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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O CÉU PODE SER SEU




Por Geovani F. dos Santos



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Hoje pela manhã, enquanto caminhava pela rua próximo à minha casa, passei por uma senhora que empurrava um carrinho de bebê e era acompanhada por uma garotinha falante, que, naquele momento olhava para o céu. A mãe conversava com a menina e, em dado momento, também olhou para a abóbada celeste admirando-a por sua beleza. Na verdade, o dia estava esplêndido e radioso, um verdadeiro céu de brigadeiro!  Em um breve instante, a criança, talvez encantada pela visão telúrica que estava diante dela, exclamou: “O céu é meu! ”


Aquelas palavras aparentemente inocentes da criança extasiada pela magnitude dos céus e proferidas de forma pueril me fizeram refletir sobre algumas verdades que revolutearam em minha mente naquele momento estanque. A primeira coisa que me veio a memória foi o hino 346 da Harpa Cristã   intitulado “É meu o Céu” que diz:


Que alegria agora, é meu o céu,
Pois Jesus rasgou o sagrado véu;
A condenação não mais temerei,
E meu Redentor sempre louvarei.
Lá no céu eu descansarei
Com Jesus, o nosso Rei;
Vem a Deus, ó pecador,
Pois no céu te espera com amor.


Este hino clássico da Harpa Cristã encerra todo o significado da fala daquela criança, pois aponta para o fato de que o céu é um lugar real, que pode ser meu e teu se confiarmos na obra redentora de Jesus na cruz do Calvário e, se, de todo coração, aceitarmos a “Palavra da Cruz” como único caminho para o arrependimento e, por conseguinte, para a vida eterna. Paulo declarou:


“Mas o que ela diz? “A palavra está bem próxima de ti, na tua boca e no teu coração”, ou seja, a palavra da fé que estamos pregando:Se, com tua boca, confessares que Jesus é Senhor, e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo! Porque com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Romanos 10.8-10).


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Paulo, neste trecho deixa bem clarificado que crer na obra redentora de Cristo é a única salvaguarda para sermos de fato libertos do pecado e, em decorrência disso, nos tornarmos aptos pela Graça, através dos méritos sacrificiais de Cristo, a entrar nos céus. O céu só será nosso se assim o fizermos, caso contrário estaremos para sempre banidos do mesmo. Portanto, é necessário que creia como uma criança com toda a simplicidade e deixemos de lado todos os preconceitos e pressuposições errôneas que porventura estejam obstruindo a nossa crença. Isso pode parecer um despropósito ou mesmo um desatino, mas é a única forma que a Bíblia nos apresenta. Jesus disse:


“Com toda a certeza vos afirmo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus. Portanto, todo aquele que se tornar humilde, como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus” (Mateus 18. 3,4).


William Barclay em seu comentário Bíblico de Mateus fala sobre três características distintivas que convertem as crianças em símbolos dos cidadãos que herdarão os céus. Vejamos:


(1) Primeiro e sobretudo, está a qualidade que é a chave de toda a passagem: sua humildade. O menino não sente vontade de fazer-se notar; antes quer desaparecer no anonimato. Não procura a preeminência, prefere permanecer na escuridão. Só abandona sua modéstia instintiva quando cresce e começa a penetrar no mundo competitivo, com sua luta feroz pelas recompensas e os postos importantes.

(2) temos a dependência do menino. Para o menino, o estado de dependência é um estado perfeitamente natural. Nunca pensa que deve enfrentar a vida sozinho e em seu próprio benefício. Sente-se muito satisfeito em sua dependência absoluta daqueles que o querem e se preocupam com ele. Se os homens aceitassem o fato de sua dependência de Deus sua vida se veria enriquecida por um novo poder e uma nova paz.

