PRECAUÇÃO


Por Geovani F.dos Santos


Devemos nos precaver das coisas que são motivo de tropeço à  vida espiritual. O crente precisa estar em constante vigilância sempre levando em consideração que o mundo é um lugar inóspito  para os filhos de Deus. À  medida que aproxima-se nossa redenção somos instados pelas Escrituras a permanecer sóbrios, atentado sem reservas para todo o conselho de Deus.


 


O Espírito Santo, nosso Paracleto divino, nos admoesta no íntimo,  conduzindo-nos a uma vida pautada num verdadeiro andar cristão, ou seja, imaculado. Tal prerrogativa conquanto pareça utópica para muitos  crentes "incrédulos"  que desconsideram essa possibilidade, é para todo homem de fé inteiramente possível sob a égide e estrito controle do Mestre.  Os que dizem ser impossível viver nesse patamar de santidade estando  neste mundo, ainda não experimentaram toda a dimensão do novo nascimento ou, perdoem-me a franqueza, não são de fato renascidos. 
  
O crente salvo jamais duvidará dos mecanismos de ação de Deus e, tampouco, dará lugar em seu coração a incertezas ou hesitações no tocante à fé. Ele crê incondicionalmente no relato inspirado e encontra graça e inspiração  para lidar com todas as circunstâncias, sejam estas agradáveis ou não.

Vivemos  uma época em que a fé tem sido sobremodo atacada por homens que a si mesmos se intitulam sábios. Estes farsantes, como nos tempos antigos, precisam ser refutados com poder e autoridade. Lembremo-nos sempre que nós somos os detentores da verdadeira ciência, e, portanto, capazes de derrubar qualquer palavra que se eleve contra o conhecimento de Deus. Jesus disse que nos daria boca e língua quando fôssemos  conduzidos a presença dos tribunos e reis da terra. Isso quer dizer que receberemos autoridade e eloquência quando chegar a hora (Mt 10.19; Mc 13.11;   Lc 12.11). 

Tiago afirma que  a ciência deste mundo é  terrena, animal e diabólica (Tg 3.15). Não é de estranhar a forte oposição da ciência naturalista contra a Bíblia  e a fé cristã. Contudo, apesar de tais ataques, conservamo-nos firmes naquele que criou os céus e a terra. O cristão  permanece entende que esta verdade incondicional e imutável.  Por isso, afastar-se delas ou mesmo transigir  com as  ideias dos ilustrados deste mundo é cometer suicídio  espiritual, uma insanidade.

Levemos em conta que todo homem é como a flor da erva que logo passa (I Pe 1.24). Sendo assim, de que valerá suas ideias tolas quando descer à sepultura? Onde estão Voltaire, Hume, Nietzsche, Schopenhauer, dentre outros? Todos mudos, inertes, absortos em sua insignificância  pelas eras. Naquele dia se levantarão em terror, com aquela expectação horrível  de juízo (Hb 10.27), para serem lançados no lago de fogo juntamente com o maior dos rebeldes - Satanás.

domingo, 6 de janeiro de 2013

ELIAS, UM EXEMPLO DE FIDELIDADE AO DESÍGNIO DO SENHOR


Por Geovani F. dos Santos


Os homens de Deus do passado foram importantes instrumentos para consolidação dos propósitos divinos no tocante ao seu povo. A história do profeta Elias retrata bem essa declaração. Numa época dominada pela idolatria, apostasia e abandono do verdadeiro culto ao Senhor, o exemplo de fidelidade deste corajoso profeta conduz a sérias discussões sobre a conduta do crente face uma sociedade descrente, secularizada, plural e avessa aos princípios bíblicos.


