domingo, 3 de julho de 2016

MORRE ELIE WIESEL NOBEL DA PAZ, AOS 87 ANOS




REUTERS/GARY CAMERON


 Sobrevivente de Auschwitz, Elie Wiesel foi escritor, professor universitário e ativista, reconhecido como a mais eloquente voz em defesa da memória dos cerca de 6 milhões de judeus mortos na Segunda Guerra Mundial. Suas lembranças do Holocausto foram imortalizadas em dezenas de obras. Ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1986 por sua militância na defesa de minorias e contra a intolerância.

Marcado pelo sofrimento dos campos de concentração, Wiesel dedicou sua vida à defesa dos direitos humanos, para manter a memória do Holocausto pela educação e defender o Estado de Israel. Entre as causas que apoiou estão a defesa dos judeus perseguidos na antiga União Soviética, a dos desaparecidos da ditadura argentina, a dos refugiados do Camboja e a luta contra o apartheid na África do Sul.

Nascido em 30 de setembro de 1928, na cidade romena Sighet, atual Sighetu Marmatiei, Wiesel teve sua vida mudada por completo em 1940, quando sua cidade natal foi anexada pela Hungria e todos os moradores judeus foram forçados a viver em guetos. Quatro anos depois, os nazistas deportaram a comunidade judaica de Sighet para o campo de concentração Auschwitz-Birkenau. Ainda adolescente, Wiesel foi mandado com seu pai, Shlomo Wiesel, ao campo de trabalhos forçados Buna Werke.

Perto do fim da guerra, Wiesel e seu pai foram forçados a marchar para o campo de concentração Buchenwald, na Alemanha, mas Shlomo foi agredido por um soldado e não sobreviveu. A mãe de Wiesel, Sarah, e a irmã mais nova, Tzipora, também morreram. Após ser libertado, Wiesel foi em um trem de órfãos para a França, onde conseguiu se reunir com duas irmãs mais velhas. Essas e outras histórias foram recontadas no best-seller “Noite”, publicado em 1958.

Foi com essa obra que Wiesel começou a mostrar ao mundo os horrores cometidos pelos nazistas. Após o fim da Segunda Guerra, quase nenhuma voz se pronunciava sobre o massacre de judeus. Sobreviventes traumatizados se sentiame culpados por não terem conseguido salvar seus pares, e se mantinham em silêncio. Mas Wiesel, que chegou a Auschwitz aos 15 anos e foi libertado aos 16, com o código A-7713 tatuado em seu braço, gradualmente exumou o Holocausto para os livros de História.

‘MENSAGEIRO PARA HUMANIDADE’

“Wiesel é um mensageiro para a Humanidade”, diz a citação do Nobel a ele concedido. “Sua mensagem é de paz, reconciliação e dignidade humana. Sua crença de que as forças que lutam contra o mal no mundo podem ser vitoriosas foi duramente conquistada”.

— A voz de quem pode falar na primeira pessoa do singular “essa é a minha História, eu estava lá” vai desaparecer quando o último sobrevivente morrer — disse a pesquisadora sobre o Holocausto Deborah Lipstadt, em entrevista ao “Washington Post”. — Mas em Elie Wiesel, nós temos essa voz amplificada e imortalizada.

Wiesel decidiu escrever suas memórias em “Noite” após mais de dez anos de silêncio. Hoje, o livro talvez seja o único na literatura sobre o Holocausto que possa ser comparado em popularidade com “O diário de Anne Frank”. Enquanto o diário termina dias antes de a família de Anne ser presa pelos nazistas, “Noite” leva o leitor para Auschwitz logo nas primeiras páginas.

“Noite” fez parte de uma trilogia, com “Amanhecer” e “Dia”. Além das memórias, Wiesel escreveu romances, ensaios e peças teatrais. Todas as obras são marcadas por questionamentos sobre o Holocausto.