(3) vemos a confiança do menino. O menino é instintivamente dependente, e na mesma forma confia em que seus pais satisfarão suas necessidades. Quando somos meninos não podemos comprar nossa própria comida ou manter nosso lar, ou comprar a roupa; mas jamais duvidamos de que seremos alimentados e vestidos, de que sempre teremos refúgio, calor e conforto quando voltarmos para casa. Quando somos meninos empreendemos uma viagem sem nos passar pela cabeça pagar a passagem e sem ter ideia a respeito de como chegar à meta, mas jamais imaginamos duvidar de que nossos pais nos farão chegar aonde queremos.


Humildade e dependência são virtudes imprescindíveis que devem ser encontradas naqueles que aspiram os céus. As crianças em si trazem estas virtudes e, portanto, são postas como um padrão modelar para todos os que desejam viver uma vida cristã que de fato valha à pena. Sejamos como elas e o céu também será nosso.

  




sábado, 30 de julho de 2016

A FÉ


“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11.6).A fé sem obras é morta. Pelas obras que a fé se consumou (Tiago 2.26,22) .


Extraímos de um dicionário esta definição: “Fé: crença nas verdades da religião. ” Pouco satisfeito com tal explicação, notamos, entretanto, que este termo vem de um vocábulo latino que significa compromisso, vínculo, o que esclarece o sentido desta palavra: A fé não é simplesmente uma crença ou aceitação de uma soma de verdades que outros rejeitam crer. A fé une-se a um objetivo e nos compromete com Ele. Somos salvos pela graça, pela fé. Daí em diante não nos pertencemos a nós mesmos, mas “Àquele que morreu e ressuscitou” por nós (2 Coríntios 5.15). Somos seus servos, não por coação, mas sim segundo o impulso de nossos corações que querem amar e servir Àquele que se deu a si mesmo por nós.


Quando uma pessoa é animada por semelhante fé, não é necessário perguntar a respeito dela. Tem a vida de Deus. Seus pés ainda pisam os caminhos da terra, mas o seu coração está no alto, porque o seu tesouro, Cristo, está lá em cima. Está ligada com Aquele que está no céu, de onde cedo virá, para introduzir n’Ele os Seus redimidos glorificados. Mas não esqueçamos: a fé se alimenta e se desenvolve. Quanto mais progressos façamos na vida cristã, tanto mais estreito serão vinculo que nos une a Cristo, até essa plenitude  que o Senhor expressa na oração a Seu Pai: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, o Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós” e “eu” neles” ( João 17.21,23).


Fonte:  Calendário Boa Semente.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A UM PASSO DA MORTE E OUTRO PARA A VIDA

Por Geovani F. dos Santos


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“Considerando que ninguém conhece o futuro, quem poderá dizer o que vai acontecer? Ninguém controla o vento, como não domina o próprio espírito, tampouco tem poder sobre o dia da sua morte e de evitar lutas e guerras; nem mesmo a malignidade ou a riqueza deixam impunes os seus adeptos” (Eclesiastes 8.7.8).



Todos os homens sabem que um dia deixarão este mundo, que um dia irão morrer. No entanto, mesmo que tenham está certeza inexorável seguem como se fossem eternos ou como se nunca serão visitados pelo aguilhão do rei dos terrores. Os homens parecem inebriados pelo engano do pecado e não se apercebem que estão à beira de um abismo e, que, a qualquer momento impreciso de se determinar cairão nele. Este sono entorpecedor e mortal, inoculado pela serpente malévola nos corações, impede que os homens despertem e se apercebam de seu estado de perdição. Satanás continua a sussurrar sibilantemente nas mentes a enganosa frase:  “Certamente não morrerás” (Gênesis 3.4). Esta estratégia malévola e matreira, revela como o maligno atua meticulosamente nos corações e mentes dos homens para lhes dar uma falsa sensação de segurança, tendo como único intuito, enredar ainda mais os homens com distrações mundanas e, por fim, precipitá-los no inferno de onde jamais sairão.