                                             

O teor da mensagem de Elias e a sua ousada missão profética num momento de extrema crise econômica, social, moral e, sobretudo, espiritual foram sumamente essenciais para o retorno da nação israelita à religião pura estabelecida pela Lei de Moisés. Não há nenhum resquício de transigência do profeta com o governo corrupto de Acabe e sua malévola esposa Jezabel. O compromisso com a verdade divina estavam acima de  qualquer benesse ou prerrogativas políticas. Em outras palavras, usando um termo popular, profeta não pode ter " rabo preso". Seu ofício envolvia a denúncia do erro praticado, portando, imparcialidade, insençao e transparência eram virtudes capitais para tão espinhosa tarefa. 

Acabe, influenciado pela maquiavélica Jezabel, levara todo o povo a se afastar do Senhor. Sua perseguição implacável aos que insistiam em permanecer fiéis aos preceitos de Jeová levara muitos servos à morte. Deuses estranhos eram cultuados nos montes de Israel numa verdadeira afronta à santidade do Altíssimo. Diante de um quadro tão desanimador como esse, somente uma ação divina poderia mudar o curso dos acontecimentos. É aí que entra em cena uma das personagens mais notórias da historia de Israel - o profeta Elias. Sua missão consistia em confrontar os pecados dos governantes, conclamar o povo a se voltar à verdadeira adoração e entregar com clareza os vaticínios relacionados ao futuro da nação.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

QUE NOME DAR A ESTE TEMPO


Mauro Santayna


No mundo só há passado, e o passado cresce a cada dia, como resumiu o escritor argentino Macedônio Fernandez: hoy hay más pasado que ayer. O passado cresce, e o futuro, na vida dos homens e das nações, é uma vaga hipótese.  A morte do historiador Eric Hobsbawm, ocorrida ontem, suscita uma curiosidade: se ele vivesse mais meio século – e não sabemos como o mundo será então, se ainda houver o mundo – como ele definiria essa segunda década do milênio novo? Ele não chegou a tratar do tema, mas a sua formação marxista naturalmente o levaria a constatar, como outros pensadores do fim do século passado, que a inteligência política está se tornando escassa nestes anos.


         O neoliberalismo - essa mancebia entre o poderio militar dos Estados Unidos, os grandes bancos e a insensatez dos governantes dos maiores países do mundo - continua indestrutível e indiferente à crise que sua ganância provocou. Em Getafe, uma cidade ao sul de Madri, ontem, 15 mil pessoas fizeram fila diante de uma empresa que necessita de 150 empregados: cem candidatos por vaga.

 O recrutamento está sendo feito por uma empresa terceirizada, que não explica de que trabalho se trata (em uma fábrica de implementos agrícolas), não informa se o trabalho será permanente ou temporário, nem qual será a remuneração.

         O desemprego na Europa, mais grave nos países meridionais, ameaça atingir as economias  sólidas do continente. Há dias, o New York Times noticiava que famintos  buscam comida nas latas de lixo da Espanha – e, em algumas cidades, as autoridades, com preocupação sanitária, colocaram cadeados nas tampas. Mas as elites espanholas passeiam nas nuvens. Ainda agora, houve quem dissesse, em Madri, que a Cúpula Iberoamericana de Cádiz, no mês que vem, demonstrará  a “presença civilizatória da Espanha na América Latina”.

         O problema mais grave é o do desemprego. As medidas de austeridade só beneficiam os grandes credores dos Estados, que são os banqueiros. Ora, todos os dias novas revelações demonstram que as maiores instituições mundiais de crédito se tornaram quadrilhas de bandidos. Os governos nacionais anunciam – como o da Inglaterra – legislações reguladoras severas, mas não vão adiante. Enquanto isso, o Goldman Sachs continua a governar diretamente a Itália, com Mário Monti, e a administrar as finanças da União Européia, com Mario Draghi no BCE.

         Nos Estados Unidos, as eleições de novembro estão sendo disputadas polegada a polegada por Obama e Romney: desde Eisenhower, a grande nação do Norte vem sendo governada por homens menores – e Kennedy não escapa dessa definição. Para nós, da América Latina, Obama parece melhor, mas, tratando-se da Casa Branca, nunca se sabe. Em seu segundo mandato, ele poderá ser outro – e pior.