— Se eu sobrevivi, deve ter sido por alguma razão — disse Wiesel, em entrevista ao “New York Times”, em 1981. —Eu preciso fazer algo com a minha vida. É muito sério para continuar brincando, porque no meu lugar, outra pessoa poderia ter sido salva. Dessa forma, eu falo por essa outra pessoa.

O ativista também construiu carreira acadêmica, como professor da Universidade de Boston, onde lecionou por mais de 30 anos.

Wiesel morreu sábado em casa, em Nova York, aos 87 anos. A informação foi divulgada pelo Museu do Holocausto Yad Vashem, em Israel.


FONTE: O GLOBO

sábado, 2 de julho de 2016

OS JOGOS DA VERGONHA



Por Geovani Figueiredo dos Santos



Os Jogos Olímpicos de 2016, são a resultante de um período político em que se pensava que a estabilidade e o crescimento econômico perdurariam no Brasil indefinidamente, alavancando-o a potência de primeiro mundo em questão de tempo.   Em 2009, quando o Rio de janeiro desbancou Madri, Tóquio e Chicago e se tornou o país sede do evento, todos os holofotes do mundo foram voltados para os trópicos.

A época, o então presidente Lula, incensado à estrela política mundial e reconhecido líder emergente, propagandeou   com insistente engajamento político e apoio de inúmeros setores da sociedade a ideia de vender a imagem do Brasil como virtual candidato a sediar o evento. O esforço do então estadista-astro brasileiro tomou corpo, tornando-se realidade concreta em 2009, como já dissemos.

O boom econômico vivido pelo país naquele momento foi decisivo para cimentar a escolha e dar sustentação à candidatura. Com a economia da nação turbinada, a sensação de otimismo tomava conta de todos os brasileiros, abrindo caminho à consumação do sonho.

No plano político e econômico, o presidente Lula implementara inúmeras medidas que possibilitaram a melhoria das condições de existência da maioria da população, que passou a ter acesso a bens de consumo e ascensão social. Os programas sociais instituídos pelo então governo populista do PT, deram uma guinada considerável a esta pretensão e os indicadores previam como certo de que o Brasil se tornaria a quinta economia do mundo, suplantando a Grã-Bretanha e a França. 

A abertura dos Jogos está prevista para 5 de agosto e já não há nenhum motivo para festa dos brasileiros. Com o Estado do Rio de Janeiro mergulhado numa imensa crise política, econômica e social e o pais vivendo num abismo institucional com escândalos estourando por todos os lados, envolvendo inúmeros figurões do poder, parece que o tiro saiu pela culatra.  


O frenesi do passado deu lugar ao desespero e o otimismo dos brasileiros, no mesmo compasso, foi substituído por uma profunda sensação de insegurança quanto ao futuro. Segundo o jornal Americano, The New York Times, o PIB brasileiro encolheu 3,8% no ano passado e pelo andar da carruagem continuará encolhendo. Dificilmente, conforme já constatado, os países que sediam Olimpíadas recuperam os gastos dispendidos. O Brasil  já desembolsou 28,9 bilhões, mas cogita-se que os gastos sejam bem maiores, algo na casa de 39,1 bilhões. Destes bilhões gastos, segundo Andrew Zimbalist, economista especializado em esportes do SmithCollege em Massachusetts (EUA), o Rio recuperará apenas 9 bilhões. O restante, diga-se de passagem, será pago por todos nós!          

sábado, 25 de junho de 2016

NELE UNIDOS, NA VIDA E NA MORTE

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Por Geovani F. dos Santos 


Deus pode até parecer estar em silêncio, todavia, o fato de não se manifestar não é de modo algum indicativo de que não nos esteja ouvindo ou mesmo velando por nós de alguma maneira desconhecida. O Senhor por vezes prova os seus filhos e é bem notório que todo o silêncio divino, posteriormente, redunda em um derramar de muitas bençãos sobre a vida dos que esperam em sua bondade e misericórdia.