No entanto, a sentença proferida pelos santíssimos lábios do Criador continua tão em voga do que quando foi proferida no Jardim do Éden: “Porquanto és pó, e ao pó tornarás” (Gênesis 3.19).  Portanto nenhum homem sobre a terra, salvo se for arrebatado por ocasião da vinda de Jesus, estará imune à morte. Está é a sina universal de todos os filhos de adão, que ao nascer, herdaram as consequências do pecado original, e, por isso, ou seja, por solidariedade, herdam a corrupção e a morte do corpo. Paulo declara:Concluindo, da mesma forma como o pecado ingressou no mundo por meio de um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte foi legada a todos os seres humanos, porquanto todos pecaram” (Romanos 5.12).

A Bíblia enfatiza esta verdade de forma veemente e conclama todos os homens a serem prudentes consigo mesmos e no tocante as suas vidas espirituais. Deus tem falado ao longo das eras e os cemitérios são pregadores que falam todos os dias às multidões. Cada lápide, cada tumba fria é uma mensagem altissonante de que um dia estaremos diante do juiz para prestarmos contas de nossos atos cometidos por meio do corpo e, portanto, devemos andar diante Deus em retidão, recebendo a sua oferta de Graça pelos méritos de Cristo na cruz de Gólgota, onde Ele nos franqueou a libertação do pecado e da morte. Paulo declara: “Sendo assim, como por meio da desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também, por intermédio da obediência de um único homem, muitos serão feitos justos”. (Romanos 5.19).

Cristo é a única salvaguarda para escaparmos da condenação e morte eternas. Não existe outro meio ou alternativa. Sem a sua interveniência seremos invariavelmente conduzidos como réus às masmorras eternas, destino de todos os homens que rejeitaram ou se esqueceram de Deus em suas vidas e, tampouco lhe deram glória. O salmista assevera: “Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus” (Salmo 9.17). As advertências divinas não devem ser ignoradas por quem quer que seja. Não se pode fazer ouvidos moucos à verdade sob pena de se pagar o preço supremo por tal negligência e incúria para com as coisas santas. Lembrem-se das palavras solenes e judiciosas do apóstolo Paulo: "Não vos enganeis, de Deus não se zomba, pois tudo o que o homem semear, isto também ceifará" (Gálatas 6:7).


Um soldado lia a bíblia enquanto se dirigia ao front de batalha. Em um dado momento, três homens se assentaram diante dele. Dois deles, vendo-o ler a Bíblia, começaram a escarnece-lo insistentemente. O soldado dirigindo-se a eles disse: “Senão vos arrependerdes, todos, de igual modo perecereis”. Repetiu esta frase três vezes sofrendo o desprezo dos homens. Somente o terceiro soldado, que mostrou descontentamento pelo comportamento de seus colegas voltou vivo da refrega. No livro de Hebreus está escrito: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Esta salvação, primeiramente anunciada pelo Senhor, foi-nos confirmada pelos que a ouviram” (Hebreus 2.3). Não deixe para depois estão tão preciosa oportunidade. Amanhã poderão se fazer os convites para o seu funeral, então será tarde demais para qualquer arrependimento. “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações“ (Hebreus 3.7,8).      

sábado, 25 de junho de 2016

NELE UNIDOS, NA VIDA E NA MORTE

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Por Geovani F. dos Santos 


Deus pode até parecer estar em silêncio, todavia, o fato de não se manifestar não é de modo algum indicativo de que não nos esteja ouvindo ou mesmo velando por nós de alguma maneira desconhecida. O Senhor por vezes prova os seus filhos e é bem notório que todo o silêncio divino, posteriormente, redunda em um derramar de muitas bençãos sobre a vida dos que esperam em sua bondade e misericórdia.

Se cremos em Deus e, por sua vez, tenhamos feito a escolha de seguirmos a sua soberana vontade, devemos estar certos de que haja o que houver, estaremos sendo guiados por sua divina providência. Ele nos promete: “Não te deixarei, nem te desampararei (Josué 1.5; Hebreus 13.5). O Senhor Jesus também nos prometeu estar conosco “todos os dias até a consumação dos séculos” (Mateus 28.20). É exatamente a certeza da presença dele que nos faz serenos para enfrentarmos os dias maus, os dias de adversidade, quando a nebulosidade da dúvida nos assaltar e o inimigo, aproveitando-se de nossa hesitação, tentar nos desanimar insuflando ainda mais temores e angústias aos nossos corações.