         De qualquer forma, o grande país terá que encontrar, e já, um líder como foram Andrew Jackson, Lincoln ou Roosevelt, a fim de retornar aos princípios sob os quais conduziram o sistema. Do contrário será difícil impedir o declínio, apesar de seu imenso poderio militar.

         Esse poderio, no entanto, está sendo posto à prova no Oriente Médio. Os Estados Unidos estão encontrando dificuldades em salvar a face na retirada do  Iraque e do Afeganistão, por uma simples  razão: eles já a perderam, desde que Bush decidiu invadir os dois países. Como confessou Richard Clarke, especialista em “contra-terrorismo” - desde o governo Reagan  e encarregado do planejamento das operações de combate aos muçulmanos desde o governo Clinton -, tudo começou com uma deslavada mentira. Todos sabiam que o Iraque nada tinha a ver com a Al Qaeda e menos ainda com a explosão das Torres Gêmeas. Mas era preciso mostrar o poderio americano contra o Iraque (já debilitado pelos bombardeios cotidianos, durante dez anos),  o menos despótico dos países do Oriente Médio.

         Talvez o historiador que vier a suceder Hobsbawm no futuro defina este nosso tempo como “A Era Vazia”. Mas há sinais de que a resistência da razão humanística pode vir a prevalecer. Os cidadãos começam a refletir e a ocupar as ruas das grandes cidades do mundo. O neoliberalismo globalizador tem sido contestado, desde seu início, pela lucidez de grandes pensadores, muitos deles europeus e norte-americanos. Entre eles, o próprio Hobsbawm, que nunca renegou o marxismo, mas soube repensá-lo, na análise da história e da sociedade dos homens.

OS EFEITOS DO CALVÁRIO

Geovani F. dos Santos 


Não temos razões para estarmos preocupados com coisa alguma. Temos as grandes promessas de Deus a nosso favor e, acima de tudo, a testificação extraordinária do Espírito Santo através da Palavra. Estamos, portanto, tranquilos quanto a este tempo em que vivemos, e, no tocante ao tempo futuro, aguardamos o raiar do dia eternal. Pedro declara que nós estamos na expectativa de um "novo céu" e de uma "nova terra" nos quais habitarão a justiça ( I Pe 3.13). Tendo tal perspectiva do porvir, estejamos descansados na completa fidelidade de Deus para com a sua Igreja na terra. Somos instados a perseverar unanimemente como os santos do passado, cuja paciência e fé incansável nos servem de modelo. Tais santos foram vencedores neste afã, sem jamais abrir mão das verdades que receberam.





A Bíblia nos incentiva a permanecer na fé na paciência dos justos. Nos exorta a buscarmos a vontade de Deus em tudo o que fizermos neste mundo. Este procedimento foi visto na vida dos que nos antecederam. Seu modelo de persistência é o legado que nos faz pertinazes em seguir o alvo pretendido até o fim. Nas Escrituras encontramos que muitos desses homens e mulheres morreram na fé sem ter obtido as "promessas" (Hb 11.39), mas dormiram confiantes que Deus era poderoso para cumpri-las a contento mesmo depois de sua partida para a eternidade.

O que Deus diz em sua Palavra é imutável, portanto, todas as promessas que dizem respeito ao nosso futuro ou ao futuro da Igreja serão cumpridas segundo o seu beneplácito. Enquanto aguardamos tais cumprimentos, nutrimo-nos  da doce expectativa de que Ele volte em breve para que o nosso gozo seja completo.