Se cremos em Deus e, por sua vez, tenhamos feito a escolha de seguirmos a sua soberana vontade, devemos estar certos de que haja o que houver, estaremos sendo guiados por sua divina providência. Ele nos promete: “Não te deixarei, nem te desampararei (Josué 1.5; Hebreus 13.5). O Senhor Jesus também nos prometeu estar conosco “todos os dias até a consumação dos séculos” (Mateus 28.20). É exatamente a certeza da presença dele que nos faz serenos para enfrentarmos os dias maus, os dias de adversidade, quando a nebulosidade da dúvida nos assaltar e o inimigo, aproveitando-se de nossa hesitação, tentar nos desanimar insuflando ainda mais temores e angústias aos nossos corações.

O bom mestre deixa bem explicitado que no mundo teríamos aflições, passaríamos por crises e sofrimentos variados, mas em nenhum momento disse que estaríamos sozinhos em meio à tempestade ou sem sua orientação em meio as ondas procelosas do mar da existência. Um antigo hino, intitulado “O piloto” assim nos fala:


“Oh! Não temas sou contigo,

Teu piloto até o fim.

Oh! Não temas o perigo,

Eis a mão, confia em mim! ”


A bela letra deste louvor mavioso é um lenitivo para as nossas almas e uma doce consolação aos nossos corações muitas vezes abatidos pelos dissabores da vida; mas, todavia, convictos de que a Suprema Providência, assim como cuida dos pardais, também zelará por nossas vidas até o último momento. O salmista declara: "Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte" (Salmos 48:14).

A adversidade no mundo pode até causar estranheza a um santo, no entanto, Pedro deixa bem claro que não devemos ficar estupefatos e espavoridos diante dela. Ele assevera: 

“Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesta parte “ (I Pedro 4. 12-16).

Nos dias de Pedro, ser cristão era uma posição muito perigosa. Muitos servos do Senhor foram presos e martirizados porque serviam ao Mestre dos mestres, e, portanto, tinham o conhecimento do preço a ser pago por aqueles que em verdade desejavam servi-lo. O próprio Pedro sabia de antemão, que estava destinado ao martírio. As palavras de Jesus ditas acerca dele a João deixam bem evidente que tipo de morte lhe esperava. Vejamos o que Cristo vaticinou:

“Em verdade, em verdade Eu te afirmo: quando eras mais jovem, tu te vestias a ti mesmo e ias para onde desejavas; mas quando chegares à velhice, estenderás as mãos e outra pessoa te vestirá e te conduzirá para onde tu não queres ir. ” Isso falou Jesus, significando o tipo de morte com a qual Pedro iria glorificar a Deus. E assim que terminou de proferir essas palavras, acrescentou: “Segue-me! ”” (João 21.18).

As perseguições e martírios, longe de abalar a fé dos santos, só fez corroborar mais firmemente a disposição de permanecer leais ao Cordeiro e contribuir com a pregação do Evangelho com grande poder e unção. Ao longo de todo primeiro e segundo século da Era Cristã, o sangue dos santos mártires da Igreja de Jesus Cristo regou o solo das arenas romanas e serviu de adubo para que as sementes da salvação germinassem em milhares de vidas, as quais de bom grado, foram alcançadas pelo testemunho e pregação dos apóstolos. Vejamos o que nos diz a História:

“As brutalidades cometidas contra os cristãos eram tais, que até os próprios romanos foram movidos pela compaixão. Nero desenvolveu requintes para as suas crueldades, e inventou castigos que só a mais infernal imaginação poderia conceber. Em particular, fez com que alguns fossem costurados em peles de animais selvagens e lançados aos cães para serem destroçados. Outros, com as vestes encharcadas de cera inflamável, foram atados aos postes de seu jardim particular, onde lhes atearam fogo para que ardessem como tochas de iluminação. A perseguição generalizou-se por todo o império romano. Contudo, o espírito do cristianismo só aumentava. Foi durante essa perseguição que os apóstolos Paulo e Pedro sofreram o martírio. Aos seus nomes pode-se acrescentar Erasto, tesoureiro de Corinto; Aristarco, o macedônio; Trófimo, de Éfeso, convertido através da mensagem de Paulo e que se tornou seu colaborador; José, comumente chamado Barsabás; Ananias, o bispo de Damasco; e cada um dos setenta.” [1]