O bom mestre deixa bem explicitado que no mundo teríamos aflições, passaríamos por crises e sofrimentos variados, mas em nenhum momento disse que estaríamos sozinhos em meio à tempestade ou sem sua orientação em meio as ondas procelosas do mar da existência. Um antigo hino, intitulado “O piloto” assim nos fala:


“Oh! Não temas sou contigo,

Teu piloto até o fim.

Oh! Não temas o perigo,

Eis a mão, confia em mim! ”


A bela letra deste louvor mavioso é um lenitivo para as nossas almas e uma doce consolação aos nossos corações muitas vezes abatidos pelos dissabores da vida; mas, todavia, convictos de que a Suprema Providência, assim como cuida dos pardais, também zelará por nossas vidas até o último momento. O salmista declara: "Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte" (Salmos 48:14).

A adversidade no mundo pode até causar estranheza a um santo, no entanto, Pedro deixa bem claro que não devemos ficar estupefatos e espavoridos diante dela. Ele assevera: 

“Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesta parte “ (I Pedro 4. 12-16).

Nos dias de Pedro, ser cristão era uma posição muito perigosa. Muitos servos do Senhor foram presos e martirizados porque serviam ao Mestre dos mestres, e, portanto, tinham o conhecimento do preço a ser pago por aqueles que em verdade desejavam servi-lo. O próprio Pedro sabia de antemão, que estava destinado ao martírio. As palavras de Jesus ditas acerca dele a João deixam bem evidente que tipo de morte lhe esperava. Vejamos o que Cristo vaticinou:

“Em verdade, em verdade Eu te afirmo: quando eras mais jovem, tu te vestias a ti mesmo e ias para onde desejavas; mas quando chegares à velhice, estenderás as mãos e outra pessoa te vestirá e te conduzirá para onde tu não queres ir. ” Isso falou Jesus, significando o tipo de morte com a qual Pedro iria glorificar a Deus. E assim que terminou de proferir essas palavras, acrescentou: “Segue-me! ”” (João 21.18).

As perseguições e martírios, longe de abalar a fé dos santos, só fez corroborar mais firmemente a disposição de permanecer leais ao Cordeiro e contribuir com a pregação do Evangelho com grande poder e unção. Ao longo de todo primeiro e segundo século da Era Cristã, o sangue dos santos mártires da Igreja de Jesus Cristo regou o solo das arenas romanas e serviu de adubo para que as sementes da salvação germinassem em milhares de vidas, as quais de bom grado, foram alcançadas pelo testemunho e pregação dos apóstolos. Vejamos o que nos diz a História:

“As brutalidades cometidas contra os cristãos eram tais, que até os próprios romanos foram movidos pela compaixão. Nero desenvolveu requintes para as suas crueldades, e inventou castigos que só a mais infernal imaginação poderia conceber. Em particular, fez com que alguns fossem costurados em peles de animais selvagens e lançados aos cães para serem destroçados. Outros, com as vestes encharcadas de cera inflamável, foram atados aos postes de seu jardim particular, onde lhes atearam fogo para que ardessem como tochas de iluminação. A perseguição generalizou-se por todo o império romano. Contudo, o espírito do cristianismo só aumentava. Foi durante essa perseguição que os apóstolos Paulo e Pedro sofreram o martírio. Aos seus nomes pode-se acrescentar Erasto, tesoureiro de Corinto; Aristarco, o macedônio; Trófimo, de Éfeso, convertido através da mensagem de Paulo e que se tornou seu colaborador; José, comumente chamado Barsabás; Ananias, o bispo de Damasco; e cada um dos setenta.” [1]