Não podemos pensar apenas no aqui e agora. Nossa visão deve estar na eternidade. Jesus deixa claro que onde estiver o nosso tesouro, ali também  estará nosso coração. "Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração ( Mt 6.21; Lc 12.34). Tendo em vista o prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus, olhemos para o alvo, não nos esquecendo nunca que nossa perseverança tem avultado galardão. Paulo diz que se não nos deixarmos levar por este mundo, ou não esmorecermos na fé, teremos com certeza os nossos lauréis por meio dos benefícios da obra salvífica que Cristo efetuou por nós na Cruz de Gólgota. Estes benefícios divinos transcendem a lógica humana e não podem ser compreendidos por aqueles que não nasceram de novo segundo a Palavra.  Se quisermos gozar de tais venturas precisamos nos desvencilhar dos andrajos de nossa velha vida, dos nossos trapos de imundície, e nos vestirmos das vestes de justiça que Deus prontamente veste os seus. 

Os efeitos do Calvário repercutirão por todo o sempre. Já podemos de antemão gozar a vida bendita ou vida abundante por meio de Cristo e da Palavra. Jesus disse enfaticamente que do interior daqueles que cressem em seu nome, brotariam rios de água viva. "Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre" ( Jo 7.38). Este fluir de gozo é o resultado da vida de Deus em nós, e a constatação de que o velho homem foi crucificado. Esta metamorfose é obra do Espírito de Deus experimentada por todos aqueles que vêm  a Cristo e rendem-se incondicionalmente a sua graça. Tal vida de qualidade é perceptível através de frutos e testemunhos autênticos que atestam o poder de uma nova afeição inteiramente moldada pelo Evangelho.

QUANDO CRISTO ESTÁ DO LADO DE FORA


Geovani F.dos Santos



À semelhança da Igreja de Laodiceia,  existem muitas igrejas hoje que colocaram Jesus do lado de fora. O mestre está batendo à porta destas igrejas esperando uma oportunidade para ter comunhão com elas. No entanto, as portas estão fechadas. A falta  de sensibilidade espiritual por parte de alguns líderes não permite-lhes constatar que o Senhor Jesus Cristo há muito não se encontra mais em seu meio.



Com o passar do tempo, a igreja no afã de se modernizar e acompanhar o curso da modernidade, pouco a pouco foi deixando que a soberba e a auto-suficiência lhe adentrassem ao coração, e o resultado é a aridez da vida espiritual característica de nossos tempos. A ausência de Jesus produz cultos apáticos e sem vida. Verdadeiras reuniões fúnebres onde o poder e a ação do Espírito foram sufocados pelas preocupações e cuidados deste mundo.



Quando a igreja perde o contato com o salvador o seu testemunho se torna irreal e o seu serviço completamente sem significado ou autenticidade. O resultado de tal situação é a morte irremediável decorrente da negligência e do afastamento daquele que é a vida.


Estamos vivendo o tempo das mega-igrejas dos televangelista e das estratégias mirabolantes que são engendradas para encher templos. Prega-se um evangelho raso e que não têm poder de causar impacto ou mudança em seus ouvintes. As mensagens procuram não ferir susceptibilidades  e a exposição da verdade é comprometida sob a alegada fachada de não expor ninguém diante dos outros publicamente. Os pecados são consentidos e toda série de absurdos são aceitos em nome de comportamentos politicamente corretos, mas que ferem as escrituras e os ensinos apostólicos.

Quanto mais se deixa Jesus de fora e se afasta da verdade bíblica, mais se abre caminho para toda sorte de atitudes inconcebíveis e estranhas ao Evangelho do Senhor. Os modismos, as práticas inovadoras que são adotadas com um discurso revolucionário querem dar um peso de autoridade a acréscimos humanos, ignorando o que disse o apóstolo Paulo: " não ultrapasseis o que está escrito" ou ainda o que alerta Apocalipse: que nada deve ser acrescentado ou retirado do teor das escrituras.

Uma igreja comprometida com Jesus e com a Bíblia, fugirá e rejeitará quaisquer tentativas de adulteração ou mesmo de se ensinar doutrina que não se coadune com os princípios esposados pelo Senhor e pelos apóstolos. A defesa da fé e a sustentação dos princípios cristão são uma evidência da saúde espiritual de uma igreja e de sua vitalidade espiritual.