Resultado de imagem para martirio cristãoO sofrimento e a morte não eram desafios amedrontadores, pelo contrário, com Cristo eram suportáveis, pois os mesmos santificavam e levavam para os céus. O maior prêmio e maior dignificação concedidas a um Cristão, era a honra de ser martirizado por seu Mestre. Assim o foram Paulo e próprio Pedro. O primeiro decapitado e o segundo crucificado de cabeça para baixo por ordem do imperador Nero. De Pedro é dito:

“Por 10 anos Pedro governou a Igreja na cidade Jerusalém, na Judéia, Samaria, no litoral e em Antioquia. No ano de 42 D.C. transferiu a Igreja para a sede do Império a cidade de Roma. Foi estratégia de evangelização. A parir do centro do Império seria mais fácil a locomoção para evangelizar. No tempo de Nero, em 67 D.C. , foi preso e crucificado nos arredores de Roma (atual Vaticano), além do rio Tibre. Conta à tradição apostólica que na hora da crucificação pediu aos algozes que fosse crucificado de cabeça para baixo, dizendo “Não sou digno de morrer como meu mestre Jesus”, que morreu em posição normal. Os algozes atenderam este pedido de Pedro”. [2]

Outra grande coluna da Igreja teve o mesmo destino do apóstolo-pescador supracitado e honrou o Senhor Jesus com o sacrifício de sua própria vida. Historiadores supõem que Pedro e Paulo morreram na mesma época, juntamente com outros santos da igreja primitiva, condenados pelo perverso imperador Nero. Quando em Éfeso, já certo do fim de sua carreira, Paulo admoesta os crentes efésios e lhes declara que não mais veriam o seu rosto neste mundo. As palavras contundentes e incisivas do apóstolo levam os irmãos às lágrimas. Vejamos as suas últimas palavras aos de Éfeso:
 
“ E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. Agora, eu sei que todos vós, em cujo meio passei pregando o reino, não vereis mais o meu rosto. Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos” (Atos dos apóstolos 20.22-26). Escrevendo a Timóteo ele também fala de sua partida:  “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado” (2 Timóteo 4:6).

O fim da carreira terreal iminente já era previsto por Paulo, o seu coração estava entregue inteiramente aos cuidados daquele que lhe chamou no Caminho de Damasco para ser apóstolo aos gentios, não haviam nenhum motivo para melindres, seu ministério estava cumprido. As lutas e sofrimentos agora ficarão neste mundo, lhe aguardam gozos inauditos nas regiões etéreas da santidade.  As palavras de Jesus permaneciam indeléveis em seu coração, no entanto teria a honra de ouvi-las em alto e bom som no reino celestial.  O escritor e historiador Ball (1998, pág. 119), escreve a seguinte narrativa sobre os derradeiros momentos do apóstolo Paulo em vida. Vejamos:

“ [...] Com o rosto pálido, porém de cabeça erguida, o apóstolo foi levado para fora dos muros da cidade. Ali, em meio a uma multidão hostil, o velho missionário da cruz levantou os olhos para orar. Muitas e muitas vezes, o Senhor o livrara de um momento como aquele. Contudo, muitos outros santos haviam enfrentado a morte, e a Graça de Deus seria suficiente a Paulo também. O Senhor Jesus sofrera uma morte vergonhosa fora dos muros de Jerusalém; mas para sua vitória, tornou a morte gloriosa a todo o cristão. Enquanto Paulo pensava na ressurreição, um riso de triunfo dançou-lhe nos olhos e brincou-lhe nos cantos da boca. Sua face estava radiante, brilhando com a luz de um outro mundo. O Capitão da guarda ordenou que parassem. O ar frio do inverno esfriara o cepo junto ao qual Paulo ajoelhou-se. Combati o bom combate, acabei a carreira; guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada. A lâmina da espada brilhou ao sol. Paulo fechou os olhos para a multidão ruidosa, e quando abriu-os de novo, estava na presença de Jesus de Nazaré, onde há plenitude de alegria e prazeres eternos (Salmo 16.11)” [3]   