Resultado de imagem para martirio cristãoO sofrimento e a morte não eram desafios amedrontadores, pelo contrário, com Cristo eram suportáveis, pois os mesmos santificavam e levavam para os céus. O maior prêmio e maior dignificação concedidas a um Cristão, era a honra de ser martirizado por seu Mestre. Assim o foram Paulo e próprio Pedro. O primeiro decapitado e o segundo crucificado de cabeça para baixo por ordem do imperador Nero. De Pedro é dito:

“Por 10 anos Pedro governou a Igreja na cidade Jerusalém, na Judéia, Samaria, no litoral e em Antioquia. No ano de 42 D.C. transferiu a Igreja para a sede do Império a cidade de Roma. Foi estratégia de evangelização. A parir do centro do Império seria mais fácil a locomoção para evangelizar. No tempo de Nero, em 67 D.C. , foi preso e crucificado nos arredores de Roma (atual Vaticano), além do rio Tibre. Conta à tradição apostólica que na hora da crucificação pediu aos algozes que fosse crucificado de cabeça para baixo, dizendo “Não sou digno de morrer como meu mestre Jesus”, que morreu em posição normal. Os algozes atenderam este pedido de Pedro”. [2]

Outra grande coluna da Igreja teve o mesmo destino do apóstolo-pescador supracitado e honrou o Senhor Jesus com o sacrifício de sua própria vida. Historiadores supõem que Pedro e Paulo morreram na mesma época, juntamente com outros santos da igreja primitiva, condenados pelo perverso imperador Nero. Quando em Éfeso, já certo do fim de sua carreira, Paulo admoesta os crentes efésios e lhes declara que não mais veriam o seu rosto neste mundo. As palavras contundentes e incisivas do apóstolo levam os irmãos às lágrimas. Vejamos as suas últimas palavras aos de Éfeso:
 
“ E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. Agora, eu sei que todos vós, em cujo meio passei pregando o reino, não vereis mais o meu rosto. Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos” (Atos dos apóstolos 20.22-26). Escrevendo a Timóteo ele também fala de sua partida:  “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado” (2 Timóteo 4:6).

O fim da carreira terreal iminente já era previsto por Paulo, o seu coração estava entregue inteiramente aos cuidados daquele que lhe chamou no Caminho de Damasco para ser apóstolo aos gentios, não haviam nenhum motivo para melindres, seu ministério estava cumprido. As lutas e sofrimentos agora ficarão neste mundo, lhe aguardam gozos inauditos nas regiões etéreas da santidade.  As palavras de Jesus permaneciam indeléveis em seu coração, no entanto teria a honra de ouvi-las em alto e bom som no reino celestial.  O escritor e historiador Ball (1998, pág. 119), escreve a seguinte narrativa sobre os derradeiros momentos do apóstolo Paulo em vida. Vejamos:

“ [...] Com o rosto pálido, porém de cabeça erguida, o apóstolo foi levado para fora dos muros da cidade. Ali, em meio a uma multidão hostil, o velho missionário da cruz levantou os olhos para orar. Muitas e muitas vezes, o Senhor o livrara de um momento como aquele. Contudo, muitos outros santos haviam enfrentado a morte, e a Graça de Deus seria suficiente a Paulo também. O Senhor Jesus sofrera uma morte vergonhosa fora dos muros de Jerusalém; mas para sua vitória, tornou a morte gloriosa a todo o cristão. Enquanto Paulo pensava na ressurreição, um riso de triunfo dançou-lhe nos olhos e brincou-lhe nos cantos da boca. Sua face estava radiante, brilhando com a luz de um outro mundo. O Capitão da guarda ordenou que parassem. O ar frio do inverno esfriara o cepo junto ao qual Paulo ajoelhou-se. Combati o bom combate, acabei a carreira; guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada. A lâmina da espada brilhou ao sol. Paulo fechou os olhos para a multidão ruidosa, e quando abriu-os de novo, estava na presença de Jesus de Nazaré, onde há plenitude de alegria e prazeres eternos (Salmo 16.11)” [3]   