Resultado de imagem para martirio cristãoPor mais que se tente compreender a história dos mártires e dos sofrimentos dos homens e mulheres da Igreja de Jesus ao longo dos séculos, sempre chegaremos a nítida conclusão de que eles somente foram até às últimas circunstâncias por amor ao Evangelho, porque de fato foram impactados pela mensagem do Nazareno a tal ponto e profundidade que as suas vidas não eram mais  preciosas para si mesmos; mas, que, estariam dispostos a sacrificar tudo: bens, recursos, tempo, família, liberdade e a própria existência para ter o direito ao sumum bonum da soberana vocação em Cristo Jesus.  Eles foram homens e mulheres cujo mundo jamais será digno mesmos. Leiamos, pois Hebreus:

 “…Os quais pela fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram o cumprimento de promessas, fecharam a boca de leões, apagaram o poder do fogo e escaparam do fio da espada; da fraqueza tiraram força, tornaram-se poderosos na batalha e puseram em fuga exércitos estrangeiros. Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Alguns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles” (Hebreus 11:33-38).

Que exemplo deles nos acompanhe e inspire nesta jornada rumo aos céus, onde eles nos esperam chegar!      
   

[2] http://www.abiblia.org/ver.php?id=3120/ Acesso em 26/06/2016
[3] BALL, Charles Ferguson. A Vida e a Época do Apóstolo Paulo. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998. 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O FASCÍNIO DA VIDA E OS SENTIDOS


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Por Geovani F. dos Santos



A vida é um mistério inimaginável do ponto de vista humano. Não podemos mensurar a magnânima realidade de bençãos que podemos encontrar em cada detalhe perceptível de existência que Deus nos permite observar em cada manhã que nos sorri. Cada gotícula única que escorre deslizante de uma folha, cada raio solar que dardeja as frestas da janela, é um magistral jogo de exuberância e fascínio aos olhos. Não podemos nos furtar da contemplação de tão grande espetáculo, porque também fazemos parte dele, fomos criados para a interação com o mesmo e, sem o mesmo, estamos incompletos. O salmista sabia que pertencia a um projeto maior e que pertencemos a mesma equação divina quando declarou:

“Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que te lembres dele, e o filho do homem, para que o visites?  Contudo, pouco abaixo de Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste.  Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés” (Salmos 8.3-6).

As palavras do salmista demonstram muito além de fascínio, uma devoção agradecida pelo fato singular de ser um integrante da grande partitura universal, uma nota no infinito compasso do Criador. O apóstolo Paulo tinha esta mesma concepção quando falou aos filósofos epicureus e estóicos no Areópago de Atenas. Ele declarou: 

 Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração” (Atos dos Apóstolos 17.28).

Tanto o Salmista como Paulo, tinham a clara noção de seus papeis. Suas vidas revelam um propósito, uma meta estabelecida que perpassa toda a conjuntura de suas vidas. Reconhecem que são apenas frações no grande e intricado tabuleiro universal e, portanto, reconhecem o status de suas próprias atuações no mundo. O homem é colocado no mundo com o escopo de servir e adorar a Deus, qualquer desvio no tocante a este escopo constitui-se numa transgressão a sua própria natureza inerente. Na verdade, quando o homem se desvia do propósito maior se torna uma contrafação de tudo aquilo para o qual foi designado no mundo.  

Um objeto de beleza é uma alegria para sempre; Nosso amor por esse objeto aumenta. Ele nunca se transformará em nada.
(John Keats)

Canto ao grande poder de Deus,
Que fez as montanhas se elevarem; isso espalhou os mares inundantes,
E edificou os altíssimos céus.
Canto ã Sabedoria que ordenou Que o sol governasse o dia;
A lua fica cheia por Sua ordem,
E todas as estrelas obedecem.

(Joseph Parker)             

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

PROFECIAS E PROFETAS DE FALSIDADE

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"Os pregoeiros do fim dos tempos surgem hora ou outra com as suas predições estapafúrdias e eivadas de engano. Ao longo da história não foram poucos e os seus vaticínios equivocados só lançaram mais incredulidade à fé de milhões que creram neles, bem como ofereceu munição aos escarnecedores de plantão e céticos profissionais."



                                                                                           Geovani F. dos Santos

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

GRATIDÃO E ALTERIDADE - DUAS VIRTUDES IMPRESCINDÍVEIS

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Por Geovani F. dos Santos


“Lança o teu pão sobre as águas, porque, depois de muitos dias, o acharás. Reparte com sete e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra.” (Eclesiastes 11.1-5).
  

Todo o cristão deve ter a perspectiva que a fé lhe apresenta durante toda a sua existência neste mundo. Se de fato, ele crê que o Senhor lhe dirige os passos e lhe concede reais diretrizes para a jornada, não se preocupará com as circunstâncias ao seu redor ou mesmo diante de si, mas seguirá confiante de que Deus jamais o deixará frustrado nessa esperança. Ter fé e acreditar que a despeito das probabilidades apresentadas, sejam estas positivas ou negativas, é Deus que sempre tem a última palavra em nossas vidas. Partindo desta premissa, o cristão estará apto a prosseguir sua caminhada firme em seu propósito e descansado na providência do Altíssimo.

O servo de Deus olha para o futuro com um olhar de esperança. Sabe que tudo está nas mãos do Senhor e, que, segundo o seu santo beneplácito dará êxito a todas as empreitadas realizadas em fé. Quem confia no agir de Deus sabe que todas as ações têm consequências temporais e atemporais, e, que, estas consequências repercutirão tanto nesta vida quanto na eternidade, ou seja, nossas atitudes tem uma relação de causa e efeito que determinarão a perda ou o ganho da recompensa ao cabo de nossa carreira terreal.

Quando meditamos nesta passagem acima, somos levados a ponderar sobre a existência e também sobre a necessidade de sermos generosos e hospitaleiros para com todas as pessoas neste mundo. Mesmo que a nossa atitude não tenha uma aparente resposta no presente, o que vale é fazermos o bem sabendo que quem de fato recompensa é o Senhor, por isso, não esperemos a gratidão dos outros ou ainda que nos elogiem por nossas boas ações, porque isso pode não acontecer. As Escrituras dizem que Jesus curou dez leprosos, no entanto, somente um veio lhe agradecer (Lucas 17. 11-19).

Na Bíblia de Estudo Vida Nova encontramos o seguinte comentário: “ Não devemos esperar que, aquele que foi beneficiado pelo nosso amor, nos pague oportunamente. Deus, contudo, nos há de suscitar um benfeitor, quando o necessitarmos, e os que por nós foram contemplados, no dia do juízo darão testemunho em nosso favor” (Cf Atos 14.13; Mt 25.40).

A grande recompensa de servir ao próximo não está nas vantagens imediatas que esse gesto pode trazer, mas na certeza de que, mesmo que não sejamos tratados à altura pelo nosso altruísmo, o que importa mesmo é ver as pessoas felizes e satisfeitas em suas necessidades. Isso é verdadeira empatia e alteridade na maior acepção do termo. Os homens são falhos e podem esquecer muito rapidamente do que lhe fizemos. Certo escritor e poeta disse que “a virtude da gratidão é para poucos”. Mark Twain declarou: “Se recolhes um cachorro faminto e lhe deres conforto, ele não te morderá. Eis a diferença entre o cachorro e o homem. ” Todavia, Deus é o galardoador fiel que trata a cada um segundo a sua retidão. Quem faz o bem esperando em Deus, somente, será recompensado nesta vida e na eternidade com ricas dádivas de justiça e paz.