Resultado de imagem para martirio cristãoPor mais que se tente compreender a história dos mártires e dos sofrimentos dos homens e mulheres da Igreja de Jesus ao longo dos séculos, sempre chegaremos a nítida conclusão de que eles somente foram até às últimas circunstâncias por amor ao Evangelho, porque de fato foram impactados pela mensagem do Nazareno a tal ponto e profundidade que as suas vidas não eram mais  preciosas para si mesmos; mas, que, estariam dispostos a sacrificar tudo: bens, recursos, tempo, família, liberdade e a própria existência para ter o direito ao sumum bonum da soberana vocação em Cristo Jesus.  Eles foram homens e mulheres cujo mundo jamais será digno mesmos. Leiamos, pois Hebreus:

 “…Os quais pela fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram o cumprimento de promessas, fecharam a boca de leões, apagaram o poder do fogo e escaparam do fio da espada; da fraqueza tiraram força, tornaram-se poderosos na batalha e puseram em fuga exércitos estrangeiros. Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Alguns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles” (Hebreus 11:33-38).

Que exemplo deles nos acompanhe e inspire nesta jornada rumo aos céus, onde eles nos esperam chegar!      
   

[2] http://www.abiblia.org/ver.php?id=3120/ Acesso em 26/06/2016
[3] BALL, Charles Ferguson. A Vida e a Época do Apóstolo Paulo. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O DESEJO DE JESUS


Por Geovani F. dos Santos


“Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amastes antes da fundação do mundo” (João 17.24).






A vontade do Mestre neste fragmento textual é que os seus discípulos possam estar com ele e desfrutar de sua comunhão íntima no reino que o Pai lhe outorgou. Jesus deseja que os seus servos contemplem a sua glória e sejam, também participantes dos regozijos eternos que aguardam os santos no porvir. Arrington e Stronstad (2004, p. 595), declaram: “ Jesus ora pela era da igreja até que Ele volte. Ele almeja que o fim chegue, porque quer ter seus seguidores com Ele no céu para experimentarem o amor glorioso e pleno que o Pai enviou”. Sabemos pela Palavra e podemos sentir pela ação do Espírito Santo em nós que o Senhor nos anela e nos deseja com amor paternal. Não é nenhuma novidade quando as Escrituras afirmam que “preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos (Salmo 119.15), e aguarda com veemência, o dia em que todos nós estejamos unidos a Ele na Glória eternal, onde usufruiremos de toda a plenitude do seu amor.  Willian Barclay, em seu Comentário do Novo Testamento, assevera:


                                    Em segundo lugar, Jesus disse que desejava que seus discípulos vissem sua glória no Céu. O cristão está convencido de que participará de todas as experiências de Cristo. Se tiver que compartilhar a cruz de Cristo, também participará de sua glória. “Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará.  (2 Timóteo 2.11-12). Neste mundo, no melhor dos casos veem através de um vidro escuro mas então veremos face a face (1 Coríntios 13.12). A alegria que temos agora não é mais que uma débil amostra do que experimentaremos logo. Cristo promete que se compartilharmos sua glória e seus sofrimentos na Terra, participaremos de sua glória e seus triunfos quando terminar a vida sobre a terra. E que promessa maior poderíamos esperar?


O desejo de Cristo um dia se cumprirá e a Igreja do Senhor, gloriosa, entrará na glória sempiterna para contemplar aquele que morreu numa cruz para lhe dar a mais alta dignificação diante dele mesmo em sua santa presença no céu. O anelo por este dia deve fazer parte de nossa expectativa cotidiana, porque isso faz parte da paciência dos santos. O hino 26 da Harpa Cristã, de autoria do saudoso Emílio Conde, acentua este anelo em seus versos, vejamos:


"Quão glorioso, cristão, é pensares
na cidade que não tem igual,
onde os muros são de puro jaspe,
e as ruas de ouro e cristal;
Pensa como será glorioso
ver-se a triunfal multidão,
que cantando aguarda a chegada
dos que vencem a tribulação."